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30 de janeiro de 2015

A explosão das formas urbanas na região do Porto

por:
António Ramalho
em:
CASU - Cadernos de Arquitectura e Sustentabilidade Urbana

As cidades encontram-se em permanente transformação, gerando, por sobreposição e adição, novas “formas urbanas”. Por vezes, tais formas induzem novos “modos de vida”.
No urbano em transformação as novas “formas urbanas” e os “modos de vida” agregados, em territórios de maior concentração populacional, têm vindo a realçar uma alegada cidade “ageográfica”, isto é, um tipo de cidade completamente nova, sem um “lugar” associado a ela, onde o acontecimento mais importante é o corte, a descontinuidade, a fragmentação.
Para isso têm contribuído as intervenções de requalificação nas áreas centrais / tradicionais desprendidas e excessivamente centradas na arquitectura dos “espaços públicos”, bem como o processo de urbanização das áreas de expansão periféricas em que a lógica é de sonegação daqueles espaços. Daí têm resultado preocupantes rupturas tipo-morfológicas e vivenciais.
É hoje indispensável uma abordagem disciplinar consubstanciada na ideia que “se o planeamento urbano e o urbanismo devem ser capazes de se adaptar a um contexto incerto e em mudança, a cidade construída deve também ela própria ser flexível, reutilizável, transformável” (Ascher, 1998). Acontece, porém, que essa abordagem disciplinar vem questionar o modelo “uma cidade – um centro”, verificando-se antes uma explosão das centralidades que nos obriga a passar da escala da “cidade-ponto” para a da “urbano-superfície”.
O urbanismo da “urbano-superfície”, como prática orientadora da expansão da “cidade conceptual” (entendida como a aceitação de um modelo formal tipo), é alicerçado na dicotomia “cidade contínua” / “cidade fragmentada”, ou em alternativa, na pródiga “cidade sem modelo”.
Já a urbanidade da “urbano-superficie”, no ensejo de readaptar a “cidade vivida”, é ponderada à luz dos novos “modos de vida”, suportados nos tempos e distâncias de deslocação, nos espaços da hipermobilidade e nos “espaços públicos”, que o poderão não ser (literalmente públicos), sem que tal reconhecimento constitua impedimento ao seu efectivo uso.
Esta nova cidade da contemporaneidade, no plano das políticas urbanas estratégicas, concretiza uma visão integradora e transversal (às “velhas” e às “novas” territorialidades), direccionando a competitividade para níveis supra-locais. Por outro lado, no plano das concepções urbanísticas reinterpreta a dicotomia “cidade contínua” / “cidade fragmentada”, derivando-a para outras considerações, como por exemplo, a “cidade das formas contínuas e das vivências fragmentadas” ou a “cidade das formas fragmentadas e das vivências contínuas”.
A contemporaneidade produz um mosaico urbano onde coexistem a dispersão e a aglomeração, usos variados e especializados, mobilidades polares (em direcção aos “centros”) e mobilidades tangenciais (em direcção a aglomerações mais recentes das “periferias”).
As novas territorialidades geradas constituem elementos fortes na estruturação das "urbano-superfícies", funcionando como indutoras de pontos ou eixos de atracção e aglomeração de funções e de emprego, produtoras de novas e diversificadas polarizações, organizadoras de novas lógicas de mobilidade e sistemas de relações, ora fragmentando, ora fomentando a coesão funcional.
São estas, genericamente, as grandes questões disciplinares hoje suscitadas pelas regiões urbanas emergentes, como a do Porto, que aqui nos servirá de estudo de caso.
A região urbana do Porto, que se tem vindo a formar por entre conurbações sucessivas há 40 anos a esta parte, compreende um amplo território urbanizado, evidenciando um sistema de povoamento disperso, não homogéneo, com concentrações / polarizações diferenciadas. Neste amplo território, que chega a atingir 120 km de norte a sul e 50 km de este a oeste, vivem cerca de 3 milhões de indivíduos, cujas “formas e os modos” de vida fruem por entre as “formas e os modos” das urbes.

Ver mais:
http://rcani.blogspot.pt

28 de janeiro de 2015

«En las ciudades hay costes y problemas, pero también espacios experimentales para encontrar soluciones»

Entrevista a
Ulrich Beck

Espacios Compartidos charla con Ulrich Beck, profesor de Sociología en la London School of Economics y catedrático emérito de la Universidad Ludwig Maximilian de Múnich.

Ver vídeo:
http://www.publicspace.org/es/post/en-las-ciudades-hay-costes-y-problemas-pero-tambien-espacios-experimentales-para-encontrar-soluciones

Espacios Compartidos grabó esta charla con Ulrich Beck en enero de 2013, cuando el sociólogo visitó el Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona (CCCB) para impartir una conferencia titulada «Europa», enmarcada dentro del ciclo «En común». Beck reivindica, en esta entrevista, el papel de las ciudades y el cosmopolitismo.

Para el sociólogo alemán, las ciudades están teniendo más importancia, por un lado, «porque hay costes y problemas, pero al mismo tiempo, también espacios experimentales para encontrar soluciones». Por otra parte, «porque están más cerca del día a día de la gente y son, por lo tanto, un espacio muy importante para la democracia, el cambio climático, las nuevas políticas y las nuevas visiones». Por este motivo, el sociólogo alemán destaca que hay que observar «cómo las ciudades, y no solo los países, se interconectan y pueden generar incluso nuevas visiones políticas». De este modo, cree que veremos reforzada la idea de ciudadanía y su papel en la construcción de un futuro común.

A la vista de su apuesta por una visión del espacio público a nivel global, no es de extrañar, pues, que sus espacios públicos preferidos sean aquellos más cosmopolitas. Concretamente, Bech encuentra interesante observar cómo cambian los espacios públicos encarcelados, como por ejemplo los de los Estados o los de las ciudades, debido a los elementos cosmopolitas con que interaccionan.

Así pues, toma como ejemplo los medios de comunicación que tienen publicaciones en Internet en diferentes idiomas, como el Der Spiegel alemán, El País español o el The Guardian inglés. Estos permiten acceder a discusiones de Alemania desde España y viceversa, aunque no se conozca la lengua del Estado en cuestión; del mismo modo que «permiten que la ciudadanía tenga una oportunidad para verse a sí misma con los ojos de otro».

Para él, pues, la actual presencia de elementos cosmopolitas en el espacio público supone una gran mejora, ya que aporta un trasfondo que puede servir para la construcción de un espacio público común, refuerza la interconectividad del mundo y nos facilita una propia comprensión, así como de las diferentes prácticas de los individuos.

Ver mais:
http://www.publicspace.org/es/post/en-las-ciudades-hay-costes-y-problemas-pero-tambien-espacios-experimentales-para-encontrar-soluciones

Keeping Medellín’s successes in context

Christopher Swope
April 11, 2014

...
Above where we parked, this corner of the neighborhood is too steep for vehicles to reach. Not long ago, the only way up was to climb 350 steps. The escalators make the trip easy and quick. As you ride up a series of escalators, you pass colorfully painted brick homes and a security official at every landing. There was even music playing from a hidden sound system. The soundtrack to my trip back down was “Bohemian Rhapsody” by Queen. For real.

The escalators are one of the highest-profile improvements Medellín has made that send residents of poor areas a powerful message: This city is yours, too. But later in our press tour, while taking in the MetroCable gondola system — another of Medellín’s signature projects — I got a slightly different view of it.

From way up high over the city, I spotted the bright orange roofs of the zig-zagging escalators. They were quite far away, but clearly visible across the sweeping and densely built valley Medellín sits in. It was a sobering view. Because from this vantage point, what you notice about the escalators is how very small this one fabulous project is — and how very huge the problems of poverty and informal neighborhoods are here.

You wouldn’t know it from much of the media coverage of Medellín’s promising urban strategies. Celebratory pictures of the escalators rarely show the vastness of the surrounding areas. It’s a great project, but it’s only helped transform one small area. More than two million people in Medellín don’t have escalators in their neighborhoods.
...

None of this is to say that Medellín’s achievements aren’t real.

Beyond the escalators and gondolas, Medellín has built substantial numbers of libraries, schools, recreation facilities and public plazas across many parts of the city, with the most intensive efforts targeted at the very poorest parts of the city. They’ve created a culture of “social urbanism” here that relies on asking communities what they need and executing promised projects quickly. As Medellín expert Gerard Martin told me, the distinguishing feature of the city’s approach is not the public works so much as a dedication to fighting inequality.

Even at a small scale, projects like the escalators do serve a broader purpose. They fill our heads with ideas of how to think differently about everyday challenges — mobility and inclusion in a hilly city, in this case. Somewhere in the world, a city is surely plotting a hillside elevator project, citing Medellín as its inspiration.
...

Ler artigo completo:
http://www.citiscope.org/medellin/2014/04/11/keeping-medell%C3%ADn’s-successes-context

Ler também:

Medellín made urban escalators famous, but have they had any impact?
By Letty Reimerink
July 24, 2014

Before the escalators went in, the only way up in this part of Comuna 13 was to climb 357 steps.

http://citiscope.org/story/2014/medellin-made-urban-escalators-famous-have-they-had-any-impact

27 de janeiro de 2015

Comment la population des mégalopoles se répartit

COURRIER INTERNATIONAL
INFOGRAPHIE
27 JANVIER 2015

Dans le centre-ville ou en banlieue, dans des tours ou des batiments moins élevés : à Londres, Istanbul ou Bombay, les citadins n'ont pas la même façon d'occuper l'espace.

 
London School of Economics (LSE). Cette datavisualisation a été élaborée par la prestigieuse école londonienne en 2011. L’école a de nouveau utilisé ce concept dans le rapport “Governing urban future”, publié en novembre 2014. Il est le fruit de recherches menées par LSE Cities, centre de recherche qui étudie comment la population et la ville interagissent. Il s’intéresse à l’impact de la forme des villes sur la société, la culture et l’environnement. Cette infographie a été reprise sur le site américain Vox.


Ler o artigo completo:
http://www.courrierinternational.com/article/2015/01/27/comment-la-population-des-megalopoles-se-repartit?utm_campaign=&utm_medium=email&utm_source=Courrier+international+au+quotidien

A outra vida da Rua da Estrada...

Por Álvaro Domingues
Autor de A Rua da Estrada
27 Jan 2015

A Rua da Estrada: apresentação

Da longa história da cidade ficaram algumas coisas sobre as quais estamos todos de acordo: uma organização social; suportes infraestruturais necessários à troca e à relação; edificação; diversidade e mudança. A aglomeração e a proximidade acompanhavam tudo isso enquanto a congestão não desse cabo de tão preciosa intensidade.

Assim é a Rua da Estrada: uma espécie de dispositivo sócio-técnico que possibilita a mobilidade das pessoas, da informação, das mercadorias, da energia…, e que funciona como uma prótese que torna possível a organização da sociedade/território.
Falta só imaginar que a cidade se desconfinou, que galgou muralhas e limites, que colonizou o infinito rizoma do asfalto e de outras redes com ou sem fios, canos, condutas, cabos e outras teias. Por estes infinitos caminhos circulam os humanos e as suas urgências: vão à bola, à fábrica, à farmácia, ao comboio, a remar, à escola, a Aveiro ou a Sarrazola…

Escreveu a Agustina Bessa-Luís no seu Diccionário Imperfeito (Guimarães Editora, 2008) : “A estrada é, acima de tudo, civilidade, tem que ser construída para o uso das pessoas e para efeitos de uma economia. A estrada romana é ainda hoje modelo de mecanismo social. Levava não só os poetas até Brindisi, como as mercadorias aos portos e, mais ainda, a imaginação até aos confins da memória”. É tal qual.

Ler mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/rua-da-estrada-apresentacao

Revista XXI, "Isto é Cidade"

XXI TER OPINIÃO nº4,

"Isto é Cidade"













Índice:

- MAIS PODER PARA AS CIDADES - António José Teixeira
Vivemos num mundo competitivo, muito dado a rankings. As cidades são um dos alvos de múltiplas classificações. A mais frequente responde à pergunta: qual é a melhor cidade do mundo para se...[+]

- PLANEAR SEM RECEITAS - Luís Jorge Bruno Soares
Não há receitas para o planeamento das cidades. Cada país, região ou cidade deverá poder inovar e experimentar fórmulas. A rigidez conduz normalmente a maus resultados. A progressiva...[+]

- O FACTOR HUMANO - António Mega Ferreira
Em 2008, segundo as Nações Unidas, o número de habitantes das cidades ultrapassou, pela primeira vez, os 50% da população mundial, atingindo cerca de 3,3 mil milhões de pessoas. Mais: de...[+]

- ÁLVARO SIZA - João Morgado Fernandes
“Sou tentado a pensar que a arquitectura morreu” O futuro das casas, das cidades, da arquitectura. Uma conversa com Álvaro Siza, um dos mais prestigiados arquitectos a nível mundial. Entre o...[+]

- CIDADE ESPONJA - Álvaro Domingues
Por excesso de mitologia e ficção, a ideia de cidade transformou-se num conceito-esponja, impreciso e caótico. Na biologia molecular chamar-se-iam paisagens transgénicas e estaria a coisa...[+]

- COSME VELHO, MONTEMOR-O-NOVO - Alexandra Lucas Coelho
No Alentejo, tudo parece virar-nos para dentro. É uma terra de silêncios. No Rio de Janeiro, tudo nos vira para fora. É uma cidade de ar livre e de festa. Duas experiências de vida na primeira...[+]

- O ÚLTIMO PALMO DE LISBOA - Ana Sofia Fonseca, Clara Azevedo
No limite norte da cidade de Lisboa, nas duas margens da auto-estrada que é o Eixo Norte-Sul, há ovelhas que pastam entre a zona histórica e os bairros de realojamento, paredes meias com os...[+]

- PERDIDO A CAMINHO DE TÓQUIO - André Carrilho, Ricardo Adolfo
Para quem gosta de se perder, de sentir que o fim do mundo pode estar a acontecer à sua volta, sem saber, Tóquio é uma das metrópoles mais apelativas do planeta. Mudei-me para Tóquio há...[+]

- SÃO PAULO, A CIDADE IMPOSSÍVEL - André Carrilho, Ricardo Carvalho
Em São Paulo não se pode esconder nada, na sucessão caleidoscópica de fragmentos, com os seus desajustes e fracturas. É uma cidade que cria dependência, com a sua energia...[+]

- AS REDES DA ALDEIA URBANA - Luís M. A. Bettencourt
O tipo de redes sociais que estabelecemos nas grandes cidades não é muito diferente daquele que ocorre nos meios rurais. Mas há aspectos sociais e económicos inquietantes típicos dos meios...[+]

- A CIDADE E AS REDES - Gustavo Cardoso
A massificação da comunicação digital trouxe novas oportunidades, mas igualmente novos desafios à preservação da liberdade e da individualidade. O título pode fazer lembrar o de A...[+]

- CENTRALIDADE E FRAGMENTAÇÃO - Vítor Matias Ferreira
Espaços de concentração por excelência, de pessoas, economia ou cultura, as cidades tornaram-se igualmente palco de diversidade, contradição e mesmo conflito. A urbanização à escala...[+]

- CIDADE IMAGINADA - FORSTUDIO
Que cidades vamos ter daqui a duas, três, quatro décadas? Os jovens arquitectos do atelier Forstudio aceitaram o desafio de escolher os modelos que vale a pena preservar e...[+]

- JORGE SAMPAIO - António José Teixeira
Ter sido presidente da Câmara de Lisboa (1989-1995) marcou-o fortemente. Mesmo depois de 10 anos como Presidente da República, continuou a interessar-se pelo poder local, mas a outra escala. Foi...[+]

- ESPAÇO, REPRESENTAÇÃO, DEMOCRACIA - Mónica Brito Vieira
As redes sociais e os movimentos anticrise vieram pôr em xeque as formas tradicionais de expressão popular e de utilização do espaço público. Num dos principais corredores do Departamento...[+]

- DESAFIO DE GERAÇÕES - Maria do Rosário Carneiro
As políticas de apoio à natalidade têm sido inconsistentes em Portugal. Os incentivos, por pequenos que sejam, necessitam de consensos e de estabilidade de longo prazo. Nos últimos quatro...[+]

- URBANIZAÇÃO: CONTRACEPTIVO À FECUNDIDADE? - Maria João Valente Rosa
O debate sobre a natalidade é essencialmente ideológico. à escala global, não há um problema de fecundidade. Nos países mais ricos, a diminuição dos nascimentos veio a par com o...[+]

- PROIBIDO ENVELHECER - Alexandre Quintanilha
O envelhecimento populacional é um facto à escala mundial, mas a sociedade ainda olha para os mais velhos como um fardo. Suspeito que, apesar de não nos lembrarmos da letra, o título e a...[+]

- EXIGÊNCIAS PARA O SUCESSO NO TURISMO - Sérgio Palma Brito
As cidades competem cada vez mais entre si para atrair milhões de turistas. A oferta de turismo de Lisboa tem modernidade, mas é a urbe histórica que a diferencia. Manter a sua identidade é...[+]

- INOVAR E DIFERENCIAR - Augusto Mateus
As cidades, o turismo e a cultura são instrumentos poderosos e fundamentais para a criação de um novo paradigma de crescimento económico centrado no valor. As reflexões que se seguem...[+]

- 10 TENDÊNCIAS QUE MUDARAM A CIDADE - Ana Dias Ferreira
10 tendências que mudaram a cidade. Os negócios andam sobre rodas, o velho torna-se novo e os jardins servem para tudo, seja para correr ou usar o wi-fi. O que está a mudar nas grandes cidades?...[+]

- A BASE AMERICANA DENTRO DA CIDADE - Mário Mesquita
A instalação de uma base naval americana levou à Ponta Delgada de 1918 um perfume do Novo Mundo. Correram rumores sobre planos separatistas. A história contada através dos jornais da...[+]

- 6 IDEIAS PARA A CIDADE - Vários Rui Costa, Jorge Graça Costa, Lídia Jorge, Gisela João, José Avillez e Francisco Seixas da Costa
A cidade ideal? Tantas cidades, tantos bairros, jardins, ruas, casas... Seis personalidades de diversas áreas falam-nos das suas experiências e utopias. Tenho uma paixão especial pelos...[+]


Ver mais:
http://ffms.pt/xxi-ter-opiniao/2015/4

26 de janeiro de 2015

"Isto é cidade"

Luís Valente Rosa
10:15 Segunda feira, 26 de Janeiro de 2015

Cidade rima com liberdade

A revista XXI, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, editou um novo número, desta vez sobre as cidades, chamado "Isto é cidade". Escreveram muitos ilustres e eu também quero dizer de minha justiça. Apesar de o António Mega Ferreira terminar a revista (último artigo) com a sua habitual mão de mestre.

Começo por explicar que penso existir uma diferença conceptual entre "cidade" e "meio urbano". Como existe entre "campo" e "meio rural". A cidade e o campo são espaços físicos. Os meios rural e urbano são organizações sociais que lá existem. Ora, quando opomos cidade e campo, este sai beneficiado. Por via de um idílio de ar puro e chilrear de passarinhos. Quando opomos meio urbano e meio rural, este sai devastado. Por via de ninguém querer ir viver para lá. Assim, vou começar por me referir ao meio urbano, e só depois farei alusão à cidade.

Os meios urbanos exerceram, e continuam a exercer, um poder de atracção intenso sobre os homens. E imagino que um pensador filósofo, sociólogo ou antropólogo (não sei qual deles sou mais) identifique quatro razões de base.

1. A derrota do controlo social: os indivíduos, sobretudo as mulheres, perdem a subordinação aos "pequenos deuses caseiros", como cantava o J. J. Letria há 40 anos. Tal deve-se, em grande parte, à existência de um mercado de trabalho.
2. A vitória do anonimato: não só a pessoa não tem de prestar contas a ninguém, como pode andar por onde quer, vestida como quer, que ninguém a conhece ou comenta a sua vida (de novo, maior vantagem para as mulheres).
3. A vitória da mobilidade social. No meio rural, quem nasce pobre será pobre toda a vida. Destino mais severo para os homens, pois as mulheres, se forem belas, ainda podem arranjar um casamentozinho salvador. O meio urbano traz consigo um conteúdo de "sonho americano", impensável no meio rural
4. O aparecimento da possibilidade de escolha, e não só nos supermercados. De uma escolha cultural também. O que nos conduz rapidamente ao desejo de algo novo, à ideia de vanguarda, de "estar à frente", de inovação, de derrota da estagnação associada ao meio rural.

Como se pode observar, estes factores interligam-se à volta de um conceito unificador, que é a liberdade. Liberdade em relação aos ricos e poderosos da sociedade tradicional, em relação à família e, no caso das mulheres, em relação aos maridos também. Eu sei que nem sempre é assim, mas pode ser assim.

É esta uma liberdade, diria, real. Mas receio que exista uma outra, ainda mais forte, sobretudo quando a primeira se aproxima do adquirido. Estou a falar de uma liberdade imaginada, irreal. Se a anterior é concreta (diz respeito a comportamentos específicos que se podem, ou não, ter), esta é abstracta. Alguns chamam-lhe sonho, mas acho esse conceito muito perigoso. Refiro-me à ideia de procura de um caminho próprio. De um indivíduo encontrar-se a si mesmo, descobrir-se, conseguir a sua realização pessoal. De certa forma, a descoberta da individualidade e a convicção que se adquire de podermos ser quem queremos ser. De criarmos uma obra pessoal, original, mais além. Não é por acaso que os artistas sentem uma necessidade imperiosa de viver na cidade. No fundo, o meio rural é um expoente de essencialismo: as pessoas têm o destino traçado à nascença, ou seja, antes de um indivíduo nascer - e se não acontecer qualquer coisa de absolutamente extraordinário - já sabemos que tipo de pessoa será: rico ou pobre, destinado a uma actividade prestigiante ou servil, instruído ou pouco instruído, etc.. Em contrapartida, o existencialismo é provável no meio urbano. Ou seja, os indivíduos encontram aqui a possibilidade de poderem ser os senhores do seu destino e não os meros produtos de uma condenação de gerações.

Muito bem, ninguém quer viver no meio rural. Mas muitos têm a nostalgia do campo. Por isso, penso que um desafio de futuro seria o de conseguir que se criassem "campos" com uma mentalidade social urbana. Com as novas tecnologias e a rapidez dos transportes, não me parece impossível. As cidades talvez ficassem a perder. Mas a distribuição das pessoas no espaço melhoraria. Agora, há uma coisa que eu sei: isso será impossível enquanto os nossos responsáveis políticos não abandonarem as ideias primárias que vejo defender. A primeira é explicar o êxodo rural pelas questões económicas (se não identificarmos o problema não encontraremos a solução). A segunda é pensar que alguma vez poderemos voltar ao campo se este mantiver as suas "especificidades", "as suas características sociais e culturais" e enormidades semelhantes.

Frase para reflexão: "gostava de estar no campo para poder gostar de estar na cidade" (F. Pessoa).

Ler mais:
http://visao.sapo.pt/isto-e-cidade=f808304

Exposição: O PROCESSO SAAL: ARQUITETURA E PARTICIPAÇÃO, 1974-1976

Imagem:
Artur Rosa, SAAL, 1976, pormenor de instalação, dimensões variáveis, coleção do artista, Cortesia do artista





Quando:
DE 31 OUT 2014 A 01 FEV 2015

Comissariado:
Delfim Sardo

Produção:
Fundação de Serralves

Exposição dedicada ao SAAL – Serviço Ambulatório de Apoio Local, programa arquitetónico que marcou o Portugal do pós 25 de Abril (foi iniciado em Agosto de 1974 e durou até Outubro de 1976) e que tentou, segundo um processo participativo, envolver arquitetos e populações carenciadas.
Esta foi uma aventura coletiva arrojada, que transformou a perceção de muitos arquitetos em relação à função social da sua profissão.
Coincidindo com a comemoração dos 40 anos da revolução dos cravos, esta mostra apresentará uma seleção de aproximadamente 10 projetos, com especial enfoque no Porto, em Lisboa e no Algarve, através de maquetas, documentários, filmes e testemunhos áudio. A exposição incluirá, também, obras de artistas portugueses que estiveram próximos das movimentações neste período, muitos dos quais estão representados na Coleção de Serralves ou que incorporaram no seu trabalho desta altura questões declaradamente políticas.
Obras recentes de fotógrafos contemporâneos apresentarão uma nova abordagem a este momento visionário da história recente de Portugal.

Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL)
O programa SAAL foi iniciado em agosto de 1974 e extinto em outubro de 1976. Constituindo, na sua essência, a cultura arquitetónica da Revolução de 1974, o SAAL procurou resolver problemas habitacionais candentes de populações muito carenciadas numa estratégia orgânica e participada. As suas consequências para o pensamento sobre a cidade e, sobretudo, para uma visão da arquitetura como processo ativo de produção de cidadania foram marcantes, não só no contexto das rápidas transformações do Portugal dos anos 1970, mas também como momento de afirmação da arquitetura portuguesa no panorama internacional.
No entanto, podemos ainda entender o SAAL de uma forma mais abrangente: como um momento de equacionamento da cidade e das suas estratégias habitacionais e de solo; como uma possibilidade de desenvolvimento, a um tempo desburocratizado e descentralizado, mas também oriundo de uma estratégia que privilegiou o financiamento à construção através dos seus promotores e mediante projetos – numa estrutura que deveria ter constituído matéria para uma séria reflexão posterior.
Em termos teóricos, o SAAL foi também um momento de questionamento do modernismo planificador, uma centelha de abertura relativamente ao problema da relação entre a funcionalidade, a urgência e a maturação de questões arquitetónicas que se vinham a desenhar em Portugal desde a década de 1950 e que aqui conheceram o seu momento experimental.





Ver mais:
http://www.serralves.pt/pt/actividades/simposio-saal-em-retroprospetiva/#tabs1-html
http://www.serralves.pt/pt/actividades/o-processo-saal-arquitetura-e-participacao-1974-1976/?menu=249#sthash.h69xzskK.dpuf

25 de janeiro de 2015

GOT - Revista de Geografia e Ordenamento do Território | Publicação do n.º 6

Disponível o sexto número da GOT - revista de Geografia e Ordenamento do Território.
(Dezembro de 2014)

Ler revista:
http://cegot.org/ojs/index.php/GOT/issue/current

22 de janeiro de 2015

"Isto é Cidade" - Lançamento da 4ª edição da Revista XXI

XXI Ter Opinião nº4, Isto é Cidade

Quando:
22 Janeiro 2015 | 18h30

Onde:
Mercado da Ribeira, Av. 24 Julho nº 49, 1200-481 Lisboa

António Costa e Rui Moreira, presidentes da Câmaras Municipais de Lisboa e Porto vão debater questões relacionadas com as cidades, desde o urbanismo, novas tendências aos desafios das grandes metrópoles.
Com moderação de António José Teixeira.



Ver mais:
http://www.ffms.pt/agenda

24 de novembro de 2014

JOHN URRY Y EL FIN DE LA CULTURA DEL COCHE

En un futuro distópico, el protagonista de la saga cinematográfica Mad Max vive en un mundo donde la escasez de recursos energéticos ha provocado un colapso y es la base de continuos enfrentamientos entre regiones y comunidades. El mundo que se presenta en esta serie de películas podría ser uno de los futuros posibles, quizás el más pesimista, que el sociólogo John Urry plantea en sus análisis sobre las transformaciones en el siglo XXI de una sociedad que en la última centuria se ha construido alrededor de las energías fósiles y el transporte en automóvil. Porque según John Urry, el coche en el siglo XX, no ha sido solo un fenómeno cultural sino un elemento central que ha articulado nuestra forma de vida. Sin coche, las ciudades tendrían otro mapa, otros ritmos de vida, de trabajo y el ocio sería diferente, y nuestra propia manera de concebir el individuo y su autonomía sería también otra.

Aún así, para John Urry este modelo de vida y de sociedad se encuentra en su punto y final. En las próximas décadas esta “cultura del coche” cambiará forzosamente de arriba hacia abajo y, en función de cómo la sociedad decida enfrentarse a este reto, el mundo de nuestros nietos podrá ser muy diferente. Las razones de Urry para augurar este final del coche, tal y como lo entendemos hoy, son: en primer lugar, la certeza científica de que las reservas de recursos combustibles fósiles se están acabando (y tenemos que pensar que un 98% del transporte mundial depende de ello); en segundo lugar, el impacto medioambiental del uso de estas energías sobre nuestra salud y la del planeta; y finalmente, el crecimiento de la población mundial, que hace insostenible un crecimiento proporcional del mercado automovilístico.

De hecho, esta última cuestión seguramente es la pieza fundamental de su análisis. El crecimiento de la población mundial no es un reto por si mismo sino, sobre todo, por el hecho de que todos los pronósticos sostienen que este crecimiento se producirá de manera exponencial en las ciudades. Se calcula que en el año 2050, el 70% de la población mundial vivirá en grandes ciudades y las megalópolis, aquellas ciudades con más de 10 millones de habitantes, se multiplicarán. Es decir, el futuro de nuestro planeta es un futuro urbano; y eso hace que el actual modelo social centrado en la cultura del coche tenga fecha de caducidad. Especialmente, porque hoy las ciudades ya son responsables de tres cuartas partes del consumo energético y generan tres cuartas partes de la contaminación mundial. De cómo se resuelva el crecimiento urbano de las próximas décadas depende nuestro futuro más inmediato.

Plantear una vida urbana con una calidad de vida y justicia social para todos sus habitantes pasa, por lo tanto, por repensar no solo como nos desplazamos, sino también las nociones de individualidad y de autonomía, de ocio, de vivienda y de trabajo. Las implicaciones de esta nueva forma de pensar tendrán un gran impacto en el diseño mismo de las ciudades y en la forma de vivir en ellas, y lo más probable es que es los grandes avances en el campo de las tecnologías de la información tengan un papel clave en estos nuevos modelos urbanos.

De este modo, en algún momento, la imagen tan propia del siglo XX de un hombre cogiendo el coche en un barrio suburbial para dirigirse a trabajar al centro de la ciudad no será nada más que eso: una imagen del pasado. Además, si no somos capaces de hacer esta transición de la cultura del coche y nos aferramos hasta el último momento, quizás el futuro que nos espera en unas décadas no sea muy diferente a la distopia de Mad Max.

Conferencia de John Urry el 24 de noviembre en el CCCB

Ver mais:
http://blogs.cccb.org/veus/debats/john-urry-i-la-fi-de-la-cultura-del-cotxe/?lang=es#sthash.8WTeEamY.dpuf

14 de novembro de 2014

COLÓQUIO INTERNACIONAL 74 14 SAAL # ARQUITECTURA

Quando:
14, 15 e 16 de novembro de 2014

Onde:
Universidade de Coimbra

Quem organiza:
O Centro de Estudos Sociais, em parceria com a Fundação de Serralves.



O protocolo com a Fundação de Serralves realiza-se no âmbito da exposição O PROCESSO SAAL: ARQUITETURA E PARTICIPAÇÃO, 1974-1976, patente no Museu de Serralves,de 31 outubro 2014 a 01 fevereiro 2015 e do SIMPÓSIO SAAL: EM RETROPROSPECTIVA (Auditório da Fundação de Serralves, 10 de maio de 2014).

O objetivo do do colóquio é debater o SAAL, Serviço de Apoio Ambulatório Local, enquanto modelo histórico, à luz da circunstância contemporânea. O SAAL serve, ainda hoje, para questionar e debater os temas e desafios que nos põem a questão da habitação, bem como a sua relação de proximidade com a arquitetura.

Em 1974-76, o SAAL surgiu como um serviço descentralizado e desburocratizado, inserindo-se nos processos complexos da relação tripartida entre o Estado, os moradores pobres e os arquitetos. E produziu habitações. E produziu reflexão séria e consciente sobre a cidade e os seus processos de planeamento. E produziu arquitetura.

Os colóquios propõem-se reflectir e debater sobre as possibilidades contemporâneas de recurso aos ensinamentos contidos nesse processo histórico, redefinindo os contornos contextuais da atualidade e observar todos os condicionalismos das diferenças. Desdobrará essa reflexão sobre quatro planos convergentes e indissociáveis esperando que a ampliação de pontos de vista contidos em cada um desses desdobramentos contribua para uma síntese mais completa.

74 14 SAAL ARQUITECTURA # PORTUGUESA
A importância do SAAL para o devir, e para o momento contemporâneo, da arquitetura portuguesa. De facto, a produção arquitetónica em Portugal internacionaliza-se com o SAAL, chegando mesmo, em momentos específicos, a hegemonizar as atenções da crítica europeia. No entanto, não deixou nunca de ter uma importância relativa, e residual, no contexto político-administrativo da governação local.

74 14 SAAL ARQUITECTURA # AUTÓNOMA
Outra das secções incidirá sobre a complexa teia de relações e de interdependências entre a arquitetura e a encomenda, no caso mais relevante, entre arquitetura e poder. Dada a sua complexa e imbricada interacção entre pólos — comitente, arquiteto, utilizador — o SAAL é um ótimo pretexto para reflectir sobre a subsistência de uma ideia autonómica para a arquitetura em face de preponderância extrema de qualquer desses pólos.

74 14 SAAL ARQUITECTURA # INCLUSIVA
A terceira das secções refletirá sobre o modo como o SAAL veio a incidir nas possibilidades de enraizamento social da ideia de habitação em meio urbano, sobre o direito à cidade. O processo do movimento de moradores nos anos 1970 em Portugal, particularmente o que envolveu o processo SAAL, correspondeu a um momento histórico riquíssimo na construção de uma ideia de cidade mais inclusiva, a partir do envolvimento dos habitantes mais pobres, por um lado, e do acesso dessas comunidades à edificação da sua própria ideia de cidade, por outro. Como se podem estabelecer paralelos com a realidade global contemporânea?

74 14 SAAL ARQUITECTURA # TRANSRELACIONAL
Por fim, há a considerar o significado acrescido que o SAAL veio trazer à amplitude das interacções disciplinares que, desde sempre, animaram as tensões metodológicas das práticas arquitectónicas. Hoje, mais do que nunca, há que reflectir sobre essas tensões históricas.

Atividade no âmbito do Núcleo de Estudos sobre Cidades, Cultura e Arquitectura (CCArq)

Ver mais:
http://www.ces.uc.pt/eventos/saal/index.php?id=9686&id_lingua=1&pag=9687

7 de novembro de 2014

Ordenar a Cidade - Newsletter 12


http://www.ordenaracidade.pt/


Newsletter 12 | 07 de Novembro de 2014

Caríssimos,

Temos o prazer de vos convidar para dois seminários que coorganizamos com a APPLA e o Mestrado PRU-UA no presente mês de Novembro na Universidade de Aveiro:

Dia 20 pelas 14h, Luís Jorge Bruno Soares apresentará o projeto de remodelação do Terreiro do Paço e do Cais do Sodré, assim como o Plano Geral de Espaço Público da Frente Tejo;

Dia 22 pelas 10h, Fernanda Paula Oliveira e Jorge Carvalho discutirão a nova legislação urbanística.

Anunciamos também um novo artigo no nosso repositório, onde Jorge Carvalho analisa as causas para a ineficácia do Planeamento Municipal e propõe possíveis soluções para o futuro.

6 de novembro de 2014

Mais-valias originadas pelo Ordenamento do Território e “justa indemnização” por Expropriação

Jorge Carvalho
IGAP, Porto, 9/2014

Apresentação em formação promovida pela IGAP sobre o tema “Que Código de Expropriações?”, em momento onde é conhecido projecto para a sua revisão.

A apresentação segue o seguinte percurso:

- Equaciona a problemática e os desafios com que se confronta o ordenamento do território no que respeita à formação e distribuição de mais-valias fundiárias.

- Identifica e avalia, numa perspetiva de ordenamento do território, toda a normativa da recente Lei de Bases que se relaciona com esta problemática:
Classificação do solo;
Afetação de mais-valias;
Avaliação (pública) do solo;
Deveres de utilização do solo;
Fiscalidade imobiliária.

- Demonstra que a orientação da Lei de Bases elege a Expropriação (e o valor da respetiva indemnização) como peça chave do processo de execução urbanística.

- Analisa o Projeto de Código de Expropriações, concluindo que: é totalmente desconforme com a Lei de Bases; a ser assim publicado impossibilitaria um eficaz ordenamento do território.


Ver apresentação:
http://ordenaracidade.pt/site-jcarvalho/assets/files/2432/2014_cexp_maisvalias.pdf

Le téléphérique, une bonne alternative à la voiture

URBANISME

Après Dubaï et Londres, les métropoles du Sud s’équipent de téléphériques. Sur fond d’urbanisation galopante, le transport câblé présente de multiples avantages.

NEW STATESMAN
JESSICA HATCHER
5 NOVEMBRE 2014

De Nairobi.

Ici, les automobilistes passent plusieurs heures par jour dans leur voiture. Un simple trajet de 10 kilomètres pour aller au travail peut prendre jusqu’à deux heures. Je connais quelqu’un qui, lorsqu’il est bloqué dans les embouteillages, en profite pour se couper les ongles des pieds. Le vice-gouverneur de la capitale kényane estime que les embouteillages coûtent presque 600 000 dollars [473 000 euros] par jour au pays.

Le même phénomène se retrouve dans presque toutes les villes en expansion des pays en voie de développement : la construction est en plein boom, la population augmente, mais les réseaux de transport ont du mal à suivre. Nous connaissons actuellement la croissance urbaine la plus rapide de l’Histoire. Plus de la moitié de la population mondiale vit dans des villes, et cette proportion ne cesse d’augmenter. Selon les estimations du Fonds des Nations unies pour la population, la plus forte hausse aura lieu en Asie et en Afrique, principalement dans les petites villes et les agglomérations qui ont peu de ressources pour s’adapter aux changements.

Elles n’auront pas de place pour un réseau routier et ferroviaire terrestre de grande taille, et pas d’argent pour construire des voies ferrées souterraines. Considérez maintenant les téléphériques, ces symboles de l’opulence alpine, et imaginez-les s’élevant au-dessus d’une ville comme Nairobi ou Johannesburg. Ils pourraient servir non seulement aux touristes, mais à tout le monde, des banquiers aux femmes de ménage, en passant par les jardiniers et les chômeurs des taudis qui s’aventurent dans les quartiers riches.

Dix fois moins cher que le métro

Le plus grand constructeur de ces engins au monde, l’entreprise autrichienne Doppelmayr, pourrait bientôt révolutionner le transport dans les villes des pays en développement. Selon son directeur du marketing, Ekkehard Assmann, l’idée des téléphériques urbains a fait beaucoup de chemin au cours des sept dernières années. “Beaucoup de grandes métropoles pensent sérieusement à les utiliser pour résoudre leurs problèmes de circulation”, affirme-t-il. Après le succès du transport par câble à Caracas, Rio de Janeiro et Medellín, presque toutes les grandes métropoles d’Amérique du Sud ont ainsi exprimé leur intérêt pour ce système, poursuit-il. En Afrique subsaharienne, l’installation d’un téléphérique à Lagos, au Nigeria, est presque terminée.

Une étude de faisabilité est en cours à Kampala, en Ouganda, et la Banque mondiale a approuvé un emprunt de 175 millions de dollars [138 millions d’euros] pour financer le projet. Caracas, la capitale du Venezuela, a construit son premier téléphérique en 1952. Quatre ans plus tard, Alger, la capitale de l’Algérie, en faisait autant. L’Algérie est aujourd’hui considérée comme un leader mondial dans le domaine du transport urbain par câble : quatre grandes villes du pays sont équipées de ce système, et le réseau d’Alger compte déjà quatre lignes. Les arguments économiques en faveur des téléphériques urbains sont incontestables. Ils peuvent transporter 5 000 passagers à l’heure dans chaque sens, moins que les rames de métro, qui peuvent prendre en charge plus de 20 000 passagers à l’heure, mais qui coûtent dix fois plus cher.

15 centimes d'euros par trajet

S’ils sont correctement utilisés, ils consomment moins d’énergie que la plupart des systèmes de transport, parce que les moteurs tournent à une vitesse constante. Les coûts d’installation sont également plus bas. Ce moyen de transport peut être bon marché pour les usagers, et les dépenses d’investissement peuvent être rapidement remboursées. A Constantine, en Algérie, un téléphérique a transporté 4,5 millions de passagers la première année [en 2008], pour 15 centimes d’euro par trajet. Même à ce tarif, les frais de fonctionnement et de maintenance étaient couverts.

Cerise sur le gâteau, les téléphériques sont un mode de déplacement attrayant. Faith Kangai Njeru est vendeuse de vêtements d’occasion, femme de ménage et mère de deux enfants. Elle vit à Nairobi et passe au minimum deux heures par jour dans les transports. A cause de cela, elle a elle-même dû engager une femme de ménage et une nounou, alors qu’elle ne gagne que 5,40 euros par jour. Je lui ai montré une vidéo sur les téléphériques dans les Alpes.

Faith, qui n’a jamais vu de neige ailleurs qu’à la télévision, a regardé attentivement les images. Puis je lui ai montré une autre vidéo sur Tlemcen, en Algérie, où les téléphériques pendent comme des décorations en verre bleu au-dessus des rues. Elle s’est calée dans son fauteuil en souriant. Je lui ai demandé combien elle payait pour ses trajets en autobus et lui ai exposé les arguments en faveur des téléphériques, mais les questions d’argent étaient visiblement passées au second plan. “Ça a l’air amusant !” s’est-elle exclamée, mettant fin à la discussion.

Ler artigo completo:
http://www.courrierinternational.com/article/2014/10/30/transport-la-ville-ne-tient-qu-a-un-fil?page=all

4 de novembro de 2014

SERÁ QUE PRECISAMOS DA PARTICIPAÇÃO DOS ACTORES NO PLANEAMENTO DO TERRITÓRIO?








Encontro Anual da AD URBEM 2014

“A política de ordenamento do território e urbanismo e a nova arquitectura da nossa administração territorial”

PAINEL 1 | A POLÍTICA DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E URBANISMO

Resumo da comunicação de:
José Carlos Mota
Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, Universidade de Aveiro

A temática da participação em questões de interesse colectivo e relacionada com o planeamento do território tem sido uma matéria com crescente interesse na agenda política, cívica e mediática, sobretudo pelo contexto de crescente descontentamento e desencanto com o exercício da democracia.
Acontece que a prática revela que, em processos de participação, muitos dos objectivos bondosos não são tidos em conta ou não são convenientemente considerados, gerando situações de ampla crítica. A revisão da literatura e análise de um conjunto de casos de estudo permitiu identificar um conjunto de críticas à participação dos actores em planeamento do território, estes entendidos como conjuntos de indivíduos com um número significativo de características comuns (interesses/motivações e meios), que desempenham um qualquer papel num determinado palco, influenciando ou sendo influenciado por outros actores e que podem possuir um projecto colectivo.
A primeira tem a ver com a natureza complexa dos problemas - os “wicked problems” referidos por Rittel (1973) - a que o planeamento do território tem de responder, o que gera, normalmente, situações de conflito, distanciamento dos actores menos habilitados e dificuldades de entendimento e implementação.
Para além disso, as críticas centram-se também na importância concedida ao aparato participativo, fortemente mediatizado, criando muitas vezes uma ilusão de elevada democraticidade, frequentemente sem o adequado apetrechamento de conhecimento técnico e científico sobre o objecto em discussão.
A forma como os diferentes actores controlam o palco da participação e os seus resultados pode conduzir a processos pouco transparentes que induzam a manipulação dos interesses dos actores mais fracos e a legitimação dos interesses dominantes, muitas vezes apresentados em nome do «interesse colectivo». Esta circunstância ocorre não só pelo desempenho dos actores com mais meios e motivações, mas também pela incapacidade do promotor do planeamento do território em coordenador o processo participativo, em atender aos actores em presença, em preparar e adequar os conteúdos em discussão ao contexto onde se insere e em apoiar os actores com mais dificuldades de acesso aos diferentes palcos participativos (Day, 1997).
O momento e o método usados para promover a participação também têm levantado muitas dúvidas, pelo facto de ocorrerem, muitas vezes, de forma burocrática, pontual e fragmentada, ou por serem desenvolvidos em formato top-down, com enfoque temporal nas fases finais dos processos, quando as principais decisões e seu quadro de suporte estão já definidos, por isso com limitado impacto potencial nas decisões.
Por último, são referenciados os elevados custos do processo (tempo, dinheiro e políticos), muitas vezes associados a processos mal conduzidos (Day, 1997 e Irvin & Strasburry, 2004), e a falta de avaliação dos resultados da participação (Agger, 2008: 154) e dos impactos que geram no exercício de planeamento.
Perante este conjunto de críticas, coloca-se a questão da pertinência e necessidade de considerar a participação em planeamento do território, sobretudo no quadro dos desafios que se colocam hoje à sociedade contemporânea. O presente artigo, realizado com base em investigação produzida recentemente no âmbito da tese doutoral «Planeamento do Território: Método, Actores e Participação» (Mota, 2014), irá defender a necessidade de equacionar a participação numa diferente abordagem metodológica de planeamento, num novo conjunto objectivos e de actores a envolver.
A participação deverá assim procurar contribuir para aumentar a democraticidade do planeamento do território induzindo um aumento de transparência, uma maior abertura à participação de todos os actores interessados e o acesso público aos seus conteúdos, metodologia e resultados. Esta abertura pode promover uma maior responsabilização de todos os actores envolvidos pela condução e produtos obtidos, tornando o exercício mais justo e menos vulnerável aos actores mais poderosos. Com esta prática, o promotor é incentivado a prestar contas pelas opções tomadas, reforçando com isso a sua legitimidade.
Para além disso, a participação poderá, também, contribuir para aumentar a capacitação dos actores, ao procurar organizar-se um conjunto de iniciativas que os dote com mais conhecimento sobre o objecto de planeamento, o seu contexto, a realidade dos restantes actores na sua diversidade de motivações e meios. Poderá, assim, ser mais fácil gerar uma melhor percepção das questões que determinam o interesse colectivo, conseguindo minimizar a relevância e destaque dos interesses particulares e perceber melhor a necessidade de equilibrar os vários interesses em presença. Esta melhor partilha e compreensão poderá ajudar a criar um contexto de maior resiliência face às dificuldades que favoreça, potencie e mobilize a acção colectiva.
Por último, a participação tenderá a contribuir para aumentar a eficácia do planeamento do território, se isso se traduzir numa maior valorização, mobilização e alinhamento dos meios e motivações dos actores em torno dos objectivos colectivos, assegurando um melhor conhecimento pelos actores do objecto de planeamento, conseguindo identificar-se recursos e actores que até à data não eram conhecidos ou devidamente valorizados, permitindo perspectivar a sua utilização e criar compromissos que viabilizem a acção em torno do interesse colectivo.

(*) abstract resulta da investigação produzida na tese de 
     doutoramento
     «Planeamento do Território: Método, Actores e Participação»
     orientada pelo Prof. Doutor Jorge Carvalho

Ver:
http://www.adurbem.pt/images/stories/ficheiros/Encontro_2014/resumos_encontro_2014_ad_urbem.pdf

22 de outubro de 2014

Ordenar a Cidade - Newsletter 11


http://www.ordenaracidade.pt/


Newsletter 11 | 22 de Outubro de 2014

Caríssimos,

Temos o prazer de vos anunciar a organização de:

- seminário final do projeto europeu SITE (Smart Integrated Ticketing for Europe) no próximo dia 29 de Outubro. José Carlos Mota, Frederico Moura e Sá e Gil Ribeiro participam no encontro, que terá lugar em Aveiro;
- paralelamente, nos dias 28 e 29, poderão visitar uma exposição sobre Sistemas de Bicicletas Partilhadas, também em Aveiro. A iniciativa é da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro.


Registam-se ainda as seguintes apresentações públicas recentes ou a ter lugar proximamente:
- José Carlos Mota falou sobre Cidades, participação e futuro em Mangualde em Setembro passado e em Viseu no passado dia 17, para tentar responder à pergunta como planear cidades saudáveis que não sejam só no papel ou no discurso?;
- Dulce Lopes participou no passado dia 7 no ciclo de conferências da RSA/Coimbra Editores, com uma apresentação sobre A operatividade dos instrumentos de reabilitação urbana. Este será igualmente o tema da sua participação num evento promovido pela Vida Imobiliária e a CM de Braga no próximo dia 25, em Braga.


E, enfim, a introdução de quatro novos textos no nosso repositório sobre:
unidades de execução;
o ordenamento da ocupação dispersa;
a Lei de Bases;
mais-valias e indemnizações por expropriação.

4 de outubro de 2014

Habitat III - Third United Nations Conference on Housing and Sustainable Urban Development

Habitat III is the United Nations Conference on Housing and Sustainable Urban Development to take place in 2016. In resolution 66/207 and in line with the bi-decennial cycle (1976, 1996 and 2016), the United Nations General Assembly decided to convene, the Habitat III Conference to reinvigorate the global commitment to sustainable urbanization, to focus on the implementation of a “New Urban Agenda”, building on the Habitat Agenda of Istanbul in 1996.

Member States of the GA, in resolution 67/216, decided that the objective of the Conference are to secure renewed political commitment for sustainable urban development, assess accomplishments to date, address poverty and identify and address new and emerging challenges. The conference will result in a concise, focused, forward-looking and action-oriented outcome document.

The Conference welcomes the participation and contributions of all Member States and relevant stakeholders, including parliamentarians, civil society organizations, regional and local government and municipality representatives, professionals and researchers, academia, foundations, women and youth groups, trade unions, and the private sector, as well as organizations of the United Nations system and intergovernmental organizations.

Habitat III will be the first UN global summit after the adoption of the Post-2015 Sustainable Development Agenda and, hopefully, a new climate change agreement. It offers a unique opportunity to discuss the important challenge of how cities, towns and villages are planned and managed, in order to fulfill their role as drivers of sustainable development, and hence shape the implementation of new global development and climate change goals.

Ver mais:
http://unhabitat.org/habitat-iii/

AESOP Discussion on the New Urban Agenda

Habitat III, the Third United Nations Conference on Housing and Sustainable Urban Development, will take place in 2016, and UN-Habitat is in the process of asking local authorities and other Habitat Agenda Partners for their assistance in structuring the Habitat III meetings and formulating a New Urban Agenda.

... To start the debate, we open the following points for discussion.

- The New Urban Agenda must stress the importance of well-trained planners who are equipped with the necessary knowledge and competencies for the attainment of sustainable urbanization, resilient regions, smart cities, accessible urban spaces and just societies.

- Strengthening the link between practice and research(ers)/academia that deal with the built environment is crucial and should be addressed as a priority.

- The rapidly emerging debate around the 'right to the city' movement should be addressed in the New Urban Agenda. The right to have a place to stay and to be connected through accessible means of transport, and the right for citizens to meet in spaces and places (squares) as collectives are issues of great importance.

- The New Urban Agenda should stress the importance of ‘good governance’ as well as allowing discursive practices in support of transparent decision making

- Urban dynamics beg for approaches which not only focus on a means-end relationship or which are not solely process and consensus driven, but incorporate adaptive attitudes as well as conditional structures which do not just constrain but are also meant to enable.

- The New Urban Agenda should above be a social agenda, stressing issues as well-being, liveability, affordability, access and health, and supports identity building of communities and urban collectives.

- The New Urban Agenda should consider (discontinuous) change being the only constant factor to the urban. This idea affects both institutional and spatial design fundamentally. It also means a break with the idea of linear growth which has proven to be invalid.

Ver mais:
http://www.aesop-planning.eu/news/en_GB/2014/06/19/readabout/discussion-on-new-urban-agenda

26 de setembro de 2014

Design for Crisis: An architectural tactic for the expansion of architectural possibilities

Artigo presente no Jornal Homeland - News from Portugal
Bienal de Arquitetura de Veneza 2014.

Design for Crisis: An architectural tactic for the expansion of architectural possibilities
ADOC

The 2007 collapse of the western financial system, triggered by the United States subprime mortgage meltdown and the resultant burst of the real estate bubble had a profound influence in the Portuguese Urban landscape. The current crisis, inextricably fuelled by speculative rise in property value, lenient planning laws and easy access to housing loan credit sets the stage for a propositional reflection regarding the concept of the Collective. The visible dimension of the financial rupture, demonstrated by the numerous unfinished constructions and real estate developments that symbolise open wounds in the urbanity, will be the object under scrutiny. They are a part of a bigger and more invisible issue, the massive amount of vacant buildings and unused properties owned by banks and real-estate funds.

The key objective of project Architecture and Crisis: Summoning the Collective is to achieve the completion of an architectonic structure whose construction was interrupted by financial issues. However, it is an exercise that proposes a change in architecture’s current role within the urban production processes, intervening directly in its business model and redistributing the actions of its agents in order to address a specific social and urban problem. It will instigate Architectural practice to become the platform of consensus between stakeholders by intensifying its engagement with pre-established processes and plans of action, in order to achieve a social and urban gain. The project does not rely on an expectation of economic recovery, so it is not driven by a vision of future prosperity. Its core dynamic will be placed in the pre-design stage, therefore concentrating efforts on a more political dimension in the development of strategies in the Housing domain.

The architectural device of the design proposal entails both a volumetric mapping of the dwellings, maximizing spatial flexibility and increasing the responsiveness to the public space, and a radical differentiation of domestic space configuration. The idea is to challenge the virtually absolute homogeny of housing typologies available in the market, that are codified by a banal and rigid spatial setting, and in which the great differentiator is the number of bedrooms. Each house can be sold bare, with minimum facilities (one kitchen and one bathroom) and the partitions will be made by extrapolating specific needs and preferences of future owners. This architectural strategy will lead to a substantial decrease in the required material investment, leading to a well below average housing pricing and to an increase of its affordability. On the other hand, it gives the owners the opportunity either to work alongside architects to personalize/tailor the domestic environment or to simply live in a bare space whose configuration can evolve in time. Hence, from a marketing point of view, the ‘architectural product’ is not a closeend, entirely realized and already complete typology, but cubic meters of fully configurable private space.

The successful implementation of this architectural strategy requires a convergence of attitudes from the all the stakeholders. It needs an easing of the bureaucracy from the city hall, a relaxation of the modus operandi from the financial agents, a willingness by real-estate developers to accept out-of-the-box proposals, the capacity to adapt from the point of view of management from the building contractors, and an openness from architecture to continuously update its proposals. Therefore, each unfinished building proposes a different challenge, calls for distinctive actions, and will produce singular design approaches, so there is no way of neatly framing the project. On the other hand, as it also does not want to contribute to the expansion of the building environment, the eligibility of an adequate unfinished structure will be dependent on its urban sitting, its physical characteristics.

It is important to underline that the project does not aspire to become a universal solution. It is precisely the opposite, as it proposes a discreet, case-bycase, exercise, that expands potentials and mutual and symbiotical benefits. For the owners of the half-finished building, it is a plan to escape financial ruin and escalating maintenance costs. For the real-estate developers, it is a plan to reduce both in the construction cost and the investment risk. For the city council it is an opportunity to solve an urban problem. The project is responsive to the contemporary demand for increasing flexibility regarding industry, market and lifestyles; it creates a product that currently does not exist in the market while addressing a blind spot in the housing system.

In the current context of crisis and inertia of the building and real estate sectors, the project has the merit of placing architecture face-to-face with its responsibilities regarding the Collective realm, by setting architecture as the place of convergence of the agents involved in urban planning and management.

Ver mais:
http://homeland.pt/tackling-big-empty-spaces/

Enviado por:
Hélder Sousa