11 de março de 2015

AULA ABERTA - Sociologia Urbana

Quando:
11 de Março de 2015 | 18:00 - 20:00

Onde:
IST | Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Georecursos  | Anfiteatro VA 5

Organiza:
IST-MUOT | Mestrado em Urbanismo e Ordenamento do Território

Social Network Analysis
“Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde”. Fernando Pessoa

- Métodos digitais nas redes sociais: Manifestações de Junho de 2013 no Brasil
Janna Joceli

- Análise de redes sociais em modelos de governação integrada. O caso do projeto «O Nosso Km2»
Rui Nunes da Silva

Ver mais:
http://www.civil.ist.utl.pt/documentos/Anuncios/Aula_Aberta_11-3-2015.pdf

9 de março de 2015

Urbanização dispersa e mobilidade no contexto metropolitano de Natal: a dinâmica da população e a ampliação do espaço de vida

Ricardo Ojima
Felipe Ferreira Monteiro
Tiago Carlos Lima do Nascimento

URBE - Revista Brasileira de Gestão Urbana,
v.7, n.1, 2015.

Resumo

Embora ainda coexistam no espaço urbano o modelo concêntrico e o disperso de urbanização, considerasse aqui que esse fenômeno reflete mais a cristalização e materialidade dos processos anteriores do que a perpetuação da mesma dinâmica urbana que os fizeram existir. A hipótese perseguida é a de que há um novo padrão de urbanização disperso e fragmentado que tem tornado o tecido urbano socialmente mais heterogêneo e que tal característica coloca novos desafios tanto para a esfera social quanto para a escala individual. Assim, apresenta-se o processo de expansão urbano da Região Metropolitana de Natal (RMN), a partir de uma abordagem espacial e demográfica, em direção ao eixo sul de desenvolvimento urbano. Nesse sentido, observar as transformações ocorridas ao longo da década de 2000 nos permite compreender a dimensão do fenômeno e do processo de dispersão urbana na região e ainda analisar o seu impacto. Os resultados permitem confirmar a ampliação dos espaços de vida associados a uma tendência para a dispersão urbana no sentido sul da RMN, indicando que tais processos também estão por ocorrer em regiões metropolitanas nordestinas.

Considerações finais

A expansão urbana acelerada nesse novo contexto contemporâneo constitui-se, portanto, em uma nova forma de viver a cidade. Uma cidade líquida onde há um descompasso entre o espaço de vida urbano e o espaço de vida social. A política urbana deveria, portanto, seguir alguns princípios básicos, buscando recuperar a função social da cidade de modo a integrar essas dimensões e favorecer uma visão integrada e sistêmica da cidade para o indivíduo.
Mas a participação da população nos mecanismos de gestão local, ao mesmo tempo em que se torna um contexto privilegiado de transformação, torna- se uma demanda pouco exercida pela comunidade, pois a vida cotidiana na cidade dispersa passa a ser fragmentada devido à fluidez dos nexos da mobilidade espacial. Ou seja, a fragmentação espacial ao mesmo tempo em que expande os espaços de vida individual (Marandola, 2006; Marandola & Mello, 2005), também cria um efeito de desfiliação social no local de residência e de trabalho.
Essa condição propicia um avanço da sociedade moderna para um processo de liquefação, onde “os fluidos se movem facilmente” (Bauman, 2001, p. 8). Na maioria dos casos, a ausência de políticas sociais e a separação dos grupos sociais no espaço (processos que caracterizam a segregação) retroalimentam as desigualdades sociais características do modelo de acumulação produtivo. Mas as pessoas se moldam, se ajustam às condições existentes e exercem a sua mobilidade no espaço urbano a fim de garantir sua reprodução social e até mesmo a mobilidade social. Assim, o estilo de vida que é engendrado pelo urbano torna-se um aspecto que serve para agravar ou não a vulnerabilidade social nos novos contextos da urbanização. Baseado nessa análise, podemos dizer que os elementos para a dispersão urbana já se encontram evidentes no contexto das regiões metropolitanas nordestinas. Essas regiões, tradicionalmente mais compactas, passam por mudanças importantes nos últimos anos que a colocam nessa nova trajetória.
Assim, detalhar os fatores demográficos contribui para entender a urbanização recente, uma vez que permite analisar o processo para além da materialidade intrínseca da cidade formal, cidade edificada. Afinal, é a partir da mudança na forma das pessoas viverem e se deslocarem pela cidade que o urbano formal vai se redesenhar nos próximos anos.
Se o planejamento metropolitano não levar em conta que novas dinâmicas de espaços de vida ampliados associados à urbanização dispersa que estão surgindo no contexto regional, o risco de que novas vulnerabilidades sociais passem despercebidas ao poder público aumenta consideravelmente. Nesse caso, o desafio de gestão se torna uma questão praticamente insolúvel, pois a ausência de uma instância legítima de poder supramunicipal que regule a lógica da ampliação dos espaços de vida faz com que a metrópole apresente efetivamente uma dinâmica populacional regional, favorecendo uma maior dispersão.

Ler artigo completo:
http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/urbe?dd1=14756&dd99=view&dd98=pb

8 de março de 2015

Rua da Estrada do Paraíso

Rua da Estrada
8 Março 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

PARA os que pensam que a Rua da Estrada é um inferno, lhes diria que é o seu contrário e que não é difícil provar tal facto de tão visível e argumentada que está a existência do paraíso, decorado interior e exteriormente e equipado com mobiliário de jardim como lhe compete. As portas do paraíso teriam que dar para a Rua da Estrada que é coisa que vai a todo o lado e não tem portagens como as vias mais rápidas.

Depois de terem provado do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva foram expulsos, como se sabe. Ei-los, no entanto, sentados à porta, já completamente calçados, vestidos e penteados de caracolitos, razoavelmente refeitos dos seus desentendimentos com o Todopoderoso. Em todo o caso, o querubim disfarçado de anjinho papudo, deve ter a espada de fogo guardada debaixo da túnica, não se lembrem eles de voltar a entrar. Da fartura do éden e da paz que reinava entre as bichezas que o habitavam, vislumbra-se daqui a fertilidade de uma galinha no choco e uma águia em sã e branca convivência. Confere.

Como é Paraíso, a Rua da Estrada organizou-se como nunca: ele é passeios, rampas, baias de estacionamento, passadeiras, iluminação, bandeiras, petúnias em vasos e tiras relvadas, separação de faixas de entrada e saída de veículos, caixotes verdes para o lixo e o que mais se poderia ver ao longe se não fosse a curva.

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/rua-da-estrada-do-paraiso

7 de março de 2015

Ciudades menguantes

miércoles, 4 de febrero de 2015




También podía haber titulado el artículo “Shrinking Cities”, o “Decrecimiento urbano”, o incluso más humorísticamente “Cariño, he encogido la ciudad”. Y es que ocurre lo mismo que con la palabra “sprawl”, la traducción del término “shrinking” cuando se refiere a ciudades no es sencilla, ya que se trata más bien de un conjunto de procesos con múltiples aristas que de un concepto claro y bien delimitado. Hace algunos años, cuando estábamos en plena orgía de la construcción inmobiliaria, si alguien hubiera hablado de la necesidad de redactar planes de “decrecimiento urbano” le hubieran tomado por loco. Sin embargo, en algunos sitios ya existen experiencias al respecto.
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Shrinking Cities
Autora: Marcela Riva

¿Qué hacer: demoler, abandonar, renaturalizar? urbansplatter

Según los estudios realizados por U.N. Settlements Program para UN-HABITAT, las zonas urbanas siguen aumentando, pero con patrones de urbanización diferentes. Las grandes masas de nuevos urbanitas no llegan, como en el siglo pasado, a Europa y los Estados Unidos de América. Se están configurando una nueva clase de ciudades y las personas están migrando hacia esos nuevos “hubs” ubicados en los países periféricos o en desarrollo. De las treinta ciudades que se prevén con mayor crecimiento entre 1990 y 2030, 20 se localizan en China, 8 en África y 2 en Oriente Próximo (Sanaá y Kabul). Estos nuevos flujos migratorios, sumados a los cambios en la producción, el decrecimiento demográfico y las situaciones de conflicto político o bélico, forjan dinámicas que se evidencian en un achicamiento de las áreas urbanas, con infraestructuras infrautilizadas y zonas residenciales vacías o abandonadas. Son las “Shrinking Cities”.
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De lo expuesto en el desarrollo de este trabajo se hace evidente que no hay un único acercamiento al fenómeno de las “Shrinking Cities”, sino un conjunto de interpretaciones que se caracterizan por:
  • Su homogeneidad.
  • Manifestarse mediante patrones desiguales.
  • Presentar características locales.
  • Ser multidimensional.
  • Ser muy sensible a las decisiones e intervenciones políticas.
Se aprecia también que la manifestación del fenómeno muestra patrones muy diferentes en relación al área geográfica. Desde la perspectiva americana, el proceso es percibido en escenarios que presentan crecimiento demográfico pero con fuerte incidencias negativas debidas a los cambios en la producción de bienes originados por la deslocalización industrial y la globalización. En el contexto europeo el proceso está fuertemente ligado a los cambios demográficos, y aunque es más evidente en la región oriental no puede definirse como afectando a un área determinada. Cuando se analiza el fenómeno desde otra perspectiva (por ejemplo, la australiana), entonces los cambios demográficos dejan de ser un factor preponderante, poniendo de manifiesto las características multi-dimensionales de este fenómeno. A pesar de las características netamente locales que presentan las “Shrinking Cities”, un debate que incluya un mayor número de ejemplos localizados en regiones diversas del planeta posibilitará una comprensión profunda del fenómeno.

Autora: Marcela Riva

Hasta aquí el trabajo de Marcela. Probablemente a algunos les parecerá sorprendente que se dedique tanto esfuerzo, tiempo y dinero (personal e institucionalmente) al estudio del decrecimiento urbano, cuando resulta que la población mundial sigue creciendo de forma imparable, la concentración en las zonas urbanas no hace más que aumentar y el número de hectáreas urbanizadas por habitante es cada vez mayor. Sin embargo, tenemos ya bastante experiencia acumulada, tanto en planeamiento como en diseño urbano, de cómo “construir ciudad”, pero muy poca de cómo “desmontarla”. Y, al fin y al cabo, la metodología de análisis del ciclo de vida de un producto se está revelando como fundamental a la hora de hacer más sostenible esta sociedad. Y si aplicamos este análisis a multitud de productos (desde envases hasta edificios) ¿por qué no hacerlo con las áreas urbanizadas, con las ciudades? A algunos les sonará casi como una utopía, pero deberíamos intentar incluir en los planes de nuestras ciudades y en los proyectos de urbanización, la forma de deshacer lo que se propone construir y sus costes ecológicos, ambientales y sociales. El problema es que no sabemos cómo. De ahí el interés de este tipo de trabajos que, cuando adquieran un peso suficiente y se contrasten, serán la base de otra forma de urbanizar más respetuosa con el planeta.

Ler artigo completo:
http://elblogdefarina.blogspot.com.es/2015/02/ciudades-menguantes.html

6 de março de 2015

Do Siza para Nadir: a arquitectura é uma arte

Do outro mundo
20 Fevereiro 2015

Por Álvaro Domingues, FAUP, 18 de Fevereiro de 2015

QUANDO nos lameiros do Tâmega o gado ruminava nos prados, não se imaginaria que aí se pudesse erguer esta poesia branca, uma rigorosa geometria em betão pousada sobre uma sequência de finas paredes-lâmina que a levantam do chão e a defendem das águas se a enchente do rio galgar as margens. À volta, os muros toscos e as ruínas de casas de gados e gente ecoam o mundo que houve e que aí fica como memória de tempos e de outros trabalhos e dias; as nogueiras, as macieiras ou as figueiras completam essa atmosfera-paisagem a que um certo artista dizia estar preso por hereditariedade transmontana.

O Nadir Afonso na sua tese de final de curso dizia que a arquitectura não é uma arte. Pode ser que a maior parte não seja! Se Siza Vieira apenas soubesse ou quisesse proteger a pintura de Nadir, bastava que cuidasse que não lhe chovesse em cima e que o sol não lhe desbotasse as tintas. Mas não…, pois não só espalhou formas elementares de círculos, triângulos e quadrados no labirinto das lâminas – um jogo de leis nos espaços que estão na natureza e no espíritos dos homens, dizia assim Nadir da emoção artística -, como lhe dedicou uma obra de arte que é um espectáculo de plenitude, de exactidão, de absoluto.Não tarda nada e a harmonia matemática do Nadir virá aqui habitar com todas as suas cores e espaços ilimitados…





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http://www.correiodoporto.pt/dooutromundo/do-siza-para-o-nadir-a-arquitectura-e-uma-arte

5 de março de 2015

URBAN GEOGRAPHY: A CRITICAL INTRODUCTION

Andrew E. G. Jonas, Eugene McCann, Mary Thomas

384 pages
March 2015, ©2015, Wiley-Blackwell

Description

Urban Geography a comprehensive introduction to a variety of issues relating to contemporary urban geography, including patterns and processes of urbanization, urban development, urban planning, and life experiences in modern cities.

- Reveals both the diversity of ordinary urban geographies and the networks, flows and relations which increasingly connect cities and urban spaces at the global scale
- Uses the city as a lens for proposing and developing critical concepts which show how wider social processes, relations, and power structures are changing
- Considers the experiences, lives, practices, struggles, and words of ordinary urban residents and marginalized social groups rather than exclusively those of urban elites
- Shows readers how to develop critical perspectives on dominant neoliberal representations of the city and explore the great diversity of urban worlds

Reviews

An excellent textbook for urban geography courses: accessible, comprehensive and stimulating. For the student who wants to know how and why cities continue to matter, Andrew Jonas, Eugene McCann and Mary Thomas have produced a pedagogic tour-de-force.
Kevin Ward, University of Manchester

An excellent and comprehensive introduction to cities’ uneven geographies and the diverse processes and experiences that co-produce them. Each of its empirically rich and theoretically rigorous chapters will engage, excite and extend students, while giving them a solid grounding.
Pauline McGuirk, Director, Centre for Urban and Regional Studies, University of Newcastle, Australia

Ver mais:
- http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405189800.html
- http://societyandspace.com/2015/02/20/jonas-mccann-and-thomas-urban-geography-a-critical-introduction/

4 de março de 2015

Data visualization: Science on the map

Easy-to-use mapping tools give researchers the power to create beautiful visualizations of geographic data.

Mark Zastrow
04 March 2015
NATURE | TOOLBOX

...

TileMill is just one tool in the emerging field of customized mapping, where a bevy of open-source technologies and start-ups have given rise to an abundance of offerings for researchers and enthusiasts (see ‘Get on the map’). These tools are more approachable for novices than the conventional geographic information systems (GISs) that geographers have long used for analysis of geospatial data sets. They allow non-specialists to easily visualize, manipulate and share their data in formats that are as slickly browsable as Google Maps but with greater power and flexibility.
...

Duncan A Smith, CASA UCL
House prices around London, from Duncan Smith's 'LuminoCity' maps.
Click for interactive version.







Ver mais:
http://www.nature.com/news/data-visualization-science-on-the-map-1.17024?WT.ec_id=NATURE-20150305

Rua da Estrada do Brasil

Do outro mundo, Rua da Estrada
4 Março 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

A RUA da Estrada do Brasil é hiper-realista. Aquilo que noutro lugar seria apenas uma mínima manifestação de qualquer coisa apenas esboçada, toma aqui um visual transbordante como nos ambientes da realidade aumentada: estacionar na berma pode ser de muitas maneiras; as cores e as letras multiplicam-se numa cacofonia de signos, códigos e suportes fixos e ambulantes; o asfalto vai incerto por limites de vias, valetas e passeios. Nos fios que se penduram nos mesmos postes, Ariadne não saberia encontrar solução para Teseu que até podia não ser comido pelo Minotauro mas morreria electrocutado ou permaneceria eternamente no labirinto sem nunca perceber se o fio era de telefone, de electricidade, fibra óptica ou pesca à linha.

Na vez da limpeza técnica e asséptica do tudo igual, alinhado, certinho, regulado…, vai a aventura da vida de todos os dias, a (re)construção constante de regras de partilha das coisas e dos espaços, tu não me pisas, eu não te dou caneladas, tu não me roubas a bicicleta. Não será o paraíso e, se por distracção ou exotismo parecer que é, logo virão as serpentes assanhadas.

Projectado por Niemeyer, o Palácio da Alvorada ganhou esse nome porque o Juscelino Kubitschek terá dito “que é Brasília, senão a alvorada de um novo dia para o Brasil?”. Eram tempos modernos de utopias de construção do futuro mais que perfeito. Agora, Alvorada é nome de loja de rações para cães e gatos.

Me parece que nem uma coisa nem outra são boas para o brasileiro. Que venha então a primeira luz do dia, que eu estava à toa na vida / o meu amor me chamou / pra ver a banda passar cantando coisas de amor, como canta o Chico.  






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http://www.correiodoporto.pt/dooutromundo/rua-da-estrada-do-brasil

3 de março de 2015

Disponibilização da COS 2007 no portal iGEO

A Direção-Geral do Território (DGT) tem como missão, em matéria de atividades no domínio da cartografia, promover a cobertura cartográfica nacional através da criação e manutenção de bancos de dados de informação geográfica, assegurando ainda a sua publicação e distribuição.

Sendo detentora de uma importante ferramenta para o conhecimento do território, a DGT vai disponibilizar gratuitamente, no âmbito da iniciativa de dados abertos, a Carta de Uso e Ocupação do Solo 2007 (COS 2007) à administração pública e às instituições de ensino e de investigação, visando fomentar a utilização e divulgação da informação geográfica produzida, bem como estimular o conhecimento, dinamizar o emprego e a partilha de dados.

A COS2007 é uma cartografia temática que pretende caracterizar com grande detalhe a ocupação/uso do solo no território de Portugal Continental. Foi produzida com base na interpretação visual de imagens aéreas ortorrectificadas, de grande resolução espacial (50 cm) e quatro bandas espectrais (azul, verde, vermelho e infravermelho próximo). No processo de produção, bem como no controlo de qualidade, fez-se uso de bases de dados auxiliares provenientes de fontes diversas, incluindo séries multi-temporais intra-anuais de imagens de satélite. A informação cartográfica da COS2007 encontra-se em formato vetorial e possui uma unidade mínima cartográfica de 1ha. A nomenclatura é constituída por um sistema hierárquico de classes de ocupação/uso do solo, com cinco níveis, e possui 193 classes ao nível mais detalhado. Como resultado do controlo de qualidade realizado pode afirmar-se que a COS2007 possui uma exatidão posicional melhor ou igual a 5,5 m e uma exatidão temática global de 85.13% com um erro de 2.00% para um nível de confiança de 95%.

Ver mais:
http://www.dgterritorio.pt/noticias/disponibilizacao_da_cos_2007_no_portal_igeo/

2 de março de 2015

Urban Transformations: Centres, Peripheries and Systems

Edited by
Daniel P. O'Donoghue

Definitions of urban entities and urban typologies are changing constantly to reflect the growing physical extent of cities and their hinterlands. These include suburbs, sprawl, edge cities, gated communities, conurbations and networks of places and such transformations cause conflict between central and peripheral areas at a range of spatial scales. This book explores the role of cities, their influence and the transformations they have undertaken in the recent past. Ways in which cities regenerate, how plans change, how they are governed and how they react to the economic realities of the day are all explored. Concepts such as polycentricity are explored to highlight the fact that cities are part of wider regions and the study of urban geography in the future needs to be cognisant of changing relationships within and between cities.

Bringing together studies from around the world at different scales, from small town to megacity, this volume captures a snapshot of some of the changes in city centres, suburbs, and the wider urban region. In doing so, it provides a deeper understanding of the evolving form and function of cities and their associated peripheral regions as well as their impact on modern twenty-first century landscapes.

Contents

- Introduction: Urban Transformations: Centres, Peripheries and Systems
Daniel P. O’Donoghue
- 1.  The anatomy of urban sprawl in the Mediterranean region: case of the Girona districts, 1979-2006
Juli Valdunciel-Coll
- 2.  Urban regeneration in Porto: reflections on a fragmented sub-regional space, without institutional powers and ‘lost’ between central government and local authorities
Pedro Chamusca
- 3.  Consumption of advanced internet services in urban areas: a case study of Madrid
Rubén Camilo Lois-González, Francisco José Armas-Quinta and José Carlos Macía-Arce
- 4.   Housing market dynamics in a peripheral region: the Atlantic Urban Axis in Galicia, Spain: 2001-2010
Alejandro López-González and Maria-José Piñeira-Mantiñán
- 5.  Viability of flagship projects as models of urban regeneration: the representation of space through the discourse of the actors
Jose Ignacio Vila Vazquez
- 6.  Creativity beyond large metropolitan areas: challenges for intermediate cities in a globalized economy
Joan Ganau-Casas
- 7.  Is Pennine England becoming more polycentric or more centripetal? An analysis of commuting flows in a transforming industrial region, 1981-2001
Tony Champion and Mike Coombes
- 8.  Riots by a growing social periphery? Interpreting the 2011 urban riots in England
Wayne K.D. Davies
- 9.  In the shadow of a giant: core-peripheral contrasts in South East England
Daniel P. O’Donoghue
- 10.  The Fehmarnbelt Tunnel: regional development perspectives
Christian Wichmann Matthiessen
- 11.  Vertical extension processes and urban restructuring in Sydney, Australia
Jun Tsutsumi
- 12.  Inner-city social gentrification in Tokyo: the problem of childcare
Mikoto Kukimoto, Ryo Koizumi, Tomoko Kubo, Hiroyasu Nishiyama and Taro Kawaguchi
- 13.  Power nodes: downtowns in the periphery? A case study, Toronto, Canada
Jim Simmons
- 14.  Just ‘dumb and boring’ or ‘over’? Lifecycle-trajectories, the credit crunch and the challenge of suburban regeneration in the US
Markus Hesse
- 15.  Urban transformation for sustainability and social justice in urban peripheries: new forms of urban segregation in post-apartheid cities
Simphiwe Mini
- 16.  Recent morphological trends in metropolitan South Africa
H.S. Geyer, H.S. Geyer Jr, D.J. du Plessis and A. van Eeden
- 17.  Metropolitan transformation and polycentric structure in Mexico City: identification of urban sub-centres, 1989-2005
Adrián Guillermo Aguilar and Josefina Hernández-Lozano
- 18.  Delhi and its peripheral región: perspectives on settlement growth
Debnath Mookherjee, H.S. Geyer and Eugene Hoerauf

Introduction

This book contains a number of discrete chapters based on ongoing research by members of the International Geographical Union (IGU) Urban Commission. One of the key aims of the IGU Urban Commission is to draw together urban researchers from around the world to share their experiences, knowledge and expertise from particular world regions. The authors in the book reflect the diverse international membership of the Urban Commission as does the range of countries and regions which are the focus of the research. This book not only reflects the important role of cities around the world but also identifies a huge variety of urban issues with which researchers engage. every four years the Commissions of the igU are requested to submit applications to continue their mandate. These applications are then considered by the igU every four years at the international geographical Congress. at the 2008 Congress in Tunis the Urban Commission was given a mandate to explore “emerging Urban Transformations” following on from their previous mandate to “Monitor the Cities of Tomorrow”. Each Urban Commission meeting has its own identity and a specific focus or theme. The theme of the Canterbury meeting of 2011 was “cores and peripheries”, which could be interpreted in a very wide sense – thus the diversity of chapters included in this volume. during the meetings there were a number of field excursions that explored the nearby global city of London as well as some more remote smaller peripheral centres within the south east region. The mandate given by the igU to the Urban Commission for 2008–2012, the long term history of the Urban Commission, and its focus on urban systems that date back to its inaugural meeting in 1976 in Leningrad, each contributed to the conception of the book.
The title reflects the conflicts within urban geography between central and peripheral areas at a range of spatial scales. As we discover within the book definitions and interpretations of what constitutes “urban” are constantly evolving. Urban entities and urban typologies are changing constantly to reflect the growing physical extent of cities and their hinterlands, which may or may not include suburbs, sprawl, ex-urbia, edge cities, gated communities, conurbations and networks of places. There is much debate over the precise nature of places and the terminology used, and this is reflected throughout the book in different spatial, historical and conceptual contexts. internally, cities are regenerating physically, socially and economically each of which has related impacts at various distances from the city and across regional, national and global spaces and networks. This book hopes to capture a snapshot of some of the changes in central cities, suburbs, and the wider urban regions around the world so that students of the subject get a real exposure to, and understanding of, the evolving form and function of cities and their associated peripheral regions as well as their impact on modern twenty-first century landscapes. Chapters explore case studies from a range of countries including Spain, Portugal, France, UK, Denmark, Australia, Japan, USA, Canada, South Africa, Mexico and India.
When the mandate for the 2008–2012 Commission was being adopted and prepared in 2007 few of us envisaged the far reaching consequences of the “credit crunch” or the “global economic crisis” that were almost upon us. One would like to think we were a rather prescient group of urbanists when we decided upon “emerging Urban Transformations” as our mantra for the forthcoming years, but while very appropriate i can assure you we did not have a crystal ball. Despite the lack of a crystal ball we knew, as all geographers do, that the world is in constant flux. As most of the world’s population now live in cities we also knew that there would be continuous and incremental changes in those cities. Changes in their form, changes in their functions, and changes in their relationships with each other were all to be expected. however, we did not foresee either the spatial extent or depth of the changes that would follow the events of late 2007 and early 2008. We were not just entering a period of economic uncertainty, but one of the deepest and most prolonged and turbulent periods of economic uncertainty the modern world has ever known. In some senses, we were like accidental tourists who had suddenly arrived in a new place or paradigm, but like all good tourists we had our cameras at the ready to record the changes taking place. Urban geographers face a series of challenges with new and surprising opportunities for research into topics and places that only a year or two before were unthinkable. There was now the chance to explore cities and urban change in a period of rapid economic and social change with changes that could no longer be described as incremental. The Urban Commission’s mandate to explore “emerging Urban Transformations” retrospectively seems not just timely and appropriate, but ideal. The book is divided into four sections each with a strong link to a particular world region, but also with links to particular aspects of the changes taking place in our cities on a global scale.
One theme that seems to emerge in a number of chapters is that of “resilience”. While only one chapter (Chapter 14) makes explicit reference to this term, many other chapters explore this concept more implicitly. The idea of resilience is particularly relevant when one considers the way in which urban places respond to external shocks. In many senses all of the chapter are concerned with the way in which various cities, regions and systems perform in the face of problems they have experienced during the current economic meltdown. In a sense, the individual chapters taken as a collective, highlight the resilience of cities. The processes of urban change are a response to the pressures placed on cities and their systems. it is clear not all places respond similarly to external stimuli. due to different circumstances different locations perform differently, each depending upon the complex interaction of global, national and local forces for change. a key component of these variances is the level of development found in particular locations. Both absolute and relative differences in development between places at both continental and global scales helps structure the book into four sections.
It is not the purpose of this book to come up with all the answers. However, a likely reason for most urban geographers conducting their research is that it may help improve “urban areas” for their populations. To do so authors hope that some of their material holds policy relevance and that lessons may be learned from various models of governance. it is impossible to say without more detailed research on each of these topics what policies should be put in place or how they should be implemented. Therefore the chapters of the book should be seen as beacons whose intent is to highlight specific problems in specific places thus raising awareness of urban change, problems, processes and the potential for policy intervention. in that light the book explores urban problems whose policy response needs to be made across the spectrum of spatial constructs. Issues, problems and processes are identified for particular neighbourhoods (Chapter 12), particular cities (Chapters 2, 4, 8, 11, 13), particular city-regions (Chapters 9, 14, 17, 18), particular regions (Chapters 1, 3, 7), particular countries (15, 16), and across more than one country (5, 6, 10). In each case there will be no global solutions, but the concept of subsidiarity should certainly be applied, whereby the appropriate policy responses are made at the appropriate scale.
The very fact that one might organize the chapters according to scale, as in the previous paragraph, raises questions surrounding the organization of this book. A number of reviewers have suggested a variety of approaches, all valid. This is always going to be a problem for a book of this nature. What is the best way to organize a series of individually written case studies into a coherent collective? Should one organize the book according to the scale of analysis or sets of distinctive processes or themes? i believe the answer is one of preference rather than correctness, one of interpretation rather than precision, and one of outlook rather than of result. given the nature of the varied chapters, each exploring differing locations, utilizing differing scales and methods of analysis, identifying differing processes, with differing and often distinctive outcomes, based upon differing policies and forms of governance, across differing levels of development to try and utilize any one of these dimensions as an organizing principle seems rather odd to me. While some might see the choice as arbitrary and recognizing that whatever organizing principle i utilize will leave me open to criticism, i am happy to pin my colours to the regional mast. The book is therefore organized according to the geographical location from which the case studies are derived. in doing so i argue there can be no other way to organize the book, otherwise one might falsely fall under the impression that this book had some other intention than that of providing a range of case studies to highlight the variety and diversity of urban research around the world today. It really does not make a difference in what order you read these chapters, each stands on its own and tells an interesting story about a particular city, or network of cities.
The first section explores urban change on the Iberian Peninsula. This reflects both the strong representation within the Urban Commission from this region but also the great changes that have been taking place in this region in the recent past. since accession to the european Union in 1986 spain and Portugal have undergone profound changes. as these countries consolidated their democracies and opened up to the rest of europe there was a rapid inflow of funding from Europe as well as an inflow of people; both as tourists and migrants. The rapid economic advancement upon joining the eU, particularly in the spanish case, led to rapid urban investment and growth. Urban sprawl literally exploded as did property markets. Both the urban centres and peripheries were transforming at an amazing pace as these countries sought to “catch up” with the rest of europe. older centres were rejuvenated and massive projects ensued to regenerate older city centres. The new urban fabric and associated infrastructural change, both physical and technical, meant that cities in this region could now compete with other european centres for investment. however, much of this very rapid revitalization and growth was based on borrowing that often ignored underlying structural problems with their economies. Portugal and spain have been propelled into the group of southern european nations referred to as PIGS (an acronym for the countries of Portugal, Italy, Greece and Spain) with shared economic problems. The investment has dried up, many projects have been halted and potential economic collapse appeared imminent. by 2013 the worst case scenarios seem to have been avoided. it is within this context that this section explores some examples of how recent economic changes have transformed the urban spaces of the iberian peninsula.
Chapters 1 and 4 highlight the huge urban growth that took place in Spain. Chapter 1 highlights the weaknesses in the planning regime that permitted such growth to occur in the Girona districts of Catalunya, while Chapter 4 highlights how Galician housing markets behaved before and after the economic crisis. Chapters 2 and 5 explore regeneration in cities, the former with a particular emphasis on the role of governance in Porto while the latter focuses on the role of flagships projects, actors and the discourse of regeneration. Chapter 3 focuses on the differential engagement with internet technologies in madrid while Chapter 6 explores the potential of intermediate sized cities for the creative industries. it is not just the more peripheral regions of europe that have suffered since 2008. This economic crisis has struck right at the heart of the core regions of Europe. This next section examines examples from Northwest Europe with three chapters based on the UK (Chapters 7, 8 and 9) and one on Denmark (Chapter 10). Even within the core, regional inequalities have always been a topic of interest, but these have often been explored at a macro-scale, e.g. the north-south divide in the UK. it is important as geographers that we can recognize and explore inequalities and change at a variety of scales. The three chapters dealing with the UK each explore spatial variations at different scales. Chapter 7 explores the way in which large cities in northern england are connected and evolving in such a way as to question whether they are merging into one large polycentric mega-city region. This concept of polycentricity, whose definition is somewhat fluid, crops up and is debated in a number of other chapters. Chapter 9 explores the lopsided relationship between london as a global city and its surrounding urban system, or Polycentric Urban Region (PUR). Chapter 8 explores the events of August 2011 in London. It is suggested that growing inequalities and financial hardships faced by many, as austerity programmes introduced by governments to combat debt take hold, means that sometimes critical thresholds are reached and cities may tip over into violence. The london riots of 2011 are the focus of this chapter. Chapter 10 explores how regional inequalities and peripherality might be overcome in Denmark through supranational cooperation and the development of huge infrastructural mega-projects. large scale projects of this nature can have profound and almost immediate effects on cities and their residents.
The third section of the book explores a range of urban issues in other core economies outside Europe. The physical appearance of the built environment of our cities and suburbs across the world has been transformed in recent years with the advent of ever taller and denser downtown areas, ever bigger and more specialized retail developments, ever more sprawling suburbia and ever more busy workers. Drawing on examples from australia, Japan, Canada and the United states it is possible to see the transformation of downtown districts in cities such as Sydney, Tokyo and Toronto as well as the suburbs of North America. The impact of particular economic sectors such as finance and its role in the reproduction of urban space is explored in Chapter 11. The work-life balance of people, and families in particular, and the provision of social spaces and services is explored in the context of Tokyo in Chapter 12. The out of town shopping expansion begun in the United states in the 1950s seems to be reaching its culmination in the early 21st Century and this phenomena and its spatial impacts are explored in Canada’s most populous city, Toronto (Chapter 13). Chapter 14 highlights the social and economic costs of a suburban financial crisis as the issue of property foreclosure is explored in the suburban California setting of Stockton. The direct consequence of the credit crunch and global economic crisis can be clearly seen and the resilience concept is explicitly explored.
The final section of the book visits places that are considered normally to be part of the global periphery. While no longer necessarily considered to be developing countries (due to their economic growth and increasing importance) they are still not seen as core countries, and thus offer a glimpse of very different problems, pressures and processes of change. Examples are drawn from South Africa (Chapters 15, 16), Mexico (Chapter 17) and India (Chapter18). In the case of the latter two examples the cities researched are far larger than most of the examples used from the core countries (Tokyo being the exception in this instance). As such these cities are representative of urban transformations at a global scale as the cities of the developing/peripheral economies overtake those of the developed world in population and scale. The cities of the global periphery share many of the same problems that cities face everywhere. however, the uncontrolled nature and speed of growth in many of these cities has meant the scope and range of problems they face are often quite specific but would challenge even the most advanced countries in the world. In addition, some of the changes are also quite unintended (Chapter 15). In very large cities such as Mexico City and Delhi whole new networks are emerging that require further exploration. Issues of migration are very important and understanding how the whole system of places functions is important if one is to recognize and act on specific problems in specific locations. Questions over inequality and justice in cities are paramount, not just in places with particular historical circumstances, but throughout the urbanized world, especially at a time when there seems to be a widening gap between the “haves” and “have nots” which calls into question the sustainability of cities globally.
The diversity of urban research should be apparent upon reading this book, but more importantly for students of urban geography is the appreciation of how similar processes operating at a range of spatial scales can have both similar and varied outcomes based on the particular characteristics of place. different policy responses will have different outcomes around the world but ultimately all of our cities face similar sets of problems, be they social, economic or institutional. I hope you find something that interests you.
Daniel P. O'Donoghue

Ler mais:
- http://www.ashgate.com/isbn/9781409468516
- http://www.ashgate.com/pdf/SamplePages/Urban-Transformations-Centres-Peripheries-and-Systems-Cont.pdf
- http://www.ashgate.com/pdf/SamplePages/Urban-Transformations-Centres-Peripheries-and-Systems-Intro.pdf

1 de março de 2015

LA BARCELONETA. Ciudad marítima

Itinerario a pie

Quando:
1 marzo 2015 - 10.00h

Onde:
Barcelona - CCCB


Programa:
¿Cómo deben abrirse las ciudades al mar?

La acción municipal convirtió un puerto reservado a actividades mercantiles y unas playas llenas de chabolas en los espacios públicos más celebrados de la ciudad. La apertura de la ciudad al mar, sin embargo, puso en juego intereses poderosos que hacen peligrar los efectos democratizadores de esta transformación.

En cualquier ciudad del mundo, un sector situado entre la playa y el puerto histórico sería de los más caros y exclusivos. La Barceloneta, sin embargo, conserva aún el carácter popular de un barrio de clase trabajadora. Esta frágil excepcionalidad es fruto de una doble paradoja. Por un lado, la Barceloneta sufre unas presiones inmobiliarias y del turismo masivo que son fruto de la apuesta de la administración para convertir el espacio público en una herramienta democratizadora capaz de «abrir la ciudad al mar». Por el otro, lo que más ha frenado los procesos de gentrificación es la precariedad del espacio doméstico, ya que buena parte de las viviendas del barrio son cuartos de casa pequeños y sin ascensor.
En el lado de la playa, la intervención municipal retiró las barracas insalubres del Somorrostro para abrir uno de los espacios lúdicos más celebrados de la ciudad. La mejora que esta transformación ha traído a la calidad de vida del barrio se hace patente en el Hospital del Mar o en la Escuela Mediterránea, equipamientos públicos que gozan de una posición privilegiada en este frente marítimo regenerado. Sin embargo, promociones como el Hotel W - rascacielos de lujo edificado como infraestructura portuaria en suelo público ganado al mar - o la previsión de incrementar la edificabilidad de la primera línea de mar, hacen peligrar el efecto democratizador de la apertura.
En el lado del Port Vell, la administración promovió una transición en la que los muelles dejarían de estar reservados a actividades como la pesca o el tráfico de mercancías para constituir un espacio cívico abierto a todos. Pero esta operación, que alejaría el trabajo de los estibadores y pescadores de la Barceloneta, atraería también a grandes operadores comerciales e inmobiliarios que pondrían en entredicho el carácter público y abierto del puerto. Hoy todavía más, cuando la creación de una marina cerrada para grandes yates de lujo hace temer la pérdida definitiva del lugar. Al fin y al cabo, la apertura de una ciudad al mar pone en juego intereses muy poderosos. Por ello, no basta con proponerse abrirla si no nos preguntamos quién saldrá beneficiado.

Ver mais:
- http://www.cccb.org/es/itinerari-la_barceloneta_ciudad_martima-46828
- http://www.cccb.org/rcs_gene/dossier_itineraris_barceloneta.pdf

28 de fevereiro de 2015

A Rua da Estrada de Álvaro Domingues

publicado por Paulo Moreira Lopes
SEXTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO DE 2014

Para Álvaro Domingues, a estrada e tudo que a ela se pode referenciar, não se podem decifrar como quem lê um texto linear e estruturado. A estrada é um hipertexto em construção contínua (cfr: página 145).

Por isso, o autor dispõe-se a ajudar-nos a ler aquele hipertexto.

A imaginação do autor é diretamente proporcional à fantasia que margina (em alguns casos ocupa) a rua da estrada. Os factos retratados (retrato + tratado) são tão caricatos, absurdos, que a linguagem, para concorrer com os mesmos, é o mais metafórica possível.

Em resumo: é um livro de e sobre metalinguagem estradal.

Imperdível: a casa atropelada[1] (página 46) e a casa com piercing (cfr: página 55).

Novidade: eu pensava que a “Casa da Trofa” correspondia à “Casa dos Venezuelanos”. Ou será que a “Casa da Trofa” é a “Casa dos Venezuelanos” copiada e divulgada pelo Gabinete Técnico da Trofa (cfr: página 40)?

Omissão: não se abordou o Portugal convexo.

Proposta: falta acrescentar a noção de estrada ratada. É a estrada que, sendo demorada e sub-repticiamente ocupada nas suas margens (às vezes atinge a plataforma) por equipamentos (móveis e imóveis), acaba por se desvalorizar (como a moeda na idade média), de tal modo que é decidido construir uma Variante. Então passamos a ter: a rua da estrada ratada (as mais das vezes de sentido único) e a Avenida da Variante (cfr: página 157).

Vila Nova de Gaia, 12 de dezembro de 2014.

[1] Será que foi atropelada por um camião cheio de coincidências, má vontade, lapsos e aselhice?

Ver mais:
http://umreinomaravilhoso.blogs.sapo.pt/a-rua-da-estrada-de-alvaro-domingues-162350#_ftn1

27 de fevereiro de 2015

Sprawl: ¿crecimiento o metástasis?

Sprawl: ¿crecimiento o metástasis?

The End of Suburbia: Oil Depletion and the Collapse of the American Dream │ Gregory Greene │ The Electric Wallpaper │ Canadá, 2004 │ 00:51:43 │ Inglés

Los suburbios dispersos basados en la vivienda unifamiliar y el vehículo privado fueron el escenario principal del sueño americano. Surgidos en una época en la que el combustible era abundante y barato, han dado cabida a un estilo de vida que se revela cada vez más insostenible. ¿Qué ocurrirá con ellos cuando escaseen los combustibles fósiles?

Video:
https://www.youtube.com/watch?v=Q3uvzcY2Xug&noredirect=1
...

Tras la Segunda Guerra Mundial, el fenómeno del «suburbanismo», espoleado por la popularización del vehículo privado, se convirtió en paradigma del sueño americano extendiendo un monocultivo residencial sin ninguna relación con las estructuras urbanas tradicionales. The End of Suburbia retrata un modelo de crecimiento urbano basado en la dependencia del automóvil y, por lo tanto, del petróleo, apuntando a las implicaciones políticas subyacentes. El documental sostiene que este modelo está abocado al fracaso, ya que el agotamiento del petróleo es inminente si se confirma la ampliamente consensuada teoría del pico de Hubbert (Peak oil), que predice el agotamiento de las reservas de crudo extraíble para antes de 2020.

El film no ahonda en las cuestiones espaciales, arquitectónicas o sociales del modelo, como lo haría el documental canadiense Radiant City (Jim Brown y Gary Burns, 2006),aunque sí ofrece una breve pincelada del origen histórico del sprawl mediante imágenes de archivo cuidadosamente seleccionadas. Y es que, ya fuera por una mala interpretación de los componentes sociales de la ciudad jardín de Ebenezer Howard, por los excesos del patriotismo estadounidense en su apuesta por potenciar la inversión y el empleo a través de la Federal Housing Administration y los programas de ayuda a los veteranos de la Segunda Guerra Mundial, por la presión de las corporaciones automovilísticas y petroleras, o bien por la existencia de un plan deliberado para alienar a las clases medias de su ciudadanía mediante la implantación de un tipo de urbanización individualizadora que propiciaba un deseo bucólico, la casita con jardín, el caso es que un modelo que surgió y se multiplicó en Estados Unidos acabó exportándose a todo el planeta, incluida Europa. Desde Ontario hasta Shangai, pasando por Dubai, México o Madrid, la vivienda unifamiliar aislada cubre el territorio con una alfombra de espacio privado en la que el espacio público queda reducido al mínimo ancho necesario para el paso de los vehículos y a una acera que es, en la mayoría de los casos, testimonial. Resulta difícil entender cómo en contextos climáticos, orográficos y culturales tan diferentes se puede reproducir una idéntica tipología.

Tal vez, como ocurre con la telebasura, la ciudad suburbial no sea tanto lo que «la gente» pide como lo que a «la gente» se le ofrece. Quizás esa oferta se reduzca a un planteamiento de rentabilidad económica según el cual sería más provechoso construir viviendas seriadas en parcelas sin valor urbano que adentrarse en la complejidad del núcleo consolidado. En cualquier caso, su imaginario causa al mismo tiempo repulsa y fascinación entre muchos cineastas. No son pocos los filmes en los que el suburbio aparece como telón de fondo o incluso como protagonista de la narración. El documental The End of Suburbia se nutre de los Prelinger Archives, que contienen multitud de piezas audiovisuales relacionadas con el suburbio y el automóvil. En grandes éxitos de taquilla como American Beauty (Sam Mendes, 1999) o Eduardo Manostijeras(Tim Burton, 1990), el desorden interior de los protagonistas contrasta con el aspecto apacible y aparentemente perfecto de los barrios suburbiales. En el mismo escenario están confinadas las vidas de las protagonistas de series como «Mujeres desesperadas» (Marc Cherry, 2004) o «Mad Men» (Matthew Weiner, 2007). Es destacable el caso de El show de Truman (Peter Weir, 1998), rodada en Seaside (Florida), que, a pesar de parecer un decorado, es una población real, ejemplo de «New Urbanism» y diseñada según criterios de perfección similares a los del plató de televisión donde vive el protagonista. Incluso hay casos inversos donde la urbanización real parece estar inspirada en un decorado. Es el caso de la ciudad de Celebration, la versión más edulcorada del suburbio americano, creada por Disney, que bien podría haber sido el decorado donde transcurre Las mujeres perfectas (Bryan Forbes, 1975), donde las esposas son suplantadas por robots que mantienen la armonía vecinal y familiar.

Sin embargo, al igual que la realidad dinamitó la ensoñación de Celebration cuando proliferaron robos, crímenes sexuales, asesinatos o los intercambios de pareja, parece ser que la actualidad contradice de alguna manera la tesis de The End of Suburbia. Hay quien mantiene que el mundo no se está volviendo cada vez más urbano, sino cada vez más suburbano. Por ello, resultaría razonable buscar formas de densificar los tejidos urbanos, fomentar el transporte colectivo, hibridar usos o reforzar el espacio público para recuperar la urbanidad de la ciudad. Es lo que se plantea en el documental Aprendiendo del New Urbanism, que acompaña la publicación Postsuburbia, coordinada por Zaída Muxí, o también Ellen Dunham-Jones en la conferencia «Retrofitting suburbia», de manera ciertamente optimista. En contraposición a estas actitudes, encontramos lo que podría ser la evolución darwiniana del suburbio hacia el más polémico y quizás siniestro barrio cerrado. Este no es ya un barrio «ideal», sino toda una «ciudad cerrada» que ofrece a sus habitantes lo que necesiten y les libra de tener que preocuparse por la violencia de extramuros. Paradójicamente, incluso los responsables de generar esa violencia exterior escogen este recinto tan idílico como escenario de su apacible vida familiar. Tal y como haría Tony Soprano al acabar su jornada laboral.

Martín Garber, arquitecto.

Ver mais:
http://publicspace.org/es/post/sprawl-crecimiento-o-metastasis

Casa de sonho

Rua da Estrada
27 Fev 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada


DIZIA um velho ditado que “quem fez a casa na praça / a muito se arriscou / para uns, pequena de mais / para outros, de alta passou”. Fazer a casa na praça significa expor ao julgamento público aquilo que podia não passar de um recato privado quase invisível atrás dos muros e portões. Pois…, o problema é que a própria privacidade só existe por contraste com essa sua suposta incompatibilidade pública.

Lugar público como é, a Rua da Estrada é uma espécie de praça, uma passarela de pequenas vaidades que só não usa quem não pode ou pensa que tem o seu lugar tão perfeitamente definido pela sua linhagem e bom nome, que a estratégia de se mostrar é, exactamente, esconder-se no discreto charme da burguesia de berço. “Casas de Sonhos”[1]é um belo livro sobre estes dispositivos simbólicos que dão sinais de nós e do modo como nos auto-representamos quando queremos dar pública presença da nossa trajectória social ascendente. Os recursos de cena dessa dramaturgia são infinitos – cores, formas, tamanhos, jarrões orientais, pratos, frisos…; as casas servem lindamente para isso.

Há muito que se sabe que isto de viver em sociedade é um misto de diluição e distinção: queremos ser e estar entre outros mas diferentes de outros. Se assim não fosse, ou estávamos diluídos na massa, arregimentados, ou seríamos um somatório insuportável de egos. Haja então alegria!

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/casa-de-sonho

25 de fevereiro de 2015

Planning, Law and Property Rights - Conference 2015

9th Conference
Planning, Law and Property Rights



Quando:
25-27 February 2015

Onde:
Volos, Greece

Organizam:
The International Academic Association on Planning, Law and Property Rights and the Department of Planning and Regional Development (DPRD) - University of Thessaly

The International Academic Association on Planning, Law, and Property Rights (PLPR) attracts academics in spatial planning, land-use and property law, real estate or related disciplines from all parts of the world and explores urban issues, legislative frameworks, and land ownership.

Planning matters. Law matters. Property matters.
Three simple messages inspiring the growing PLPR community to examine the difficult relationship between public and private interests in the use of land.

The Academic Association's functions aim at:
* Serving as an academic peer group for research in the field. To promote research with a cross-national comparative perspective so as to enable exchange of knowledge that is so lacking in the current state of research.
* Exchanging approaches and methods in the teaching of planning law to planning students.
* Supporting young academics researching in the fields of planning, law, and property rights.

PLPR 2015 Conference welcomes any topic based on theoretical analysis, research and/or practice related to planning and law, property rights on land, real estate studies, or planning and regulatory instruments.
We welcome contributions from scholars and practitioners in planning, law, real estate and related economic issues, and we especially encourage graduate students working on topics within this realm to submit their abstracts.

Indicative topics:
•Urban planning and development, urban regeneration
•Environmental planning & sustainable development
•Housing and building regulations
•Governance, public participation and planning law
•Human rights and social justice
•Climate change and planning law
•Public/private sector and planning law
•Property rights and the market
•Cultural heritage protection

Conference website:
plpr2015.prd.uth.gr

Conferência: Arquitetura vista por não arquitetos

O Lugar do Discurso
Ciclo Temas/Capa

Quando:
25 de fevereiro, às 18h

Onde:
Lisboa - Biblioteca da Ordem dos Arquitectos

Participam:
Álvaro Domingues, Manuel Villaverde Cabral, Paulo Catrica e António Bolota

Tomando como ponto de partida o título de uma pesquisa promovida pelo Jornal dos Arquitec­tos em outubro de 1986, esta primeira sessão pretende relançar o debate sobre o campo disciplinar da Arquitetura, questionando seus limites e pri­vilegiando perspectivas que lhe são "exteriores".

Na sequência das múltiplas reconfigurações que o discurso sobre a Arquitetura, enquanto disci­plina, assumiu ao longo do século XX, importa discutir o que atualmente são considerados seus contornos — tendo em conta as dinâmicas de mútua influência, de inter-relação, senão mesmo de intersecção ou justaposição, que a Arquitetura tem estebelecido com a produção artística, a atividade científica ou o campo tecnológico, entre outros.

Com efeito, a Arquitetura parece hoje consti­tuir-se como uma prática de fronteiras flutuan­tes, que, ao mesmo tempo que procura afirmar­-se enquanto campo disciplinar autónomo, com especificidades próprias, tem se revelando um território heterodoxo e em constante expansão.

Ver mais:
http://www.archdaily.com.br/br/762575/conferencia-o-lugar-do-discurso-arquitetura-vista-por-nao-arquitetos-em-lisboa

24 de fevereiro de 2015

"O Urbanismo Comercial e o Comércio Investe"

Quando:
24 fev | 15h

Onde:
CCDR LVT

Apresentações:

Desafios e Oportunidades do Urbanismo Comercial

O Comércio Investe: enquadramento e acesso, tipologias de investimento e execução contratual 

No contexto atual, em que as atividades económicas surgem marcadas por profundas e múltiplas transformações, o comércio instalado no centro das cidades enfrenta sérios desafios que lhe são impostos pelos novos formatos comerciais instalados na periferia, e que centram a sua estratégia no binómio consumo-lazer.

Os Projetos Especiais de Urbanismo Comercial e a mobilização gerada em seu torno, representaram um inequívoco sinal da sensibilização e consciencialização dos distintos atores para o problema, sendo certo que o trabalho desenvolvido e os resultados alcançados ficaram aquém do desejado e necessário para inverter a tendência de perda de protagonismo do comércio de centro de cidade.

Neste contexto, o centro da cidade deve ser, não só encarado como um verdadeiro centro comercial a céu aberto, mas projetado e gerido com base num trabalho de parceria, em que o público e o privado concentrem esforços e recursos para um fim comum. Por outro lado, e com vista a alavancar o investimento das empresas e entidades associativas, a medida “Comércio Investe” é um forte aliado na prossecução dos objetivos das necessárias intervenções no Comércio “tradicional”.

Esta medida pretende focalizar os apoios em projetos com crescente conteúdo qualitativo, em detrimento de intervenções de natureza infraestrutural, de forma a privilegiar projetos que promovam a criação de fatores de diferenciação claros que possibilitem melhorar os níveis qualitativos da oferta comercial do comércio de proximidade, principalmente aquele que se concentra em centros urbanos ou que valoriza o produto interno. Neste sentido, são privilegiadas as atuações conjuntas destinadas ao aumento da competitividade da oferta comercial dos espaços urbanos, incentivando novas ideias e novos serviços de suporte ao cliente que permitam uma melhoria consistente e sustentada dos níveis de serviço prestado.

Ver mais:
http://www.ccdr-lvt.pt/pt/24-fevereiro-sessao-sobre-o-urbanismo-comercial-e-o-comercio-investe/8475.htm

23 de fevereiro de 2015

O DESENVOLVIMENTO DA COMPONENTE ESTRATÉGICA NOS INSTRUMENTOS DE PLANEAMENTO MUNICIPAL



Quando:
23 e 24 de Fevereiro de 2015


Onde:
Instituto Superior Técnico, Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos, Sala V1.01 (Piso 1)

OBJECTIVOS
O planeamento estratégico tem sido a melhor ferramenta para a antecipação e gestão da mudança em contextos territoriais e, em particular, urbano e metropolitanos. A passagem de um território, regulado pelos poderes públicos e dinamizada pelos actores económicos, para um outro em que o Estado, por via da aguda crise financeira, sente crescente dificuldade em afirmar-se e onde os protagonistas agora são múltiplos e até inesperados, situados nos mais diversos campos da vida colectiva, exige modalidades de governação mais eficientes, capazes de lidar com a incerteza e funcionarem em multiescalas temporais e espaciais.
O curso tem como objectivo Introduzir o conceito de estratégia territorial e desenvolver as metodologias da sua aplicação em instrumentos de gestão territorial de nível municipal; analisar os principais problemas que se colocam à governância urbana; ajudar a lidar com as ameaças e oportunidades, bem como com as incertezas do contexto nacional e internacional; apresentar e discutir formas de promoção da participação pública no planeamento e gestão urbanística e da sua articulação com as entidades públicas competentes.

TEMAS (resumo)
- A relevância, definição e conceitos da estratégica territorial.
- Diagnóstico prospectivo.
- Participação pública em estratégia territorial.
- Elaboração da estratégia territorial.
- Oficina de estratégia territorial: construção da simulação.
- Oficina de estratégia territorial: avaliação crítica dos resultados.

Ver mais:
http://www.fundec.pt/pt-pt/content/o-desenvolvimento-da-componente-estrategica-nos-instrumentos-de-planeamento-municipal-0

Edifício-montra

Rua da Estrada
23 Fevereiro 2015


Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada


A LUZ e a transparência são extraordinárias artilharias de produção de visibilidade. Por mil e uma noites, a mega-cristaleira é uma aparição, a caverna do Ali-Babá repleta de tesouros. A cena do aquário rutilante oscila entre o pornográfico, o exacerbado mais real que o real a saltar para o asfalto, e a sensualidade do apenas sugerido com a promessa de que tudo o que se desejar está contido na abundância destas caixas mágicas.

No seu ensaio sobre a sedução, Baudrillard lembra que no moralismo religioso os sedutores e os artifícios são coisas do mal, do feminino, do sexo e da perversão. Assunto diabólico ao serviço da máquina do desejo e do artifício, a sedução é um descentramento, uma irrealidade alucinada. E no entanto, porque houvera de ser isso se até um pavão destituído de pensamento mágico carrega tal parafernália de plumas e cores só para exibir aquele ritual de brilho e coreografia sobrenatural para fêmeas abstroncias? (De la Séduction, Paris, Galilée, 1979).

Na rua, à escala do peão, basta uma montra para seduzir quem passa. Na Rua da Estrada vai tudo tão depressa e é tanta a concorrência que a montra se tem que agigantar à medida do edifício. O edifício-montra cumpre ao mesmo tempo a sua função de estabelecimento comercial, de mostruário, de armazém, de escritório, etc. Depois, o agigantamento do edifício – grande, sempre que os objectos expostos são também grandes -, permite também a infinita proliferação dos objectos pequenos, da gama de produtos, da mistura entre a especialização e a combinação de coisas, ou da organização de “pacotes” como a linha de mobiliário, decoração, iluminação. São as economias de gama do showroom, como explica a pseudo-ciência da economia com palavras estrangeiras.

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/edificio-montra

17 de fevereiro de 2015

Café Canastro

Rua da Estrada
17 Fevereiro 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

OS CANASTROS são estas casas esguias e arejadas onde se guardavam as espigas e se defendiam da humidade e dos ratos. Quando veio das américas, o milho provocou uma verdadeira revolução nos campos: planta exigente em calor, regas, adubos, sachas e mil cuidados para que crescesse saudável e não fosse comida pelos morcões. Por isso o gado foi estabulado; por isso se cortavam matos nos montes para que o esterco dos animais depressa se transformasse em carradas de estrume; por isso se exploravam águas para apaziguar a sede da terra. O milho era o milagre do pão, a comida para os humanos e para os animais, o grão que se podia guardar, as medas de palha para o gado; o folhelho para os colchões; a moinha para as almofadas; o carolo para o lume. O milho era um dispositivo de socialização; as levadas comunitárias da água de rega; a junta de compartes para gerir o corte dos matos no baldio; as desfolhadas e o milho-rei para os namoros; a espiga para as alminhas ou o andor de S. Lourenço ou do S. Miguel padroeiro das colheitas…

Era o tempo do Portugal profundo, pré-moderno, pobre, descalço, resignado, emigrante. Por isso se cantava nas lavouras, para ludibriar a fome e ritmar o trabalho. Os da cidade achavam graça a esses camponeses, pobrinhos mas felizes e respeitadores.

Acabou-se. Na Rua da Estrada o espigueiro conserva a sua pose de quase-templo arruinado do deus Pã, testemunha dos encantamentos de outros tempos e da escassez de que se procura limpar a má memória.

Iremos então ao Café Canastro no rés-do-chão da casa kitada onde o seu dono terá morada; há onde estacionar para lá do portão aberto onde poderá ter havido um jardim, uma horta, galinhas e roupa a secar. Diz aquele losango vermelho com círculo branco no poste da luz que não se pode caçar. Ele há coisas muito estranhas e difíceis de entender…

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/cafe-canastro

16 de fevereiro de 2015

XIII International Conference on Urban and Regional Studies - CICURS2015

Quando:
February 16-17 2015

Onde:
London | UK

Conference Objectives
The ICURS 2015:
XIII International Conference on Urban and Regional Studies aims to bring together leading academic scientists, researchers and research scholars to exchange and share their experiences and research results about all aspects of Urban and Regional Studies. It also provides the premier interdisciplinary and multidisciplinary forum for researchers, practitioners and educators to present and discuss the most recent innovations, trends, and concerns, practical challenges encountered and the solutions adopted in the field of Urban and Regional Studies.

Topics:
  • Urban Regeneration and Sustainability
  • Planning, development and management
  • The community and the city
  • Urban strategies
  • Landscape planning and design
  • Urbanization of rural areas
  • Architectural issues
  • Cultural heritage issues
  • Waste management
  • Case studies
  • Environmental management
  • Sustainable energy and the city
  • Transportation
  • Intelligent environments and emerging technologies
  • Urban metabolism
  • Waterfront developments
  • Planning for risk
  • Quality of life
  • Infrastructures and social services
  • Sustainable urban tourism
  • Vernacular architecture
  • Planning for natural hazards

Ver mais:
https://www.waset.org/conference/2015/02/london/ICURS

12 de fevereiro de 2015

Rota das Pirâmides

Rua da Estrada
12 Fevereiro 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

O EXÓTICO é um desejo; uma máquina de sedução; um domínio geo-semântico que designa um território imenso e quente, desconfinado, longínquo e incerto onde existem coisas estereotipadas, espécie de adereços e ambiências como o cheiro das especiarias, as trovoadas tropicais, as araras, as odaliscas, as palmeiras, os batuques, os camelos, e as pirâmides, por exemplo. O exotismo alimenta-se da nostalgia, do espaço e do tempo, como memória de uma idade de ouro em paragens remotas e tempos perdidos.

Depois de Napoleão ter regressado a França após a Batalha das Pirâmides e se terem difundido as histórias prodigiosas da civilização do Nilo,[1] não parou mais o fascínio misterioso dos europeus pelo Egipto dos faraós, das esfinges, dos obeliscos, dos impérios e das Pirâmides de Gizé. Até hoje.

Desde a pirâmide do Louvre atulhado de múmias, à do hotel Pyramide de Nuremberga, à do Luxor em Las Vegas, à do Ryugyŏng em Pyongyang…, às pirâmides da Rua da Estrada, nada escapa a estes universalismos contemporâneos. Contrariamente à cidade patrimonializada que tem excesso de passado, a Rua da Estrada tem excesso de presente. No entanto, quem achar as pirâmides demasiado exóticas ou muito hieroglificamente estranhas, tem a Rota do Românico com seus templos, cristandades e granitos sem espelhos. Não tem que enganar, é seguir as setas.

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/rota-das-piramides

11 de fevereiro de 2015

“Planeamento Urbanístico: uma visão diacrónica de 40 anos de profissão” por Jorge Carvalho

Homenagem a JORGE CARVALHO


O Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da Universidade de Aveiro (UA) vai organizar a sessão de abertura do 2º Semestre com uma aula magistral, a cargo do Professor Jorge Carvalho, intitulada “Planeamento Urbanístico: uma visão diacrónica de 40 anos de profissão”.



Quando:
11 de Fevereiro, 4ªfeira, às 17h00

Onde:
Universidade de Aveiro - DCSPT - anfiteatro 12.2.1.

Ver mais:
http://www.ua.pt/dcspt/
https://www.facebook.com/OrdenarACidade

9 de fevereiro de 2015

Rua da Estrada de Atenas

Rua da Estrada
9 Fevereiro 2015

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

ANDAVAM os antepassados da Angela Merkel nas cavernas por entre ursos e outras barbaridades, quando Péricles edificava Atenas antes das guerras do Peloponeso. Era assim o mundo, aos encontrões, como sempre.

Depois de edificar a Acrópole verificou-se que custava muito lá subir e muito ventosa. De íngreme que era e de caminhos mal empedrados, as quadrigas patinavam e viravam-se de rodas e pernas para cima. Então, depois de muitos séculos prodigiosos, conseguiu-se finalmente domesticar os cavalos de uma maneira diferente de modo a que coubessem às dezenas e às centenas nos motores dos automóveis, azuis na sua maior parte. Com pneus de borracha e piso de asfalto, acabou-se com a chinfrineira das cavalgaduras, as nuvens de poeira e o lamaçal quando chovia. E assim a cidade se foi desprendendo da Acrópole, transbordando as muralhas por centenas de estádios de ruas e estradas. De tantos templos, estátuas, bronzes, teatros, mármores e outros luxos… faliu.

Por isso estão tão parados os negócios na Rua da Estrada, οδικό δρόμο: estabelecimentos fechados, espaços de publicidade que ninguém compra, pneus japoneses, alemães e franceses à espera de quem os leve…, uma pasmaceira. Terá que vir Zeus outra vez disfarçado de boi, raptar a Europa e levá-la para Creta a ver se fica menos cretina.

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/rua-da-estrada/rua-da-estrada-de-atenas

7 de fevereiro de 2015

Ao desafio com Álvaro Domingues

Ao desafio com Álvaro Domingues

Por Paulo Moreira Lopes
7 Fevereiro 2015

TODOS conhecem e frequentam a Rua da Estrada. Todos, de um modo ou de outro, contribuíram ou contribuem para a materialização e consolidação da Rua da Estrada. Ela sempre fez parte da nossa vida, mas nunca a encaramos para além da toponímia. Era uma rua especial. Só isso! Álvaro Domingues [1] foi mais longe. Abordou-a como processo de conhecimento da urbanidade por estar convicto que a forma habitual do entendimento da “cidade” não nos leva a lado nenhum (nem à Rua da Estrada?). Nós pedimos-lhe orientação para encontrar a Rua da Estrada. Agora é só seguir as respostas.

Foto de Rui Farinha

O livro A Rua da Estrada é uma equação de arquitetura, um guia turístico, uma coleção de cromos, um manifesto, um caderno de encargos, um livro de terror ou uma brincadeira de mau gosto?

Preferia pensar que nenhuma das opções de resposta, excepto a equação. E, já agora, o guia turístico. Fiz a Rua da Estrada como processo de conhecimento da urbanidade por estar convicto que a forma habitual do entendimento da “cidade” não nos leva a lado nenhum. Aquilo a que se chama cidade perdeu o monopólio da urbanização e parece que nem se deu pelo caso, nem se construíram ferramentas de leitura da diversidade urbana que hoje existe. Será que só há o Tico e o Teco nos desenhos animados? E se morre o Tico?

Se o assunto mete medo não deveria ser estudado por psicólogos ou psiquiatras, em vez de geógrafos, engenheiros ou arquitetos?

Temo que a questão contenha um pressuposto com o qual descordaria em toda a linha – o de pensar que quem constrói a Rua da Estrada poderá ser um potencial psicopata. Não e não. Quando fotografo há sempre alguém que me pergunta o que ando a fazer. Explico e então a conversa que se desenrola é a mais normal deste mundo (excepto para mentes científico-técnicas que pensam que a lógica do mundo se confina nas suas supostas racionalidades). Somos filhos do racionalismo iluminista, o mesmo que explica como é que a mesma racionalidade dá uma bomba atómica e uma máquina de tirar radiografias. Não devemos esquecer aquela frase que diz para não nos esquecermos de que quem inventou o comboio, sem saber, tinha inventado o descarrilamento.

Por que diz que na Rua da Estrada não passam só os bodes expiatórios do costume: especulação, défice de planeamento e ilegalidades?

Há (pelo menos) duas atitudes na forma como se vê o mundo: uma é analítica e outra reguladora/normativa. A analítica procura explicações para as coisas, independentemente de racionalidades e éticas ou estéticas pré-concebidas; a reguladora acha que, independentemente do que o mundo é, devia ser qualquer coisa que a sua ideologia específica, racionalidade ou estética dizem que é. Quem não quer construir ou aceitar explicações (mesmo que não concordem com a sua), usa mais facilmente um bode expiatório, uma espécie de explicação, e segue em frente. Ficará mais calmo, mas não resolve nada e continuará a não perceber o mundo. Se tiver muito poder até é capaz de destruir quem não pensa daquela maneira…, já aconteceu várias vezes.

Sendo a Rua da Estrada como uma corda onde tudo se pendura, não corremos o risco de um dia a corda rebentar com tanto peso?

Não. Os processos de auto-regulação são uma forma de encontrar equilíbrios e diminuir atritos e conflitos. Acontece em todos os contextos urbanos. Chama-se congestionamento e costuma originar um ciclo diferente que pára o processo acumulativo de aumento de carga urbana num determinado território.

É muito profundo o buraco negro aberto entre a Rua da Estrada e a ligação à autoestrada?

O buraco negro é tal qual o da física teórica: um ponto máximo de distorção do espaço-tempo com um efeito gravitacional poderoso. No nó de uma auto-estrada acede-se a uma operação de compressão do espaço-tempo que permite, através da velocidade, percorrer espaços rapidamente na via rápida. Isso coloca questões de compreensão das relações espaço-tempo no território. Quando tudo flui com facilidade, a distância física é menos relevante e é mais importante a acessibilidade e a facilidade de acesso, de relação. Por isso os nós das auto-estradas e as suas proximidades são tão procurados. Permitem vivenciar espaços muito vastos e trocar a densidade, a proximidade e a aglomeração pela acessibilidade.

Tem saudades do tempo em que as estradas eram apenas estradas?

Não. Há imensas estradas daquelas que levam ao “longe” e permitem outras poéticas da viagem. Infelizmente o país esvaziado e disfuncional é geograficamente maioritário. Há muito quilómetro por montanhas, vales e pedregulhos. Do que tenho saudades é dos bons projectos de estradas atentos às árvores, às qualidades paisagísticas dos traçados, a um ou outro facto excepcional que fica junto à estrada e por aí.

Com a atual Rua da Estrada já não se faz poesia como antigamente?

Não sofro de nostalgia. Consigo encantar-me e interessar-me com muitas das coisas da Rua da Estrada; é uma questão de mudança de atitude e de atenção ao quotidiano, ao banal, às coisas comuns da vida e a muitas excepcionalidades. Aconteceu-me o mesmo recentemente em Luanda. Aprendi mais na Rua da Estrada do que no musseque ou na Luanda do luxo e da ostentação.

Defende um inibidor de paisagens alheias à margem das estradas, ou seja, os condutores deveriam ser inibidos de se distraírem com outras paisagens a não ser as que veem correr pelos espelhos e pelos vidros?

Pois não é paisagem o que corre pelos vidros? Nós é que pensamos que paisagens são espaços abertos e grandes profundidades de campo visual. Não é verdade, estamos demasiado formatados pela estética oitocentista da pintura de paisagem. A visão a partir do automóvel é cinema; não é a atitude estática e contemplativa do caminhante enquanto sujeito empoleirado no bico de uma rocha a perscrutar horizontes.

A Rua da Estrada, por ter muitos locais sagrados (entalados ou não), torna-se um lugar de culto?

Deus não morreu, como muitas vezes se pensa. O sagrado faz parte dos mundos simbólicos que guiam as nossas crenças e aspirações. Dizia o Ovidio no seu tempo de romano da antiguidade que Dos deuses é-nos útil a existência / e como é útil existirem deuses / acreditemos que realmente existam. Como na Via Apia onde se construíam túmulos e templos votivos, a Estrada está cheia das pegadas dos deuses e do desconhecido como não podia deixar de ser, tratando-se de coisas dos humanos.

Uma casa feita na rotunda é um privilégio para quem? Para a rotunda, para os donos da casa ou para os condutores?

Para todos. Num espaço de fluxos e de relações, as rotundas são rótulas que nos tiram das linhas e nos obrigam a olhar em volta e a estar atento ao que por aí está ou passa; são momentos de intensificação da percepção (daí o trocadilho entre contornar e controlar). O inventor das rotundas, (Eugène Hénard, o que desenhou a Étoile em Paris) chamou-lhes giratórios e colocou-lhes monumentos no meio. No centro e na periferia da giração, as coisas são mais visíveis e estão mais presentes.

Só há casas de sonho na Trofa?

Todas as casas são de sonhos. Uns mais e outros menos realizáveis. Quando podemos ter alguma capacidade de decisão na escolha, construção ou modificação da nossa casa, passa-se aquilo que se passa com tudo que é nosso e que está muito exposto publicamente – acaba por reflector aquilo que julgamos ou queremos ser na sociedade. São coisas que são sinais de nós e dos nossos sonhos. Na prateleira de cima, só quem acha que está muito bem situado socialmente é que pratica “um charme discreto” quase invisível e que parece dizer “não preciso de me expor muito porque todos me conhecem a mim e à minha genealogia”. Na prateleira de baixo está-se tão frágil e inseguro que se acha que não vale a pena; está-se diluído na massa. O modernismo achava que se todos vivêssemos em blocos cinzentos do mesmo tamanho, a sociedade era igualitária e justa. Dá para rir, apesar de aborrecido.

Terá sido um camião cheio de coincidências, má vontade, lapsos ou aselhice que atropelou a casa da página 46?

Não. Foi a racionalidade abstracta de por asfalto em cima de asfalto e achar que a estrada é uma tira técnica indiferente ao contexto.

As casas kitadas são assim designadas por estarem adiantadas ao seu tempo (delas, casas)?

Casa kitada é casa que foi pensada para ser casa e que depois foi kitada para poder conter outras funções que o seu tempo reclama. São do seu tempo, portanto.

Além de casas com piercing, também existem casas tatuadas?

Muito. A tatuagem, como estudam os antropólogos, é uma poderosa linguagem simbólica de reconhecimento social. Há um século pensava-se na Europa auto-intitulada de civilizada, que tatuagens e outras coisas eram selvajarias. James Cook no sec XVIII tinha ficado fascinado com as tatuagens dos povos do Pacífico, especialmente do Taiti e da Nova Zelândia e trouxe esse gosto para a Europa, a começar pelo universo dos viajantes e marinheiros; antes, Vaz de Caminha, anotou esse tipo de decorações no relato do achamento do Brasil; não percebeu muito bem mas achava aquilo uma coisa boa na sua visão do “bom selvagem” muito antes de Rousseau. Depois a tatuagem transformou-se num exotismo e desde há muito que atingiu finalmente o seu estatuto de código estético para a cultura erudita. Não sei que diga. Gosto da variedade das casas tatuadas.

As casas teatro dão muito espetáculo a quem passa na Rua da Estrada?

A casa-teatro é um dispositivo de visibilidade e cenografia do real. Fazer cenas é o que mais no acontece. Na actividade comercial, sem cenário não há produto ou serviço que sobreviva amontoado. É a vida, como se diz do teatro.

Se as casas da Rua da Estrada têm tudo por que é que algumas usam próteses?

Porque nunca se tem tudo. Por definição, a prótese é um dispositivo tecnológico (físico, químico, electrónico..) que permite repor e/ou expandir funções e possibilidades. Vivemos em mundos cheios de próteses: casas, automóveis, telemóveis, vacinas, aviões, óculos, etc. Muito mal iria o mundo se tal não existisse. Abelhas, animais quase sem cérebro, constroem laboriosas casas todas iguais há milhões de anos. São seres “fechados”. Nós somos “abertos”, culturalmente fabricados e por isso incorporando constantemente variedade e mudança.

Se na Rua da Estrada não é a lógica do peão que conta, então não seria melhor aqueles circularem pelo meio da estrada para que os condutores e passageiros pudessem ver melhor as montras?

Ou colocar as montras no meio da Estrada… O que quero dizer é que não é só a lógica do peão que conta. Por isso não há propriamente montras (tal como as entendemos nas ruas convencionais); há vários dispositivos de visibilidade dos mais diversos tamanhos e feitios, até ao edifício-montra.

A Rua da Estrada é um lugar comum como outro qualquer?

Creio que sim no sentido em que não é nenhum lugar “esquisito” ou “anormal”. É uma das formas bastante vulgares de perceber a urbanidade enquanto relação, movimento, diversidade de funções, dotação infraestrutural, edificação.., “muitas e variegadas gentes” como diria Fernão Lopes. De resto, a Rua da Estrada não é um lugar (seja lá o que se entender por isso), é uma relação, vive do movimento.

Se vive no trajeto da Rua da Estrada também costuma fazer compras no mercado da estrada?

Sim, como quase todos nós. É difícil não parar para comprar no mercado informal de produtos agrícolas – quem vende a sua produção ou a produção de outros, desde as couves às cerejas –, nos inúmeros estabelecimentos onde há de tudo, desde automóveis e antiguidades, a bons restaurantes, sex shops ou lojas de electrodomésticos.

É possível arrematarem a Rua da Estrada?

É possível fazer arrematações e leilões na Rua da Estrada. São formas de vender.

Perante tantos códigos da estrada qual deles deverá ter prioridade?

Depende daquilo em que estejamos a pensar, visto que o Código da Estrada e os seus sinais e regras não é o único código. A Rua da Estrada é espaço público e por isso lugar de muitas formas de expressão da nossa vida em conjunto que não é possível sem regulação formal ou informal; por isso damos passagem a alguém que caminha com dificuldade ou que vai carregado sem que para isso seja necessário estar lá um sinal codificado. Já reparou como é ridículo haver faixas para bicicletas? E se as tivesse que haver também para os carrinhos de mão, os patins em linha e os carapaus de corrida? Haveria faixas coloridas e especiais para cada um? As lógicas de auto-gestão do mix e do multi-funções-usos são tão necessárias como por vezes as da especialização. Por isso não se pode andar de skate nas pistas dos aeroportos…, embora apetecesse (por vezes).

Se existe a rota dos móveis, do vinho verde, do Douro, das cebolas, do românico, das estrelas, da terra fria, porque não existe a rota das Ruas da Estrada?

Claro que existe! Não é pelo acto de não ter placas indicativas ou campanhas publicitárias que não existe. Aliás essas rotas são, antes de tudo da Rua da Estrada porque é por aí que lá se vai às cebolas e ao românico.

A Rua da Estrada é a estrada em diferido de um beco sem saída?

Não. Um beco sem saída é isso mesmo. O que há mais na Rua da Estrada são saídas e entradas. A Rua da Estrada faz parte de um rizoma extremamente poroso. Não existem 100 ou 200 metros seguidos sem haver cruzamentos, entroncamentos ou rotundas. Quem inventou a Rua da Estrada enquanto problema foi a classificação rígida e mutuamente exclusiva de que em matéria de asfalto só há ruas ou estradas. Foi por isso que o ornitorrinco esteve quase 90 anos sem classificação. A biologia e as suas classificações científicas achavam que o bicho era kitado e que não podia existir… O mundo está cheio de ornitorrincos! São animais fabulosos!

Podemos considerar a Rua da Estrada um monumento?

Podemos considerar que a Rua da Estrada está cheia de monumentos. Monumentos são edifícios grandes ou pequenos que valem pela visibilidade e significado que detêm nas chamadas memórias colectivas como o Mosteiro da Batalha que está na Rua da Estrada N1 ou IC2 ou essas letras e números abstractos. São pequenos monumentos as antigas alminhas e também há castelos como certos postos de transformação da EDP que foram construídos com ameias e gárgulas. Os engenheiros gostam de arquitectura medieval.

Se fosse música o que corre pela janela do automóvel que tipo de música se ouviria ao longo da Rua da Estrada?

Uma diversidade de expressões musicais marcadas por um profundo ecletismo e pela mistura entre referências eruditas e não eruditas. Não partilho das dicotomias habituais da alta e da baixa culturas, ou do bom e do mau gosto. Há gostos e referências culturais que cada um de nós mistura constantemente. Vivemos num contexto de “cultura-mundo” profundamente aberta a todas as expressões e misturas, e por isso Bach poderia compor fado. Stockhausen é um chato e o minimalismo muito repetido, um aborrecimento. O regime estético da música é, felizmente, muito variado e instável. Já lá vai o tempo em que eram as elites burguesas das academias que diziam o que era o bom gosto e a erudição e assim se distinguiam e apartavam da maioria e das suas brutezas e falta de ilustração. O raio que os parta, com o devido respeito.

Há muita natureza morta ao longo da Rua da Estrada?

Natureza morta é uma categoria de pintura e fotografia que está fora de moda. Portanto, não há.

Onde paira a alma da Rua da Estrada?

A alma só existe para os que nela crêem. Para esses está em todo o lado onde a quisermos encontrar.

A Rua da Estrada é o cemitério da rua ou da estrada?

Só o seria se para além de Rua e de Estrada não houvesse outras categorias. É como pensar o mundo a preto e branco quando ele é a cores.

Funcionando a Rua da Estrada como um sismógrafo dos movimentos da sociedade, em que escala se medem aqueles movimentos? Será na escala de Álvaro?

Não tem escala porque a sociedade também não a tem, para o melhor e para o pior. Sociedade é uma negociação permanente entre consenso e conflito. O que me diz a realidade é que a durabilidade e a, como agora se diz, resiliência da Rua da Estrada são a melhor prova do seu sucesso enquanto dispositivo sócio territorial de vida em conjunto. Pensemos nisso, portanto, e tiremos as devidas consequências.

Qual a probabilidade de um dia acabarmos todos sepultados na vala comum da Rua da Estrada?

Diz-se isso a propósito de tudo o que nos fascina e que não entendemos completamente, desde a internet às auto-estradas. Na vida de todos os dias usamos tudo, desde avenidas a auto-estradas, caminhos, ruas, estradas, quelhos, becos e tudo e tudo. Nenhum deles nos engole (os abismos, sim).

É verdade que o problema é fazê-los parar por parte de quem quer que paremos?

Tal como está no livro, sim…; foi-me dito por alguém que tinha um negócio e que respondendo ao meu comentário sobre o fluxo intenso de passantes e a sua importância para o negócio, me dizia que sim, que sim, o único problema era faze-los parar e transforma-los de potenciais clientes em clientes. Já era assim na sociedade das origens quando os humanos deambulavam com os seus animais e eram desafiados ou seduzidos a parar para fazerem as suas trocas e transacções materiais e imateriais.

Finalmente: nas páginas 55, 90, 175 e 218 é visível publicidade ao Pingo Doce. Afinal quem patrocina A Rua da Estrada?

Todos nós. O Pingo Doce e o Pingo Azedo aparecem com a maior facilidade porque todos os negócios e marcas estão bastante visíveis na Rua da Estrada. Basta procurar.

Ver mais:
http://www.correiodoporto.pt/desafios/ao-desafio-com-alvaro-domingues