24 de abril de 2010
Álbum de fotos: Visita Técnica "A rua da estrada"
http://picasaweb.google.pt/jg2464/RuaDaEstrada?feat=email#
“Sinais dos tempos : Urbanismo da segurança/insegurança”
É que sem dar por isso, ou antes, habituando-nos a isso, vemos os muros das casas e dos quintais a subir, as grades nas janelas a multiplicar-se, os condomínios fechados a surgir como cogumelos.
Conjugam-se para isso vários factores: instabilidade e transformações sociais, aumento de assaltos ampliado pela comunicação social, crescimento de uma economia da segurança, privatização da segurança, pressão do sector imobiliário para formas urbanísticas de elevado preço como é, em geral, o caso dos condomínios fechados, etc..
Assim os que podem e querem abrigam-se nos modernos castelos e os outros vão subindo os muros e colocando grades e engaiolando-se - é o fenómeno da insegurança/segurança – a condicionar e a ir tomando conta das nossas vidas, alterando pelo caminho o urbanismo e a paisagem urbana. Nas ruas das cidades e nos espaços públicos as câmaras de filmar começam a fazer-nos companhia e pedem-nos em letreiros simpáticos “sorria está a ser filmado” e dou logo comigo a sorrir, acaba por ser útil.
Não sei se esta tendência tem, como disse, uma relação muito directa com a dispersão mas leio nestes sinais alguma coisa a ver com formas futuras de urbanismo que não sei se me agradam, se são amigáveis e anunciadoras de uma sociedade desejável.
Deixo por isso estes comentários pois talvez vá chegando o tempo de no domínio do urbanismo e do ordenamento do território se fazer alguma reflexão nesta matéria.”
Maria Albina Martinho
15 de março de 2010

A Rua da Estrada
é um assunto que mete medo!
Nem é estrada, nem é rua
e parece acumular
as desvantagens de cada uma delas.
Para quem vai de passagem,
são as paragens constantes,
o congestionamento,
as passadeiras, os semáforos.
Para quem vive junto à estrada,
é a perigosidade do trânsito,
a falta de pessoas, o ruído constante.
(retirado do livro "A Rua da Estrada", Dafne, 2010, Porto)
Imagem disponível no blogue Quintas de Leitura
Comentários sobre a Visita
E assim me imbui da ideia da bondade do crescimento “espontâneo” seguindo “realisticamente” as forças do mercado: encantei-me com a capacidade de adaptação às oportunidades (ou à falta delas), com a criatividade e espírito de iniciativa: que morra o que tem de morrer e que viva o que tem de viver e cada um que faça pela vida…
Mas logo, porém, é fatal, comecei a pensar que a bondade deste crescimento espontâneo tem, no entanto, limites sérios que apelam afinal a soluções de planeamento e de ordenamento sob pena de uma enorme entropia. Assim, por exemplo:
Apesar de as coisas se irei, digamos, resolvendo, o facto é que a realidade dos sistemas de abastecimento de água e de esgotos deve estar longe de estar satisfatoriamente resolvida e que, por outro lado, a existência dentro deste grande contínuo “rur/urbano” de uma agricultura rentável e de solos agrícolas encontra-se sobre intensa pressão, ameaçada por uma ocupação urbana crescente e difusa, não só pela ocupações dos solos como pelas diversas poluições existentes e fluxos de tráfego conflituantes em caminhos e vias de acesso que devem existir (uma coisa são os quintais das casas e a diversidade de modos de vida que podem permitir e outra uma produção agrícola para mercados mais alargados que mesmo sendo em estufas, como vimos, precisam de condições e nomeadamente de solos).
Enfim, aceitando o desafio de não nos encaixarmos em modelos para olhar a realidade e para responder às suas dificuldades, o facto é que também aqui há que encontrar respostas a dar pelas redes de equipamentos, serviços de saúde e de educação por exemplo mas não só, o que reclama um esforço de ordenamento pois não é pensável que tudo se resolva simplesmente seguindo a forma espontânea de ser e sem um nível de hierarquização desses equipamentos. Pelo contrário, fiquei com a sensação que há muitas coisas para reconsiderar e para resolver e que não será possível apenas com os recursos gerados na região.
Também retive a imagem de armazéns e fábricas abandonados ou fechados ( alguns pelos efeitos da crise actual), o que sugere a oportunidade de um esforço programado de projectos de reutilização que evitem novos avanços sobre os solos agrícolas (foram dados alguns exemplos que suponham são muito pontuais)
A mistura de usos é até certo ponto de promover em desfavor de um zonamento funcional excessivo, contudo a mistura total de usos ao sabor da corrente onde nos leva? Julgo que há limites às adaptações espontâneas, a menos que e se caminhe para conflitos de usos que se multiplicam e ampliam (poluição das águas e, fluxos de tráfego excessivo que põem em causa o próprio uso da rua da estrada como montra e espaço de comércio, o caos da paisagem…)
Por último, o caminho-de-ferro parece ser desvalorizado. Será que há razão para isso? Para mim não foi muito claro apesar do que foi dito: o caminho de ferro para além de outros contributos pode ter também uma função organizadora do espaço que talvez esteja a ser ignorada por causa do excessivo foco na rua da estrada e no modo rodoviário que a sustenta, ora vários factores como a crise energética, por exemplo, levam a que na actualidade se volte a olhar com um novo interesse para o caminho-de-ferro .
Feitos estes comentários quero só dizer que a forma viva da apresentação e todo o passeio forma muito estimulantes e espera-se mais. Obrigada
Mª Albina Martinho
Comentários sobre a Visita
Quanto à "rua da estrada", julgo que o Dr. Álvaro Domingues está excessivamente entusiasmado com as virtudes da rua da estrada. É um povoamento que temos e que teremos de tratar. Pesam sobre ele algumas ameaças onde as menores não serão o destino ainda incerto sobre os custos no futuro do transporte individual e os problemas de segurança.
Este tipo de povoamento, em termos de infrestruturas e serviços urbanos, é muito caro e pouco propício ao desenvolvimento de uma convivência comunitária. Julgo, como indicou o Jorge Carvalho, será na área do planeamento que se deverão procurar os remédios e a valorização de aspectos positivos que também existem.
João Duarte Silva
4 de março de 2010
On the Road
A Rua da Estrada é a imagem perfeita desta metamorfose. Mais do que lugar, ela emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre é o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação, génese primordial da velha cidade.
Dizia alguém, explicando as manobras de sedução que praticava para tornar o seu negócio visível para quem vai na estrada: “O problema é fazê-los parar”.»
(Publicado no Boletim da Ordem dos Arquitectos, Fev 2010)
On the Road
Que giro! A gente agora vem passear ao campo para se deleitar com este sem número de padrões de localização, construções e formas de organização. É giro a gente andar por aqui, deixar-se ir no fluxo intenso que desliza nestas infraestruturas que percorrem territórios imensos, e de repente topar com padrões inovadores: ali um pavilhão industrial no meio de um campo de milho, acolá um prédio de apartamentos isolado na meia-encosta, com varandas para o norte, que a sul é a encosta, mais adiante um loteamentozito com umas infraestruturas que começam na Estrada, dão a volta e tornam a entroncar na Estrada uns metros à frente. Que giro, tem toponímia, é a Travessa da Estrada. E olha, olha, ali na Travessa começa outra Estrada, espera lá, chama-se Rua do Padre Qualquer Coisa, sim senhor, muito asfaltadinha, muito digna, vai por ali acima através dos campos, que engraçado. E tem iluminação pública, vês? Aquela lá mais acima deve ser a Travessa do Sacristão. Epa! lá mais ao longe, vês?, uma banda contínua, cuidado! aquilo tem pinta de arquitecto, ali isoladinha, que sossego, e deve ter umas vistas aqui para o lado da Estrada…
Bem, volta lá ao loteamento que ali na Rua do Padre não há casas, quer dizer, não há padrão (ih! ih! Padre / padrão…)
Mais de metade dos lotes estão por preencher, cheios de silvas, mas olha, olha, num deles está um stand de automóveis ao ar livre, enfim, são os novos padrões. Ai que engraçado: aquela moradia isolada tem um salão de cabeleireira. E aquela acolá tem um mini-mercado ou um café ou o que é aquilo. Mas parece que não têm movimento. Vamos ali beber um café?
E depois o dono do Café-Mini-Mercado Novo Padrão explica-nos que tem muito tempo para olhar para a Estrada e pensar, e vai coçando os problemas na cabeça e vai imaginando manobras de sedução para fazer parar os clientes que passam, quer dizer: flúem, a bem dizer, na Estrada, e, triunfante de tanto e tão acertadamente pensar, exclama:
– “Carago! O fluxo! O fluxo intenso que percorre a Estrada é que é o meu melhor trunfo!”.
Vai passando um pano sobre o balcão metálico inutilmente limpo e, mais comedido, conclui:
– “Pois se não houvesse fluxo não era precisa a Estrada para nada, ora bolas! O fluxo é a própria justificação da filha da mãe da Estrada.”Tão querido, tão pitoresco! Muito gira, esta metamorfose que se nota até nos padrões de pensar deste pessoal.
Lá dizia o outro: As transformações dos campos são tão radicais como as transformações das cidades.
Joaquim Jordão
O problema é fazê-los parar!

A Rua da Estrada é um conceito que emerge sobre os escombros da dupla perda da “cidade” e do “campo” e da oposição convencional entre o “urbano” e o “rural”. Da cidade, existe a ideia muito comum de que se trata ao mesmo tempo de uma forma de organização social (a polis ou a civitas) intensa e diversa que ocupa um território densamente construído, com uma forma, um centro e uns limites perfeitamente definidos. Esta imagem da cidade aparece como um “interior” confinado, rodeado pelos espaços extensivos e rarefeitos da agricultura, da floresta ou dos espaços ditos naturais. No mesmo registo, o rural seria o espaço da agricultura; agrícola porque maioritariamente dependente da economia agro-florestal, e rural, no sentido cultural, porque correspondente a estilos de vida e visões do mundo dominadas por um certo tradicionalismo atávico e pelo fechamento sobre si.
Nada mais falso. As transformações da agricultura e do rural são tão radicais, quanto as que se verificam nas cidades.
Hoje a urbanização progride a um ritmo avassalador e já não está exclusivamente dependente da aglomeração e da proximidade física entre as pessoas, os edifícios e as actividades. As infraestruturas – como a as estradas ou as redes de telecomunicações, água ou de energia –, percorrem territórios imensos que tornam possível um sem número de padrões de localização e de formas de organização social. O urbano é um “exterior” desconfinado e instável, por contraposição à imagem da cidade amuralhada.
A Rua da Estrada é a perfeita imagem desta metamorfose. Mais do que lugar, a Rua da Estrada emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre é o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação, génese primordial da velha cidade. Dizia-me alguém explicando as manobras de sedução que praticava para tornar o seu negócio visível para quem vai na estrada: “o problema é fazê-los parar”.
Texto e imagem disponíveis em: http://www.dafne.com.pt/catalog2.php?sub=2
3 de março de 2010
2º Encontro e Visita Técnica do CAID
- data - 28 de Fevereiro
- objectivo - visitar territórios com ocupação dispersa, entre V. N. Gaia / Porto / Paços de Ferreira / Santo Tirso
- orientador - Professor Álvaro Domingues
- textos de apoio - no blogue
- debate - no autocarro, ao longo da viagem, durante as refeições. Não foi previsto um debate formal
- almoço - "farnel" e paragem para partilha de petiscos
- recepção e lanche - Câmara Municipal de Santo Tirso
- inscrições - reservadas aos sócios do CAID
2 de março de 2010
A rua da estrada
A estrada-rua é o elemento mais banal das formas e processos de urbanização em Portugal, nos antípodas de qualquer ideal-tipo do que seja a boa e verdadeira genuína cidade. Não vale a pena apostar tudo na idolatria da cidade histórica, no trauma de se ter perdido isto e aquilo e, desse trauma que ficou do rol das perdas, já não se ter discernimento sequer para avaliar se aquilo ainda é uma cidade ou se é um simulacro cénico limpinho e abrilhantado para mais um parque temático com programação contínua para o negócio turístico. Assim está a ficar Óbidos. Não há problema. As cidades também se prestam a isso mas não devem é ser só isso.
A passagem da cidade para o urbano arrastou uma metamorfose profunda da cidade: de centrípeta, passou a centrífuga; de limitada e contida, passou a uma coisa desconfinada; de coesa e contínua, passou a difusa e fragmentada; de espaço legível e estruturado, passou a ser um campo de forças organizado por novas mobilidades e espacialidades; de contrária ou híbrida do “rural”, passou a ser um transgénico que assimila e reprocessa elementos que antes pertenciam a um e outro rurais ou urbanos; de organização estruturada pela relação a um centro, passou a sistema de vários centros; de ponto num mapa, passou a mancha, etc., etc. A densidade de aglomeração e de inter-relação já não significa necessariamente aglomeração física de edificado, emprego, população, ou infra-estrutura. A acessibilidade, a velocidade, a conectividade e a mobilidade, podem realizar-se em superfícies extensas percorridas pelo zapping mais ou menos intenso de pessoas, bens e informação. Insustentável, dirão muitos.
A rua da estrada é um dos elementos mais legíveis da estruturação da urbanização extensiva. Num país histórica e profundamente deficitário em infra-estruturação e que só teve auto-estradas e vias rápidas na década de 90, era de esperar que a dinâmica de crescimento do pós-guerra tivesse que produzir edificação algures. As estradas e o que nelas havia (electricidade e telefone, quando calhava) eram o suporte mínimo dessa edificação com acesso garantido. É isso que a explica, e não os bodes expiatórios do costume: especulação, défice de planeamento (no antigo regime, havia só uns planos para uns bocados de cidades e pouco mais), ilegalidade (ou a-legalidade?). Compactar tudo isto na conversa do “feísmo” torna a realidade ainda mais opaca e indiscernível.
Com a banalização e a democratização do automóvel, ficou garantida a fluidez desta urbanização linear onde tudo se mistura: casas, cafés, restaurantes, lojas, serviços, fábricas. O edifício-montra (onde se expõem automóveis, móveis, plantas, etc.) ou a casa unifamiliar revista e aumentada com uma actividade comercial no rés-do-chão, são exemplos comuns da diversidade tipológica e funcional de tudo quanto aparece pela estrada fora. A sinalética que tudo indica, desde os sinais de trânsito aos endereços electrónicos do que está na terceira rotunda à esquerda, foi a última a chegar, sem a espectacularidade dos néons de Las Vegas mas com recursos de criatividade inusitados.
A rua da estrada é como um centro em linha, uma corda onde tudo se pendura - uma estrada-mercado.
Álvaro Domingues
(retirado do livro "A Rua da Estrada", Dafne, 2010, Porto (no prelo)
Urbanização Extensiva – uma nova escala para o planeamento
1. Urbanização extensiva - enquadramento
O urbano, dentro da polissemia que o caracteriza, não é mais do que o modo dominante de territorialização da sociedade. Ora, essa territorialização mobiliza espaços cada vez mais extensos e intensamente percorridos. O aumento dramático da mobilidade (física e informacional), permite modos de organização que antes estavam muito dependentes da proximidade física e da aglomeração. A perda de certos atritos territoriais – traduzida nos conceitos de espaço de fluxos ou espaço relacional – mobiliza lógicas muito diversas de territorialização, de espacialização dos modos de organização social. A grande escala territorial da urbanização extensiva não é apenas a representação da urbanização em territórios “desconfinados”, é, sobretudo, um âmbito geográfico pertinente para perceber as múltiplas dimensões que estruturam as dinâmicas e processos, i.e. o campo de forças territorial que actua sobre a escala micro dos “lugares” e das suas transformações. A grande escala permite, assim, contextualizar as intervenções micro (projectos urbanos, novas urbanizações, transformação de urbanizações existentes, etc.), percebendo de que modo se conectam aos sistemas infraestruturais e de mobilidade, aos sistemas biofísicos, e aos sistemas económicos mais vastos e dentro dos quais se integram.
A questão da urbanização extensiva encontra-se num enorme emaranhado de temas onde é já difícil saber de que é que se trata e de como se deve actuar e para quê. Este enunciado parece paradoxal, atendendo aos supostos consensos que existem. No entanto, é relativamente fácil demonstrar que esses consensos repousam, de facto, sobre um conjunto de questões que invariavelmente tocam duas tendências:
- uma generalização demasiada que se traduz no uso de “meta-conceitos” que, por serem tão gerais e abstractos, produzem a ilusão de conter toda a fenomenologia do real, podendo até transformar-se em verdadeiras aporias (igualdade de conclusões contraditórias). (...)
- uma excessiva polissemia que, a coberto da descoberta de supostas “normas” e “racionalidades”, denomina da mesma maneira e com os mesmos sistemas de causalidade e de representação diferentes escalas e contextos
de urbanização. (...)
Álvaro Domingues
(publicado pelo CITTA 1st Annual Conference on Planning Research. FEUP, 30 May 2008
(organization - CITTA) Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 2009)
link para o texto integral:
https://www.ua.pt/ii/ocupacao_dispersa/ReadObject.aspx?obj=12820
Do Devir ao Provir na cidade a par das metamorfoses individuais
“(…) a cidade é igual a qualquer outra, também é simultaneamente diversa de qualquer outra, pela simples razão que ela é também uma abstracção, uma metáfora vivente, que pode ser descrita e apreciada através de infinitos modos e representações.”
Encarando a citação de Pessoa em jeito de premissa, contextualizemos.
O conceito de cidade não apresenta um padrão universal, é variável de nação para nação e mutável de acordo com uma panóplia de sinergias complexas e correlacionadas que compõem e encerram a realidade da própria urbe.
No fundo, a cidade é um espaço de socialização, de intervenção humana, contém o ícone da guarida histórica, de todo o processo construtivo de diferentes (co)rrelações a diferentes escalas, proporcionado por gerações anónimas que se espelham muitas das vezes de forma abstracta, tal como nos disse Hideinburgo.
Mas, esta cidade é quase como uma espécie em extinção.
Temos a noção de que a cidade e o indivíduo se diluem em infinitos modos de representações, com uma influência cada vez mais global e onde a ocupação do “espaço” já não é só física, mas também virtual.
Temos, também, a noção de que esta nova cidade virtual acaba por não carecer da presença física do homem, mas, e tal como nos disse Corbusier_”a primeira prova de existência é ocupar o espaço”!....
Esta virtualidade (se assim se pode dizer) retira às cidades uma das suas principais funções, a de serem contempladas/apreciadas, percorridas a pé. É esta forma de usufruto que nos apoia a reflectir sobre a nossa realidade interior e a nos identificarmos com a exterior, a confraternizar com o transeunte que por nós passa/acompanha e envolve.
É esta relação biunívoca homem/cidade que nos permite acarinhar/identificar com determinado espaço/lugar.
Fazendo uma brevíssima retrospectiva, poderemos dizer que passámos por uma cronologia que seguiu um percurso orgânico, simbólico, místico, para dar lugar a uma realidade rectilínea dura, racional, quase que roçando a esterilidade emocional.
Encontramo-nos, agora, numa cidade onde surgem espaços/lugares descaracterizados, onde se destoem abruptamente memórias e se constroem emaranhados de redes que nos desenraízam e desorientam, eliminando a usufruível desejável liberdade amena, o normal fluir de todo o processo civilizacional.
Ou seja, o crescimento das cidades foi ao longo dos tempos sujeito a diferentes concepções, umas planeadas, outras com vista a dar resposta a problemas urgentes, tais como a ausência de higiene/salubridade ora causada por pestes, ora por êxodos e (e)imigrações populacionais, ora por guerras.
Muitas dos modelos planeados pecaram por demasiado idealismo, e muitas das concepções imediatas pecaram pela ausência dele. As respostas urgentes castraram toda e qualquer simbologia inerente a todos nós, que nos preenche como seres humanos.
Ironicamente, verificamos que a presença de um pragmatismo exagerado devido à presença excessiva de normas, regras, imposições, onde o mundo das ciências exactas e dos chavões se reproduzem de forma impar e a um ritmo mutacional desconhecido, acaba por andar pelo patamar da utopia, por inaplicabilidade das mesmas!
Por sua vez, a presença de um lirismo exagerado, que se mistura com o mundo das ciências subjectivas, sociológicas, psicológicas, acaba por não nos deixar “espaço” para uma intervenção oportuna e atempada!
Esta clivagem entre processos de concepção das cidades ora demasiado pragmáticos, ora demasiado utópicos, não tem conseguido dar resposta às reais necessidades do indivíduo e esta nossa cidade global, ainda não encontrou o seu lugar na história, a sua identidade, porque ainda embrionária.
Portanto, para evitar a reprodução de erros passados, urge um novo “olhar concepcional”, mais colorido de humano, menos cinzento de betão, associado a todas as nossas naturais formas de encarar as matizes psico-emocionais!
Um olhar que apoie à estruturação da cidade/individuo, à confortável orientação, à (re)descoberta do nosso quadro de referências internas!
Um Volver estético-emocional a percorrer por um processo de aculturação que exija, não só o continuum naturale, mas também um continuum individual e social!...
Cristina Montez
A Estrada da Rua
A Estrada da Rua.
A rua do convívio informal, da procissão e da festa que passa a estrada, por efeito da circulação automóvel cada vez mais intensa e cada vez (pretensamente) mais rápida.
joão aboim
25 de janeiro de 2010
Venho Cantar as Janeiras
Para abrir o novo ano de debate (se é que isso existe) sobre a dispersão da edificação (se é que vale a pena), proponho a leitura da Revista Unibanco nº 132, cujo tema de capa é “Em Defesa da Paisagem – cinco projectos de arquitectura em harmonia com a Natureza”
E em que consistem esses cinco projectos, aliás obras consumadas?
Pois em casas sofisticadas, claramente segundas residências com vista para o mar, estuário ou albufeira, construídas em cima de dunas, em áreas florestais, em solos com declive superior a 25%, em locais com acessos difíceis mas ”exclusivos”, etc.
Além destas cinco existem, obviamente, muitas mais.
Então, quer dizer: a dispersão já tem este lado sofisticado?
O mercado do solo rural tem já este nicho?
Epa! os interesses e poderes que aqui estarão envolvidos… cuidado!
Mas então, são estas as virtudes e vantagens da dispersão?
A matéria é delicada – além do mais, estamos a lidar com projectos que, em si próprios, têm de facto qualidade, circulam nas revistas de arquitectura, alguns ganharam prémios de prestígio.
Mas – e depois?
Canto-vos o soneto do meu conterrâneo Paulino António Cabral (Abade de Jazente), que ilustra bem a minha rabugice acerca da actual ocupação do espaço rural:
A Manhã fresca está, sereno o vento,
O monte verde, o rio transparente,
O bosque ameno; e o prado florescente
Fragâncias exalando cento a cento.
O Peixe, a Ave, o Bruto, o branco Armento,
Tudo se alegra; e até sair a gente
Dos rústicos casais se vê contente,
E discorrer com vário movimento.
Este cava, outro ceifa e aquele o gado
Traz no campo a pastar de posto em posto;
Outro pega na fouce, outro no arado.
Tudo alegre se mostra: e só disposto
Tem contra mim o indispensável fado,
Que em nada encontre alívio, em nada gosto.
(Abade de Jazente)
Perante as coisas sérias da vida, o mínimo que se pode exigir é que se conserve o sentido do humor.
Leio, pois, o soneto numa perspectiva irónica – imagino um engenheiro a sair de uma destas casas sofisticadas com a enxada às costas e, em harmonia com a Natureza, vai prazenteiro cultivar o quintal; um doutor a sair de uma casa na duna com o rebanho e, assobiando uma do Quim Barreiros, leva os animais a pastar…
Tudo alegre se mostra: e só disposto
Tem contra mim o indispensável fado,
Que em nada encontre alívio, em nada gosto.
Procurando alguma coisa que me dê gosto, a ver se encontro, algures, um alívio para este meu fado, são estes os tópicos que proponho para um eventual debate:
– Constrói-se uma casa na duna?! Como?
– Pronto, está construída. E depois?
Cantando assim as janeiras ao jeito de um fado, desejo aos membros do CAID que, no novo ano, não se dispersem.
Joaquim Jordão
10 de dezembro de 2009
Uma nova forma de ocupação dispersa
Sinto-me sobre este assunto num dilema: sou o mais possível a favor das energias renováveis e, sendo o caso da energia eólica uma dessas fontes de energia, não poderia estar mais de acordo com o seu uso e expansão.
Contudo o que me interrogo é se este modo de disseminar por todo o lado as tais torres eólicas dando à paisagem qualquer coisa de fantasmagórico, não poderia de algum modo ser evitado, viabilizando e incentivando a sua concentração em parques eólicos, por exemplo. Creio que isso já é feito noutros países.
Penso que começa a ser oportuno questionarmo-nos sobre as razões ou causas do actual “ordenamento” que leva a este “desordenamento”.
Cumprimentos e Bom Natal a todos
Mª Albina Martinho
28 de novembro de 2009
VII Congresso da Geografia Portuguesa
Desenvolvimento local, ambiente, ordenamento e tecnologia
Quando? 26 a 28 de Novembro
Onde? Coimbra - Auditório da Reitoria
Quem organiza? Associação Portuguesa de Geógrafos
Programa, inscrição e outras informações: http://www.apgeo.pt/
27 de novembro de 2009
Encontro anual da Ad Urbem "Os dez anos do RJUE"

Os dez anos do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação: a evolução do licenciamento municipal de operações urbanísticas, 1999-2009, foram o tema do encontro anual da Ad Urbem de 2009, que decorreu nos dias 26 e 27 de Novembro, no LNEC.
O encontro anual da Ad Urbem fez um balanço da reforma operada pelo Decreto-Lei n.º 555/99, que instituiu o conceito de operações urbanisticas. Em 16 de Dezembro de 2009 o Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE) perfaz a primeira década da sua existência.
Os resumos das comunicações apresentadas no encontro anual encontram-se disponíveis para consulta, permitindo a todos os membros e interessados saber mais sobre os temas que foram apresentados pelos oradores e submetidos à discussão dos participantes.
O Encontro teve lugar no Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa e decorreu nos dias 26 e 27 de Novembro do corrente ano.
ADURBEM - Encontro Anual 2009
Quando? 26 e 27 de Novembro
Onde? Lisboa - Laboratório Nacional de Engenharia Civil - Centro de Congressos
Informações relativas ao Encontro: http://www.adurbem.pt/
23 de novembro de 2009
"Câmara Clara" - Território e Paisagem
O programa pode ser visto em:
http://camaraclara.rtp.pt/#/arquivo/152
22 de novembro de 2009
Número temático da revista Sociedade e Território sobre “Ocupação Dispersa” - Índice
Jorge Carvalho
DOSSIER OCUPAÇÃO DISPERSA: PROBLEMÁTICA, CUSTOS E BENEFÍCIOS
Tema I - Problemática
Da ruralidade e do disperso urbano
João Carlos Antunes
Intensidades das Paisagens Metropolitanas
Sofia Morgado
Ocupação dispersa – porque é que tudo é tão negativo quando se fala disto?
Álvaro Domingues
Apresentação de Projecto de Investigação
Jorge Carvalho
Tema II - Da Problemática à Procura de Soluções
L’expérience française de l’étalement urbain
Joseph Comby
As formas da cidade extensiva
Nuno Portas
Dispersão urbana: uma oportunidade
F. Brandão Alves e João Granadeiro Cortesão
Tema III - Mobilidade e Infra-estruturas
Mobilidade e forma urbana – o caso da Área Metropolitana de Lisboa
Eduarda Marques da Costa e Nuno Costa
Custos e Externalidades da Mobilidade
Helena Martins, Myriam Lopes, Pedro Gomes e João Silva
Uma rede viária (arterial) de nível intermédio: reflexões sobre a estruturação dos territórios de urbanização dispersa
Sara Sucena Garcia
Custos de infra-estrutura local versus formas de ocupação do território urbano
Jorge Carvalho, Luís Arroja, Arlindo Matos e Carina Pais
Tema IV - Qualidade de Vida
Centro, Periferia e Qualidade de Vida: reflexões e contributos para a operacionalização do conceito de QV
Teresa Costa Pinto
Avaliação da qualidade de vida à escala local – questões metodológicas
Isabel Martins e Luís Delfim Santos
A multidimensionalidade do conceito de Qualidade de Vida
Cristina Sousa Gomes, João Marques, José Belbute, Maria Luís Pinto, Eduardo Castro, Pedro Gomes e Gabriela Gomes
Tema V - Regulação
Ocupação Dispersa do Território Urbano: Regulação da Ocupação Dispersa. Caso de V. N. Gaia
Manuela Juncal
A Região do Algarve e a problemática da ocupação dispersa do território: instrumentos de gestão territorial e estratégias de base territorial
Rui Guerreiro
Sugestão de Normativa PROTs para orientar PDMs face à Ocupação Dispersa
Jorge Carvalho
MEMÓRIAS
José Rafael Botelho
21 de novembro de 2009
Projectos "Cicloria" e "Murtosa Ciclável"
Ver mais:http://cicloria.blogs.sapo.pt/
19 de novembro de 2009
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
Em breve estarão disponíveis as comunicações apresentadas no Seminário em:
http://www.ua.pt/ii/ocupacao_dispersa/
12 de novembro de 2009
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
Para identificar Unidades Territoriais de escala local podem e devem ser utilizados dois caminhos distintos e complementares:
- Identificação de realidades morfotipológicas homogéneas (que denominamos "Pedaços de Território").
- Identificação de realidades funcionais e vivenciais (que denominamos "Unidades Territoriais de Base").
Para o efeito há que considerar um conjunto de atributos e que aplicar metodologias complementares, identificando-se as seguintes:
- Utilização de Dados Estatísticos;
- Identificação de Conjuntos de Edifícios por Método Digital;
- Identificação de Padrões de Paisagem sobre Fotografia Aérea;
- Utilização de Conhecimento Empírico sobre Cartografia;
- Identificação de Redes Sociais de Vizinhança através de Inquérito.
A metodologia dos "Conjuntos de Edifícios por Método Digital" revela-se muito adequada para uma identificação preliminar, nomeadamente para distinguir territórios urbanos, dispersos e rurais, Tal metodologia, que assenta numa agregação digital de edifícios e vias, diferencia conjuntos "contínuos", "dispersos" e "rarefeitos", e utiliza um "índice de desagregação" aplicável aos conjuntos contínuos,
Perspectiva-se ainda a utilização das outras metodologias referidas para alcançar a delimitação e caracterização de Unidades Territoriais de Base e Pedaços de Território.
Carina Pais
GOVCOPP/SACSJP-UA
(pela Equipa do Projecto Custos e Benefícios, à escala local, de uma Ocupação Dispersa)
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
Os novos PDM devem contribuir para a concretização das actuais políticas de ordenamento do território, definidas a nível nacional (PNPOT) e regional (PROT), e desta forma conter orientações destinadas a contrariar o aumento indiscriminado dos perímetros urbanos e a dispersão descontrolada da edificação, fenómeno que, nas últimas décadas, consumiu e fragmentou espaços anteriormente destinados à agricultura, floresta e ao equilíbrio dos ecossistemas. Uma análise genérica aos actuais instrumentos de planeamento permite rapidamente constatar que é necessário reforçar a qualidade das metodologias de análise e de monitorização dos processos de expansão urbana.
No âmbito dos PMOT, o solo é diferenciado em duas classes distintas, solo urbano e solo rural. Legislação recentemente publicada (Decreto Regulamentar 11/2009) assinala que o solo urbano compreende os solos já urbanizados assim como aqueles cuja urbanização seja fundamentada na "indispensabilidade e adequação quantitativa e qualitativa de solo para implementar a estratégia de desenvolvimento local", e que "os processos de reclassificação do solo devem ser criteriosa e tecnicamente justificados". A expansão urbana deve privilegiar a densificação de espaços já artificializados e evitar a disseminação de novos espaços de dispersão edificada -sob pena do agravamento de custos e ineficiências {energéticos e ambientais) e da desestruturação urbana
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A partir de bases de informação diversa (cartografia topográfica e dados censitários), tratadas e modeladas com recursos a modernas ferramentas e técnicas de SIG, foram desenvolvidas duas abordagens metodológicas complementares baseadas na análise das actuais densidades de ocupação edificada do território para a definição, delimitação e caracterização de diferentes tipologias de áreas, que poderão, em sede dos PMOT, ser objecto políticas e práticas de qualificação.
A primeira abordagem parte de um critério de distância mínima entre edifícios para delimitar áreas de contiguidade edificada. A metodologia, implementada com recurso a algoritmos automáticos em SIG, permite criar, de forma automática, as áreas de contiguidade. Em cada uma das zonas poligonais resultantes, pressupõe-se uma certa homogeneidade decorrente de um espaçamento máximo entre edifícios definido a priori. Finalmente, mediante técnicas de interpolação zonal entre as áreas de contiguidade e a Base Geográfica de Referenciação de Informação {BGRI), do INE, é possível descrever cada polígono em termos dos seguintes atributos: população residente, densidade populacional, número de edifícios residenciais e densidade de edifícios residenciais.
Este produto apresenta-se em modelo de dados vectorial, permitindo inquirições interactivas em Sistemas Gestores de Informação Geográfica, assim como a sua representação cartográfica, em função dos atributos associados às áreas de contiguidade. Esta cartografia admite análises municipais até à escala máxima 1:10.000 e permite facilmente identificar e visualizar os atributos morfológicos (distribuição, localização, densidade e dispersão) da ocupação edificada.
Ao contrário das abordagens cartográficas mais convencionais, baseadas na utilização de médias espaciais associadas a zonamentos administrativos (ex. freguesias) ou censitários (ex. secções e subsecções estatísticas), este produto permite descrever a ocupação do território de um modo mais detalhado e mais próximo da realidade geográfica.
Além das aplicações mais evidentes na área da gestão urbanística municipal e na monitorização de práticas urbanísticas ao nível regional, este produto serve também como uma base de trabalho imprescindível a todas as entidades que pretendam planear na área dos equipamentos e infra- estruturas.
A segunda abordagem não parte de qualquer pré-condição, como aquela que define um espaçamento máximo entre edifícios para a delimitação de áreas de contiguidade edificada. Pelo contrário, é estimada, para cada elemento da tesselação do espaço (célula), a densidade de implantação horizontal do edificado, criando-se um mapa em modelo de dados matricial, em que os valores correspondem a uma percentagem de ocupação por unidade de área. O mapa é classificado em cinco classes de densidade, incluindo áreas sem ocupação edificada, áreas de ocupação dispersa e áreas de ocupação densa.
Após diversos procedimentos automáticos de filtragem e generalização do primeiro output matricial, o zonamento é convertido em polígonos vectoriais, aos quais é aplicada uma nova limpeza semi- automática, baseada em critérios de área mínima. O zonamento final é validado através de inspecção visual, por sobreposição a ortofotocartografia.
Esta metodologia de zonamento de áreas baseia-se exclusivamente na morfologia e nas densidades de ocupação edificada e não está dependente de a príorís arbitrários. Por outro lado, este método baseia- se em técnicas de análise espacial matricial e requer pouca diversidade de dados geográficos e de procedimentos, pelo que se revelou rápido e simples de implementar. É um método flexível, pois admite a integração de outras variáveis para a definição de áreas de densidade edificada (ex. a altura dos edifícios). Permite também diferentes níveis de generalização cartográfica, consoante a escala de trabalho e de representação.
Esta metodologia possibilita, de forma bastante expedita, identificar e delimitar, com grande rigor geográfico, áreas com diferentes graus de ocupação edificada e, em particular, as áreas de edificação dispersa, cuja delimitação se tem revelado tão complexa e arbitrária. Cada polígono ou zona pertence a uma classe de densidade de edificação, garantindo-se a geração de zonas fortemente homogéneas em termos das suas características morfológicas e da sua intensidade de ocupação.
Por fim, cada zona pode também ser descrita através dos seus atributos demográficos, habitacionais e funcionais, mediante o cruzamento (interpolação zonal) com a Base Geográfica de Referenciação de Informação (BGRI), do INE.
A existência deste produto cartográfico pode revelar-se muito vantajosa tanto a nível municipal como regional, com vista a fundamentar propostas na área da classificação do solo, assim como na avaliação e monitorização das transformações do território.
As metodologias desenvolvidas foram testadas em vários contextos territoriais, com especial destaque para as áreas de povoamento disperso do noroeste português, do litoral da região Centro e da região do Oeste e Vale do Tejo. Contactos feitos junto de entidades regionais e locais, tais como as CCDR, associações de municípios e câmaras municipais, permitiram confirmar tanto a validade conceptual das abordagens como a utilidade dos produtos desenvolvidos.
Teresa Sá Marques
Filipe Batista e Silva
Carlos Delgado
FLUP, Departamento de Geografia, CEGOT
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
A elaboração de planos municipais e regionais de ordenamento do território justifica a realização de um conjunto de estudos de base que permitam o conhecimento das realidades territoriais expressas na área de intervenção dos planos.
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Estes estudos têm demonstrado ser um trabalho fundamental na identificação dos fenómenos territoriais que dão origem aos modelos de ocupação do solo actual e na identificação das principais dinâmicas territoriais instaladas e emergentes. Constituem também, uma ferramenta importante no diálogo interdisciplinar nas equipas de planeamento e são um elemento de suporte na fundamentação das opções de planeamento, na definição de estratégias para a paisagem e na delimitação das estruturas ecológicas municipais e regionais.
A metodologia adoptada para a elaboração da cartografia de padrões de ocupação do solo assenta em princípios da Ecologia da Paisagem, onde os elementos se estruturam em matrizes, padrões e corredores, relacionados com o edificado, com os espaços agrícolas e florestais, entre outros. Estes elementos foram estruturados numa legenda base organizada em dois níveis de classificação - classe e sub-classes - de modo a desagregar realidades mais complexas e compreender melhor a sua expressão territorial. Esta legenda sofre as devidas alterações consoante a área territorial onde se aplica e a tipologia de plano em questão.
A edificação isolada ou em aglomerações de pequena dimensão localizadas no espaço rústico é uma sub-classe comum aos diferentes estudos realizados, revelando ser um fenómeno com forte expressão territorial apesar de apresentar lógicas de localização e densidades diferentes. Estas formas de ocupação do solo e as dinâmicas que Ihes estão associadas assumem cada vez mais impacte na paisagem, pelo que a sua identificação nos estudos de base dos planos de ordenamento permite uma melhor e maior compreensão da paisagem e constitui uma oportunidade para a definição de estratégias e orientações de planeamento.
Hipólito Bettencourt
Filipa Monteiro
(Arquitectos Paisagistas)
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
O concelho de Mafra evoluiu de um perfil rural dominante para uma situação periurbana, consequência não só das transformações económicas e sociais que se verificaram na AML mas, sobretudo, das grandes alterações ao nível das acessibilidades rodoviárias.
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...o município pretende, na revisão do PDM, adoptar medidas que conduzam à consolidação dos aglomerados principais e à consequente contenção da ocupação difusa. A metodologia adoptada passou pela definição do limiar mínimo para que um conjunto edificado seja integrado no perímetro do solo urbano, estabelecendo, por exclusão, as situações em que um edifício ou conjunto edificado deve ser considerado como ocupação dispersa em solo rural.
Testaram-se novas demarcações dos núcleos urbanos tendo-se optado pelo valor mínimo de 70 edificações, afastadas de 25m e com a densidade mínima de 7 edificações/ha, panorama que cobre 90% da população.
Paralelamente estabeleceu-se uma matriz de indicadores para clarificar a hierarquia dos aglomerados urbanos e consequentemente as expectativas dos residentes relativamente ao nível de intervenção e de serviços a prestar pela autarquia, relacionando o PDM com a atribuição de taxas e licenças municipais.
Considera-se que as medidas a introduzir no PDM vão no sentido de um modelo de contenção, penalizador das situações de ocupação avulsa, situações essas que deverão ser consideradas numa perspectiva de gestão caso a caso.
José Caldeira
(Parque EXPO)
SEMINÁRIO "A OCUPAÇÃO DISPERSA NO QUADRO DOS PROT E DOS PDM"
Onde? Universidade de Évora - Auditório do Edifício do Espírito Santo
Organização: Universidade de Évora, Universidade de Aveiro e DGOTDU
Programa e Inscrição: http://www.ua.pt/ii/ocupacao_dispersa/
6 de novembro de 2009
Seminário "A Ocupação Dispersa no Quadro dos PROT e dos PDM"
Conferência "O Lazer e o Turismo Ciclável"
Onde? Universidade de Aveiro – Auditório da Reitoria
5 de novembro de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Esse facto levar-nos-ia, julgo, para as regras dos primeiros PDM's que impunham uma área mínima de parcela em solo rural na ordem dos 3.000 a 5.000 m2. A questão que se coloca também é se toleramos essa dispersão, ou se a queremos, de todo, evitar. Até porque é uma realidade do território nacional. Tenho pensado neste assunto, mas ainda não cheguei a uma opinião conclusiva.
Em relação à sua identificação nas cartas apresentadas, consigo identificar o disperso nas cartas 2 e 3. Já na carta 1 identifiquei o urbano de baixa densidade: lotes urbanos de dimensões consideráveis, mas na períferia da cidade antes de entrar no rural.
Boa dispersão,
Carla Velado
29 de setembro de 2009
CONVERSAS SOBRE O TERRITÓRIO
Moderador: Ângela Fernandes (Presidente da Associação Portuguesa de Planeadores do Território)
Oradores: Rui Loza (Arquitecto, Director Regional do IHRU, Administrador da Porto Vivo - SRU, Prof. Auxiliar Convidado da UA) e Carlos Martins (Economista e Consultor) - “O Planeamento enquanto Processo: o Processo de Planeamento do Centro Histórico do Porto, Património Mundial”
16 de setembro de 2009
1º Encontro e Passeio Temático do CAID

O Encontro de Alvorninha foi marcado por um animado debate entre 19 sócios do CAID e cerca de uma dúzia de participantes locais (3 presidentes de Junta, outros eleitos autárquicos, um deputado da A.R. e alguns residentes).
O Presidente da Junta, Engº Virgílio, iniciou os trabalhos fazendo uma caracterização da freguesia, à qual se seguiu uma análise territorial apresentada pelo Dr. Carlos Gonçalves, do Gabinete de Planeamento e Urbanismo da CMCR.
Ao fim da manhã percorremos a freguesia de autocarro.


Estamos perante uma área que se pode considerar mais “rural” do que “urbana dispersa”, com um povoamento de estrutura linear, alinhado ao longo das vias que, privilegiando as cumeadas, são imensas e dificilmente hierarquizáveis. Os vales estão libertos para a agricultura e não se nota uma grande apetência pela sua ocupação.
Muitos residentes, mas nem todos, trabalham nas Caldas. Há uma presença, ainda bem marcante na paisagem, de ocupação agrícola ´(que dizem ser viável) nem toda ela complementar em relação a uma actividade principal dos agricultores.

No debate frisou-se a prioridade de, antes de mais, definir com clareza o que se pretende para aquele território, para só depois estabelecer as estratégias de intervenção.
Vincou-se a necessidade de privilegiar estratégias de estruturação, contenção e determinação de centralidades, limitando áreas de construção para manter vagos os troços viários que não estão ocupados e obrigar a preencher os vazios onde há maior continuidade construtiva. Salientou-se, no entanto, a possibilidade de os "filhos da terra" terem um estatuto diferenciado, regulamentado nos instrumentos de planeamento, que lhes permita construir e continuar a residir nos terrenos de que são proprietários, com o objectivo de reforçar a identidade local.

Discutiram-se as infraestruturas, quais?, com que custos?, com que tipologias?, a ser pagas por quem?... falou-se na hipótese de concentrar certos tipos de equipamentos em alguns pontos (centralidades) com melhor acessibilidade e na possibilidade de organizar certos serviços de uma forma itinerante.
Analisou-se o enquadramento das questões que foram sendo levantadas nas normas do PROT-OVT e de outros diplomas legais recentemente publicados, aceitando todos os presentes que a dinâmica e as decisões a tomar têm que ter em conta o território real a que vão ser aplicadas.
Salientou-se também a impossibilidade de haver ordenamento do território sem uma intervenção pública forte.
No final da discussão, perfeitamente cordial mas acalorada, chegou-se a uma relativa convergência de pontos de vista, sem discrepâncias inultrapassáveis.
Na nossa memória fica ainda o belo almoço que a Junta de Freguesia nos proporcionou (enchidos, grelhados, vinho da terra...) e que decorreu num ambiente de grande simpatia.
15 de setembro de 2009
14 de setembro de 2009
1.º Encontro e Passeio Temático do CAID
13 de setembro de 2009
25 de julho de 2009
1º Encontro e Passeio Temático do CAID
No passado dia 18 de Julho, por iniciativa do Pelouro do Planeamento e Urbanismo da C.M. de Caldas da Rainha e com o apoio da Junta de Freguesia de Alvorninha, foi efectuada a primeira reunião do CAID - Clube dos Amigos/Inimigos da Dispersão, seguida de visita à freguesia de Alvorninha.
Este clube informal, foi iniciado por um grupo de académicos e tem em vista a discussão e aprofundamento da temática da dispersão urbana, suas vantagens e desvantagens, assim como os custos económicos e sociais associados e a sua inserção na temática geral do planeamento do território.
A visita contou com a participação de docentes na área da geografia e do planeamento das universidades de Évora, Aveiro e Lisboa, profissionais liberais na área do urbanismo e técnicos das câmaras municipais de Caldas da Rainha, Lisboa, Coimbra, Palmela e Lourinhã, num total 21 membros do CAID, aos quais se juntaram o presidente e membros da Assembleia de freguesia de Alvorninha e presidentes das juntas de freguesia de Carvalhal Benfeito e Stª Catarina.
A reunião começou com a apresentação de uma caracterização da freguesia - feita pelo respectivo Presidente, Engº Virgílio, seguida por um trabalho de análise territorial da responsabilidade do Dr. Carlos Gonçalves, do Gabinete de Planeamento e Urbanismo da CMCR.
Seguiu-se um debate que se prolongou pela visita à freguesia, almoço e parte da tarde, donde emergiram vários consensos sobre a ocupação linear do território, sua relação com as práticas tradicionais e infraestruturas básicas e necessidade de conter e qualificar os lugares tradicionais.
No final um consenso unânime sobre a hospitalidade da freguesia.
joão aboim
Vereador do Planeamento e Urbanismo
e membro da direcção do CAID
Notícia publicada na "Gazeta das Caldas" de 24 de Julho de 2009
16 de julho de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Correspondendo à ideia de troca de opiniões sobre o tema, aqui vão alguns comentários sobre aspectos que me surgiram a este propósito
1-delimitação/ diagnóstico
Nesta fase, sem dúvida que será interessante contar com uma tipologia-padrão de áreas de ocupação dispersas que possa servir de referencial para uma abordagem das situações concretas, que julgo ser o que se pretende com esta iniciativa. Também saliento a questão da escala, o nível regional ou local da análise. Elementos de caracterização como a densidade de ocupação, afastamento das edificações, existência de infraestruturas fazem parte dos elementos que acho que qualquer metodologia irá considerar para uma delimitação estandardizada. À escala local (e talvez até subregional e regional) outros elementos podem ajudar a estabelecer os limites exteriores das áreas de ocupação dispersa como cursos de água, vias, diferenças relevantes no meio físico, estrutura fundiária…etc, deste modo adaptando à situação específica o tal referencial padrão.
2-delimitação/estratégia
Julgo que a delimitação vai também confrontar-se com a estratégia. Situando-nos por exemplo ao nível municipal, a delimitação das áreas de ocupação dispersa vai depender também da estratégia de ordenamento para o território concelhio, isto é da forma como se pretende intervir e orientar no pendor mais urbano ou mais rural de determinadas áreas de ocupação dispersa, pensando aqui só nas duas categorias do decreto citadas no blog.
3-Contributo de outras experiências
Algures no blog parece-me ter visto uma referência ao interesse de se considerar outras experiências. Lembro por isso que, dada a riqueza de experiências que a elaboração dos PDM permitiu e tendo em conta que ao cobrir todo o território nacional, contêm exemplos das diferentes situações de ocupação dispersa e de diferentes critérios de delimitação, análises e soluções de ordenamento, (nos PDM cujo processo de elaboração segui lembro-me de várias situações), julgo que revisitar alguns casos mais ilustrativos para este tema poderá ser útil. Assim, deixo esta sugestão, embora pensando que muito provavelmente já foi considerada.
Por último, quero aproveitar para dizer que acho esta iniciativa do clube muito interessante.
Um bom trabalho para todos!
Mª Albina Martinho
14 de julho de 2009
CONVERSAS SOBRE O TERRITÓRIO
Moderador: Jorge Carvalho (Urbanista, Prof. Associado Convidado na UA)
Oradores: Fátima Matos (Prof. Auxiliar de Departamento Geografia da FLUP) - “Necessidades Habitacionais e Política Habitacional - Uma visão das propostas do Plano Estratégico da Habita ção 2008-2013” e Sheila Holz (Licenciada em Direito, especialização em Direito do Urbanismo, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas. A concluir o Mestrado em Planeamento Territorial - Ordenamento da Cidade (UA)) - Tese de Mestrado - “O Direito à Habitação no Brasil (legislação recente)”
10 de julho de 2009
CONVERSAS SOBRE O TERRITÓRIO
De quanto em quanto tempo? De 2 em 2 meses
Horário? 14h30 - 18h00
Onde? Biblioteca Municipal de Aveiro
Público-alvo? Comunidade académica e profissional, todos os cidadãos com interesse na matéria
Quanto? 5€ por conversa
Organização:
Universidade de Aveiro, Associação Portuguesa de Planeadores do Território, Câmara Municipal de Aveiro, Núcleo de Arquitectos de Aveiro, Delegação Distrital de Aveiro da Ordem dos Engenheiros, com o apoio do Diário de Aveiro.
15 de junho de 2009
Reconhecimento normativo da Ocupação Dispersa (Decreto Regulamentar n.º 11/2009)
O Decreto Regulamentar n.º 11/2009 traz-nos, de alguma forma, o reconhecimento legal de que a Ocupação Dispersa existe, e que deverá ser expressa/delimitada no zonamento dos planos. Estabelece, em concreto, duas categorias de disperso, uma em solo rural e outra em solo urbano:
- Artigo 19.º, 2, b): Áreas de edificação dispersa - correspondendo a espaços existentes de usos mistos, devendo ser objecto de um regime de uso do solo que garanta a sua contenção e o seu ordenamento numa óptica de sustentabilidade e serem infra-estruturados com recurso a soluções apropriadas às suas características.
- Artigo 21.º, 1, f): Espaços urbanos de baixa densidade - áreas edificadas com usos mistos às quais o plano municipal de ordenamento do território atribui funções urbanas prevalecentes e que devem ser objecto de um regime de uso do solo que garanta o seu ordenamento numa óptica de sustentabilidade e a sua infra-estruturação com recurso a soluções apropriadas.
De sublinhar, então, como passo positivo do Decreto Regulamentar n.º 11/2009, a orientação de que os PMOTs deverão:
- reconhecer e delimitar as áreas existentes de Ocupação Dispersa;
- incluí-las, preferencialmente, em duas categorias, conforme a atitude dominante pretendida for de contenção edificatória ou de consolidação urbana de baixa densidade;
- perspectivar, em qualquer caso, o seu “ordenamento numa óptica de sustentabilidade e a sua infra-estruturação com recurso a soluções apropriadas”, necessariamente distintas das soluções a adoptar no urbano tradicional.
Jorge Carvalho
Fátima Saraiva
14 de junho de 2009
DIRECÇÃO do CAID
Formação académica: Arquitectura Paisagista
Exercício Profissional: Docente Universitário - Universidade de Évora
Concelho de Residência: Évora
ÁLVARO DOMINGUES
Formação académica: Geografia
Exercício Profissional: Docente Universitário - Universidade do Porto - Faculdade de Arquitectura
Concelho de Residência: Vila Nova de Gaia
ANTÓNIO PORFÍRIO MAIA
Formação académica: Arquitectura e Qualificação da Cidade
Exercício Profissional: Vice Presidente CCDR Algarve
Concelho de Residência: Faro
CLARA MENDES
Formação académica: Geografia
Exercício Profissional: Docente Universitária - Universidade Técnica de Lisboa - Faculdade de Arquitectura
Concelho de Residência: Lisboa
FÁTIMA SARAIVA
Formação académica: Geografia
Exercício Profissional: Geógrafa - Profissional Liberal
Concelho de Residência: Coimbra
FERNANDO BRANDÃO ALVES
Formação académica: Arquitectura e Planeamento
Exercício Profissional: Docente Universitário - Universidade do Porto - Faculdade de Engenharia
Profissional Liberal
Concelho de Residência: Porto
JOÃO ABOIM
Formação académica: Arquitectura
Exercício Profissional: Profissional Liberal - joão aboim, arquitectos
Concelho de Residência: Caldas da Rainha
JORGE CARVALHO
Formação académica: Engenharia e Planeamento
Exercício Profissional: Docente Universitário - Universidade de Aveiro
Concelho de Residência: Coimbra
JORGE GONÇALVES
Formação académica: Geografia
Exercício Profissional: Docente Universitário - Instituto Superior Técnico
Concelho de Residência: Lisboa
LUÍS JORGE BRUNO SOARES
Formação académica: Arquitectura
Exercício Profissional: Profissional Liberal - BSA, Bruno Soares Arquitectos
Concelho de Residência: Sintra
MARGARIDA PEREIRA
Formação académica: Geografia e Planeamento
Exercício Profissional: Docente Universitária - Universidade Nova Lisboa - Departamento de Geografia e Planeamento Regional
Concelho de Residência: Mafra
PEDRO GEORGE
Formação académica: Arquitectura e Planeamento
Exercício Profissional: Docente Universitário - Universidade Técnica Lisboa - Faculdade de Arquitectura
Profissional Liberal
Consultor da Câmara Municipal de Albufeira
Concelho de Residência: Lisboa
6 de junho de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Mas o urbano, hoje, não é disperso? E o rural não é disperso?!
A noção de "dispersão" estará relacionada antes com questões morfológicas da ocupação do território (contiguidade ou não da edificação, e/ou densidade de infra-estrutura - que deveria aqui limitar-se à ideia de redes, i. e. linhas).
Um aspecto que me parece fundamental é a escala da observação...
Tomemos: bairro de moradias unifamiliares (construções em proximidade, densidade populacional e construtiva baixa à escala de 1km2; é diperso? dependerá do contexto não vos parece?) sector modernista de cidade (construções em altura, densidade populacional e construtiva baixa à escala de 1km2; é disperso? provavelmente não, pois faria parte de um corpo urbano de grande dimensões mas relativamente "compacto" lendo no seu conjunto).
A dispersão estará assim em função da escala da estrutura económico-social que lhe dá origem.
Isto é dispersão como a não optimização do espaço territorial. Senão trabalhemos antes com os índices de densidade populacional e/ou de actividades.
Paulo Silvestre, arquitecto
5 de junho de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Se o processo for para automatizar/ normalizar, teremos de usar uma outra base: um círculo de 50 m de raio? ou de raio dependente do próprio nível de IDO? é possível!
Parece-me inevitável usar uma determinada área finita para a definição do nível de dispersão urbana num ponto...
José Manuel Martins
Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas
Universidade de Aveiro
30 de abril de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Procurar critérios quantitativos assentes na área de construção e na existência de vias infra-estruturadas afigura-se quase incontornável.
Fátima Saraiva
10 de março de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Como isto está calmo (demais?) aqui vai uma proposta para o 1º tema.
Seria necessário quantificar “dispersão” para a definir - em especial “legalmente”.
Proponho uma equação do tipo IDO = a.MRI + b.AC + c.O
Sendo
IDO: Índice de dispersão da ocupação
MRI: Metros lineares de vias infra-estruturadas, m/km2 AC: Área de construção, m2/km2
O: Outros a definir pelo Painel
a,b,c: coeficientes de ponderação
A base geográfica seria 1 km2: cada ponto (x,y) tem um valor de IDO baseado nas características da área do quadrado definido pelos pontos (x-500, y-500) e (x+500, y+500).
A partir desta relação seria possível construir em cima de qualquer mapa um conjunto de isolinhas de iso-IDO.
2ª fase: seriam seleccionados 5 casos concretos de “km2” entre as situações de rural e urbano – com um gradiente razoável de IDOS.
Cada membro do Painel deveria independentemente classificar estas situações como “Urbano”, “Disperso” ou “Rural” (eventualmente atribuindo percentagens?). Os valores correspondentes a 50% das respostas “Urbano”/”Disperso” e “Disperso”/”Rural” seriam adoptados como limites formais das classes.
Aí está alguma coisa em que bater!
Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas
Universidade de Aveiro
8 de janeiro de 2009
1.º Tema | Como delimitar a Ocupação Dispersa?
Sendo a Ocupação Dispersa uma expressão da Sociedade actual e sendo esta crescentemente urbana, diversos autores consideram-na uma nova forma urbana, assente na mobilidade, integrante da Cidade "alargada", "difusa", na qual a ruralidade apenas subsiste como arquétipo.
Mesmo que assim seja ao nível cultural e vivencial - e esta é uma discussão que vale a pena ter - persiste a questão ao nível da ocupação física.
Adoptando definições elementares e, como tal, consensuais:
- Urbana (ou urbana tradicional), uma ocupação assente na edificação e espaço público/infra-estruturas;
- Rural, uma ocupação essencialmente agrícola ou florestal;
- Dispersa, será a ocupação em que o urbano e o rural se misturam, se interpenetram.
É esta Ocupação Dispersa, com expressão crescente no território, que se pretende conhecer e, se possível ordenar.
Mas, para tal e antes de mais, importa identificá-la, delimitá-la, com base em critério tão consensual quanto possível, que permita organização de informação, análises e soluções comparáveis entre si.
De notar que entre o Urbano de edificação compacta e contínua e o Rural não edificado, ocorrem todas as situações intermédias. Qual o critério fronteira para separar o Urbano do Disperso? E qual o critério fronteira para separar o Disperso do Rural?
Articulada com estas, surge a última pergunta, como delimitar uma área de Ocupação Dispersa?
Note-se que a resposta poderá depender da escala territorial a que nos situarmos. Numa escala regional ou nacional, a questão poderá até nem se colocar, podendo considerar-se suficiente a adopção de quadrícula georreferenciada. Mas, para a escala local, a escala de vizinhança, a escala a que se organiza o serviço de infra-estruturas, importa delimitação muito mais precisa.
Considerando estudos e caminhos já percorridos, ressaltam desde já duas observações, a considerar para a fixação de um critério:
- Para ser universal, terá que ser de aplicação fácil, utilizando instrumentos informáticos correntes;
- Para ser útil, operativo, terá que considerar, pelo menos, edifícios e vias existentes.
Aqui fica, pois, o desafio. Se chegarmos a conclusões, a um critério consensual, poderemos sugerir à DGOTDU a sua adopção à escala nacional, para ser considerado nos processos de Monitorização e Avaliação (que tardam em arrancar), ou até para a delimitação de categorias de espaço em planos zonamento.
Vamos à discussão, que surjam opiniões contraditórias ou complementares. Estas notas, introdutórias, apenas isso pretendem suscitar.
Esperam-se contributos com base em experiências, já ensaiadas, e/ou em pensamento erudito produzido ou a produzir.
Para quem ainda não tenha pensado no assunto, anexam-se três cartas com povoamento disperso, que poderão ser utilizadas em ensaios de delimitação.
Saudações,
Jorge Carvalho.
Carta 1
Carta 2
Carta 3
5 de janeiro de 2009
Abertura e bom ano novo
Este clube foi fundado em paralelo ao Projecto de Investigação “Custos e Benefícios, à Escala Local, de uma Ocupação Dispersa” promovido pela Universidade de Aveiro e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Nesse contexto, ocorreu à equipa que coordena a investigação a ideia de organizar um “clube” informal, sem quotas nem estatuto legal, a que se designou “Clube dos Amigos e dos Inimigos da Dispersão” (CAID).
Pretende-se que o blogue que hoje se inaugura se constitua como a “sede social” do clube e o espaço onde os seus membros se poderão encontrar e discutir temas de interesse.
Para além do blogue, o clube irá ter diversas actividades nomeadamente tertúlias, passeios temáticos, exposições, ciclo de cinema, etc., tudo o que, a propósito do tema, cada um de nós se propuser organizar.
Em síntese, pretende-se que o conjunto de actividades aqui referidas constitua o pretexto para criar e dinamizar uma rede informal de pessoas interessadas na reflexão sobre a Ocupação Dispersa.




