26 de março de 2013

Exposition - La ville tournée vers l'espace public

Exposition conçue et réalisée par le CCCB et présentée par la Cité de l’architecture & du patrimoine / Institut français d’architecture (Ifa)

1er prix Ex AEQUO : aménagement des berges de la Ljubljanica, Ljubljana, Slovénie, 2011 Credits_Jernej Valenčič

1er Prix EX AEQUO : Restauration du Turo de la Rovira, Barcelone, Espagne, 2011 Credits_Lourdes Jansana

Mardi 26 mars 2013 - Lundi 29 avril 2013

Cité de l’architecture & du patrimoine / Institut français d’architecture (Ifa)

Galeria de fotos:

L’espace public sous toutes ses formes dans la diversité des contextes des villes européennes, c’est l’enjeu du prix décerné tous les deux ans par le Centre de Cultura Contemporània de Barcelona (CCCB).

L’exposition des palmarès des meilleurs espaces publics donne la mesure de la tonicité de la création en la matière autant que celle de la teneur du débat que porte ce type de programme dédié par essence à la vie urbaine. Si les villes de Ljubljana et de Barcelone se partagent le prix, la première pour l’ensemble de ses aménagements en bordure de la Ljubljanica, la seconde pour la mutation douce d’une ancienne batterie anti-aérienne, la ville de Nantes se distingue par l’intégration de son mémorial de l’abolition de l’esclavage dans l’épaisseur des quais de la Loire.

1ers prix ex aequo
- Aménagement des berges de la Ljubljanica
   Ljubljana, Slovénie, 2011
- Restauration du Turó de la Rovira
   Barcelone, Espagne, 2011

Mentions spéciales
- Réaménagement d’Exhibition Road
   Londres, Royaume-Uni, 2011
- Mémorial de l’abolition de l’esclavage
   Nantes, France, 2011
- Ailleurs / Elsewhere / Annorstädes
   Malmö, Suède, 2010

Catégorie spéciale
- Campement de la Puerta del Sol
   Madrid, Espagne, 2011
   Manifestation citoyenne

Mais informação:

25 de março de 2013

Post+Capitalist City #4 Move

Collage Competitions is a cycle of competitions for prospective thinking in terms of urban planning, architecture, political, social and economical spaces in a global scale.

Students, architects, urban planners, designers, artists and all active thinkers are invited to submit their ideas and share their visions to the world.


[Traffic, transit, migration, nomadism]

«When traffic delays and confusion seem hopeless, remember that men of vision are working on the problem. Actually traffic engineers are planning city streets and country highways free from stop and go…
1. Sidewalks will be elevated – you’ll walk and shop ABOVE Main Street, actually cross OVER it.
2. Local traffic will use the FULL width of the streets below – no sidewalks, no parked cars. Loading and unloading will be done INSIDE the buildings.
3. High-speed, long-distance traffic will have its own elevated, one-way lanes, no stop lights or intersections.»
«Pedestrians -
Express Traffic -
Local Traffic -
- each will be given a clear path by 1960»
- predicts NORMAN BEL GEDDES, authority on future trends.
~ «This is the City of TOMORROW» Advertisement brochure for SHELL, before 1960.

Since Norman Bel Geddes predicted a bright future for transportation in our cities, our way to envision traffic today still deals with the same issues. Nevertheless, the way we approach them is orientated towards conscious and eco-responsible visions. Only 100 years after the beginning of mass-production of affordable cars, today the notion of traffic jam became of common knowledge. Whereas technologies and progress along the past century increased speed and reduced psychological distances, the super- abundance of motorized self-transportation tends to slow down exchanges and connections.

As most roads belong to the public space, this can be seen as a «tragedy of the commons», for which planers and engineers attempt to forecast traffic flows using empirical models. But despite all the attempts for fluid traffic, people all over the world – when asked what could change to make their city better – would answer in majority: the traffic. The seemingly limitations of transportation do not stop with the example of cars and roads. Transport systems, such as the Tokyo Metro suffer regularly from rush hours. The need to move has become an indisputable matter – even more with the urban growth and the dependency of the city for its flexible citizens.

Planes and high speed trains complete the image of the extension and almost unlimitedness of our extended possibilities of the radius of our movements. Though in fact, it became usual for urban citizens to spend up to 50% of the time they spend working simply «commuting». If urban centers keep being the place of work, the distance from the affordable house to work increases naturally with the raise of the estate market and the continuous movement of the populations to the outskirt of cities.

With the extension of the city, the possibilities for restructuring or adding new transport systems appears. Contemporary visions contain solutions for a human and eco-conscious flux management. Political initiatives as the phenomenal urban renewal of Bogota and the implementation of the bus rapid system Transmilenio are being copied in several highly congested cities around the world. Models of democratization of the public transportation come to become popular, such as the Netherlands, Denmarks and Germanys endeavor towards the «bike-able city» or the implementation of low consumption car-sharing systems, take-away bicycles or plugs for electric cars.

Traditionally the freedom of movement contains issues of gender and class as well. Still today patterns of mobility differ between social groups. These inequalities can be observed on a global scale. As transportation has always been the mirror of social conditions, today the movement of populations towards other economically more attractive countries create a new phenomenon of global economic migration and more particularly a new status: the economic refugee. The freedom of movement is therein contested, as the subsequent reinforcement of borders polices tend to question the meaning of freedom, identity and citizenship.


Could we imagine an alternative society in which the free movement of people takes part of their human rights? If people could follow the path of the internet and the migration of information, what would happen to our society? Would our ability to move depend on money and how would it influence tourism? How can we deal with the freedom of movement and borders? How could we overcome the dilemmas of urban mobility? Would there be a changing urban aesthetic relating to urban space and technologies of transport and communication? What could be the future of the pedestrian? And how could our movements shape the urban landscapes and our daily lives in the cities?


>>> Now it’s your turn! Show us your ideas to re-think how we move, how we migrate and a city with another system of moving culture and structure!

Ver mais:

23 de março de 2013

Metapolis em construção – uma análise multi-temporal e multi-escalar

Filipe Batista SILVA

Comunicação apresentada no
XII Colóquio Ibérico de Geografia

1. Enquadramento
A expansão da ocupação urbana tem sido objecto de um grande número de estudos na segunda metade do século XX e inícios do XXI, com enfoques muito variados1. Esta fase de evolução dos territórios urbanos associa-se a uma mancha urbana extensa, descontínua, heterogénea e multipolar. Os intensos processos de urbanização e expansão reticular das cidades, geralmente associados ao desenvolvimento das metrópoles2, criam periferias urbanas diferentes das que foram formadas desde a revolução industrial até à década de 1960. Como refere Dematteis (1998), as novas periferias reflectem as mudanças das estruturas territoriais urbanas (desurbanização, contraurbanização), das formas de comunicação e informação, e dos modos de organização e regulaçãoo social (posfordismo).

2. Uma reflexão multi-escalar e multi-temporal
Os processos de edificação e urbanização, assim como o ordenamento do território e o urbanismo, são de natureza multi-escalares (realizados a várias escalas) e inter-escalares (articulação entre escalas). A forma metropolitana actual não resulta de uma unidade de formas contínuas e regulares, mas é o resultado de um patchwork de formas, que se foram combinando em termos horizontais mas também sobrepondo, numa lógica de estratos. Assim, sobre um suporte geográfico natural foram-se justapondo e por vezes sobrepondo edificações e infraestruturas, criando uma cidade dilatada, dispersa, heterogénea, enfim uma grande mancha urbana descontínua. Uma análise aprofundada revela as lógicas subjacentes, que explicam as dinâmicas das regiões urbanas e as formas de articulação entre as diferentes componentes.

3. Fragmentação territorial

4. Policentrismo urbano

5. Conclusão reflexiva
Ao analisar as morfologias urbanas e as interacções entre as diferentes escalas, numa perspectiva temporal, é possível compreender melhor a complexidade da metapolis e caminhar para o reconhecimento de sínteses de morfo-tipologias urbanas. Interessava perceber de que forma os territórios se geram e se sustentam mutuamente, através de inter-relações dinâmicas e de relacionamentos entre funções urbanas.
O estudo das formas urbanas enquanto permanências em mutação sugere transformações e constitui uma importante matéria-prima para a reflexão urbanística. O peso dos núcleos antigos na nuclearização e organização do crescimento territorial confere uma heterogeneidade e uma complexidade morfo-tipológica específica à região metropolitana do Porto. O sistema metropolitano tem um carácter claramente polinuclear, constituído pelas cidades “tradicionais” e as novas polaridades (fruto dos processos de inovação ou desconcentração das actividades produtivas industriais ou terciárias). A intensa mistura de usos e actividades e os valores naturais em presença traduzem-se numa diversidade funcional e paisagística que torna esta metrópole singular.
O estudo das formas urbanas é essencial para compreender a cidade contemporânea e fulcral para reflectir os processos económicas. Este estudo vai para além das configurações exclusivamente físico-espaciais, pois aborda os processos funcionais. As cidades e metrópoles crescem numa variedade de formas complexas e dinâmicas (as formas urbanas por vezes trocam de posição nas regiões urbanas, veja-se a periferização de alguns centros e a centralização de algumas periferias).
Os ritmos dos processos (as alterações das condicionantes ambientais, o envelhecimento da população, a crise económico-financeira e a crise energética poderão ter grandes implicações no arranjo espacial das actividades e da escolha da residência) e as incertezas do mundo actual, transmite-nos uma grande insegurança analítica. Num posicionamento prospectivo, há uma grande incerteza em relação às futuras necessidades de espaço e às condições necessárias para sustentar uma variedade de necessidades de uma população urbana crescente. Tais condições incluem novas formas de viver, trabalhar e comprar, aprender e ocupar os tempos livres, bem como novas formas de produção e transporte, sem esquecer as condições básicas de vida, tais como um alojamento seguro e uma oferta de água potável e alimentos saudáveis. Neste contexto, o estudo das formas metropolitanas tem de ser um processo, sempre atento e sempre em curso.

Referências bibliográficas

Actas do XII Colóquio Ibérico de Geografia
6 a 9 de Outubro 2010, Porto: Faculdade de Letras (Universidade do Porto)

Link para artigo completo:

21 de março de 2013

Percursos Pedonais e a Requalificação do Espaço Público


O ciclo "Encontros de Urbanismo" pretende lançar um fórum anual de reflexão alargada sobre temas ligados ao Urbanismo.

A primeira edição do ciclo, a realizar entre novembro de 2012 e julho de 2013, é dedicada ao tema "Regenerar, Reabilitar, Requalificar" e terá como objetivo debater abordagens inovadoras sobre a requalificação das cidades e a sua importância na promoção da qualidade de vida em Lisboa.

Quando: 21 de Março, às 18h00.

auditório do CIUL - Centro de Informação Urbana de Lisboa

CCB Cidade Aberta

Colóquio evocativo dos 20 anos do Centro Cultural de Belém

21 de Março de 2013

CCB/ Pequeno Auditório

Coordenação de
Nuno Grande

Sessões de debate

O CCB no contexto urbano e cultural de Lisboa
Apresentação e moderação por Simonetta Luz Afonso
Intervenções de António Lamas, Walter Rossa, António Guerreiro, Pedro Mexia
O CCB tornou-se numa das obras arquitectónicas mais emblemáticas da, então jovem, Democracia Portuguesa, e da sua, então também recente, vocação europeísta; tendo ficado decisivamente marcado pela sua condição de sede da primeira Presidência Portuguesa da CEE (em 1992) e, logo depois, de centro cultural polivalente e popularizado (inaugurado em 1993 e muito visitado durante Lisboa ’94 Capital Europeia da Cultura). Essa condição, tornou-o, irremediavelmente, num “espelho” das sucessivas políticas públicas para a Cultura em Portugal, palco de diferentes ciclos políticos de gestão – por vezes contraditórios entre si –, ao nível da programação nas diversas artes, mas também, das orgânicas museológicas ali ensaiadas, ao longo do tempo.
Neste debate, pretende-se situar o CCB e o seu lugar de implantação – a Belém monumental, mitificada pela História – no contexto da evolução de Lisboa e da sua frente ribeirinha. De igual modo, deseja-se perceber o processo que levou ao concurso e à polémica em torno da construção do edifício, com ênfase no programa que lhe deu suporte e no modo como este foi interpretado pelo projecto vencedor. Finalmente, procura-se entender como essas duas condições – a monumentalidade do lugar, face à do próprio edifício; e a sua reconhecível deriva programática – marcaram o imaginário cultural lisboeta durante as últimas duas décadas.

O CCB no contexto da arquitectura portuguesa e europeia
Apresentação e moderação por Nuno Grande
Intervenções de Manuel Salgado, Gonçalo Byrne, Nuno Portas, Jorge Figueira
O concurso público que presidiu à escolha do projecto para o CCB foi um dos mais concorridos e coerentes processos de decisão institucional, de que há memória em Portugal. De facto, e seguindo os preceitos da União Internacional de Arquitectos (UIA), o concurso organizou-se em duas fases (sendo a primeira anónima), permitindo aos concorrentes finalistas defender e debater as suas soluções perante o júri. Estas, como muitas outras que não chegaram à final, documentariam a diversidade de tendências que, à época, ensaiavam uma nova condição, dita “pós-moderna”, para o desenho da arquitectura e da cidade.
Neste debate, pretende-se relembrar as principais opções presentes no concurso para o CCB, e as relações que estas estabeleciam com os traçados históricos da cidade (sob o efeito da “cidadela” ou da “cidade aberta”, lembrando Nuno Portas, membro do júri do concurso). De igual modo, deseja-se perceber a “inscrição” da solução vencedora na escolástica do denominado “neo-racionalismo” italiano – tão marcado na sua partição modular e na sua estrita estruturação interna –, oferecendo-se, apesar de ainda incompleta, como uma “arquitectura urbana” evocadora dos grandes palácios ribeirinhos lisboetas. Finalmente, procura-se debater o modo como esta obra se enquadrou no seio, ou se projectou para lá, dessa Lisboa pós-moderna da viragem para os anos 1990.

No mesmo dia inauguração da exposição GARAGEM SUL - EXPOSIÇÕES DE ARQUITECTURA | ARX arquivo/archive

Ver mais: http://www.arquitectos.pt/?no=2020494116,153

20 de março de 2013

Lançamento do livro "Urbanismo e Arquitectura em Angola"

de Maria Manuela da Fonte

dia 20 de Março pelas 17h30

sala CUBO da Faculdade de Arquitectura, Pólo Universitária / Alto da Ajuda, Rua Sá Nogueira.

Promovido por:
Faculdade de Arquitectura da UTL e a editora Caleidoscópio

O tema central deste livro consiste na análise das formas de ocupação do território em Angola, das suas estruturas e organização, bem como da Arquitectura aí produzida no período compreendido entre os anos 20 e 70 do século XX.
Foi nossa pretensão estudar a hipótese da existência de uma identidade própria no urbanismo e arquitectura praticados no meio século que precedeu a independência de Angola, e que consistiria na expressão portuguesa adaptada ao contexto colonial.
Aborda-se o reflexo espacial do discurso ideológico colonial no que se refere aos vários tipos de ocupação do território angolano, bem como as teorias urbanísticas europeias e portuguesas e a sua tradução na prática urbanística angolana, através da análise dos planos e projectos de arquitectura deste período.
Quer na arquitectura quer no urbanismo, encontram-se modelos de ocupação do território que, por um lado, têm directa relação com as políticas vigentes e, por outro, com modelos conceptuais emanados directamente de Portugal e que, por sua vez, se consolidavam nas referências internacionais. Estas referências adaptam-se ao espaço angolano de duas formas distintas, por justaposição, ou por mimetismo, em função do maior ou menor peso da relevância da interpretação do sítio na concretização das soluções.
A uma forma portuguesa de fazer arquitectura angolana correspondeu, em sentido inverso, uma forma angolana de fazer arquitectura portuguesa, quer se localizasse no campo da espontaneidade quer da racionalidade, quer tentasse ser vernacular ou moderna.
A emergência de novas cidades onde tudo estava por fazer, terreno fértil de aplicação da leveza da linguagem e do estar, da libertação do gesto na concepção urbanística e arquitectónica pela mão dos vários actores (onde os arquitectos tiveram papel determinante), traduziu-se numa arquitectura e urbanismo tropicais angolanos de expressão portuguesa.


16 de março de 2013

Dispersão urbana - As questões e a busca de seus equacionamentos

Resenha do livro:

Notas sobre urbanização dispersa e novas formas de tecido urbano
Nestor Goulart Reis
Via das Artes, São Paulo; 1ª edição, 2006

Maria de Lourdes Pinto Machado Costa
Publicada em:
Vitruvius - abril de 2011 - revista Resenhas Online

Trata-se de publicação que reúne estudos e análises sobre o processo de urbanização em sua versão mais recente – a Dispersão Urbana. A este material se somou o produzido pela investigação do autor sobre a temática nos últimos anos. Ela traz, em perspectiva histórica, o processo de urbanização desde as últimas décadas do século 20, e primeira do 21, com suas mudanças mais visíveis no pós 1980-1990. Foi considerado como base o sistema urbano do estado de São Paulo, mas analisa áreas metropolitanas e suas faixas envoltórias, tanto em relação a São Paulo quanto para as respectivas áreas de Campinas, Baixada Santista e Vale do Paraíba.

Vista aérea de São Paulo
Foto Nelson Kon

Ao longo dos capítulos, revela-se a procura de um senso comum, respaldado em observações diretas, interpretações sobre os casos averiguados, bem como reflexões atinentes ao processo, mesmo que de cunho ainda exploratório.
A idéia se funda na busca de um alinhamento viável entre os problemas e as indagações constatadas e de seus respectivos equacionamentos. E pretende discernir os campos e complexidades inscritas nos muitos e diversificados tipos das materializações do processo de urbanização sobre o espaço, na atualidade. A dispersão urbana evidencia aspectos de seu estágio mais recente, expressos segundo novas formas de aglomeração da população e de formação de tecidos urbanos sobre o território.

A espacialização do fenômeno da dispersão urbana
Tendo como exemplo o estado de São Paulo, a espacialização do fenômeno foi observada segundo os usos do solo, da seguinte maneira:
a) esgarçamento crescente do tecido dos principais centros urbanos;
b) formação de constelações ou nebulosas de núcleos urbanos e bairros, de diferentes dimensões, integradas em uma área metropolitana ou em um conjunto ou sistema de áreas metropolitanas;
c) mudanças nos transportes diários intra-metropolitanos de passageiros;
d) difusão ampla de modos metropolitanos de vida e de consumo, tambémestes dispersos pela área metropolitana ou sistema de áreas metropolitanas.
O conhecimento sobre o processo de mudanças, assim como a construção de explicações consistentes em relação a sua prática atual, demanda a análise de suas características, a serem consideradas em duas escalas: a mais abrangente, representada pelas formas de dispersão urbana no âmbito regional, e num nível mais reduzido, o do tecido urbano, onde se evidenciam as relações em seu interior – na escala intra-urbana.
Este surpreendente estágio de rebatimento dos fenômenos sobre o território (urbano, mas extensivo ao rural e periferias metropolitanas) apresenta dinâmica radical na formação dessas novas formas de aglomeração de população e de gestão dos espaços regionais e locais, independentemente de suas respectivas jurisdições, divisões administrativas, políticas.

A consciência das mudanças
As mudanças podem ser identificadas em investigações e seminários efetivados, sob as óticas européia e norte americana, com ênfase em autores europeus (casos da Alemanha, Espanha, França, Itália e Portugal).
Ao tentar compatibilizar teoria e prática, faz emergir uma constatação: de que a teoria disponível não dá conta do que está sendo extensa e constantemente produzido sobre os territórios, em distintos níveis – regionais, meso e microrregionais, e locais.

Dispersão em áreas residenciais, industriais, de comércio e serviços
Nas áreas residenciais a dispersão também se faz segundo extratos – indo dos mais aos menos abastados – sendo os dos pobres, mais antiga, em ocupações periféricas, irregulares. Neste último caso, os assentamentos são precários em relação aos serviços, infra-estrutura e transportes. Recentemente, esses assentamentos tem crescido, contando em boa parte com transportes alternativos, nos deslocamentos de suas populações em direção à metrópole, onde se encontra o local de trabalho.
Também contribuem para os novos modos de vida a dispersão industrial, que inaugurou o processo em São Paulo, alojado em faixas lindeiras às estradas. Da mesma forma, há dispersão urbana a partir dos centros de comércio e serviços, ou capitaneada pela implantação de outros vultosos investimentos, shopping-centers, grandes equipamentos comerciais, centros empresariais, de escritórios e de telecomunicações, entre outros complexos de usos múltiplos. Na base dos novos modos de vida esteve presente a procura de realização do sonho da moradia, mais segura e integrada à natureza.

Dispersão: atores e agentes do setor imobiliário
De outra vertente, a dispersão urbana se dá a conhecer através das ações de atores sociais, como os do setor imobiliário. Este se traduz pela atuação e produção concreta, em que viabiliza o acesso a áreas afastadas, pouco densas, alimentado pelo grande capital financeiro, no vigente estágio do capitalismo mundial.
Os empreendimentos de grande porte, tidos como projetos de desenvolvimento urbano, geralmente provêem do capital privado e geram novas centralidades.
Vale, ainda, lembrar a crítica final feita pelo autor aos modelos adotados nos projetos arquitetônicos, de forte influência norte americana

Considerações finais
Sob perspectiva social, alguns modelos teóricos têm procurado visualizar e elucidar seus fundamentos. Estes se enquadram em duas linhas principais: a que se encontra voltada para os estudos quantitativos e demográficos, com tendência a justificar a distribuição de população e atividades sobre o território em função de mudanças tecnológicas e, a outra linha, de viés não consensual, significativamente mais politizada, que entende a recente organização territorial como componente da reorganização produtiva, da nova etapa de evolução do capitalismo, sobretudo ao se verificar a reorganização de setores mais dinâmicos do mercado imobiliário, que tenta impor sua lógica de desenvolvimento mais oportunista.
No plano internacional, chama a atenção para a necessária prudência a ser tomada nas análises, ao considerar situações e perspectivas sociais endógenas e exógenas aos processos, ao se avaliar tanto semelhanças quanto diferenças, em face das experiências e contextualizações plurais, próprias ou específicas das histórias dos países e regiões, sejam na América Latina, Europa ou Estados Unidos da América do Norte. Mas destaca algumas mudanças determinantes no grau da atratividade metropolitana, mesmo naqueles países com nível médio de industrialização. Ainda na escala metropolitana, confirma a formação de novos eixos de ocupação, não raro devido às conurbações, muitas vezes lineares, lindeiras às rodovias.
A leitura realizada conduz a reflexões sobre mais alguns pontos: as diferenciações entre as áreas dispersas pelo território que ainda guardam vínculos de um mesmo sistema urbano, o advento de novas regionalizações tanto em relação às regiões oficiais de governo, quanto à regionalização do cotidiano nas escalas intra e inter-metrópoles, com suas interrelações e assimilação de novos modos de vida da população. Entre estes encontram-se os maiores fluxos de mobilidade de pessoas, mercadorias, veículos, além de notícias e informações passadas pelos sistemas de comunicação, efetivados entre municípios contíguos ou distantes, e o que desemboca na adoção de outras formas de gestão dos espaços urbanos.
Vale pontuar outras chamadas no texto, como a necessidade de se considerar o quadro da crescente complexidade no momento atual, em especial no que reflete nas alterações das relações sociais e de trabalho. Por outro lado, atenta para uma necessária postura e consciência sobre essas mudanças, para que se possa lidar com a dispersão urbana, enquanto passagem de um estado para outro, em que as formas constituídas se expandem e se subdividem rapidamente sobre o território. Não é demais lembrar que essas mudanças não decorrem apenas de processos físicos, mas de processos sociais na organização do território. Pelo exposto, tudo indica que diferentes instâncias de governo, opinião pública e mídia não se deram conta, ainda, da intensidade, gravidade e urgência de se criar condições para se controlar esse processo.
A relevância do livro se baseia enormemente na tentativa de passar para o público especializado e a sociedade em geral, o entendimento de uma modalidade de urbanismo que altera visões, modos de vida; além de um difícil e imenso esforço de compreensão para registrar e levantar possibilidades de explicitação de um fenômeno mal percebido pelos cidadãos, com implicações e conseqüências sobre seus cotidianos, interferindo, segundo diferentes naturezas e dimensões, escalas de vivência, paisagens regionais e locais, e meio ambiente, na troca acelerada de valores consolidados, pari passo às compartimentações e segregações generalizadas, cada vez mais identificadas pela exclusividade de certos extratos sociais, praticadas numa lógica distante do discurso universal.

Link para a resenha completa:

14 de março de 2013

A expansão da cidade de Nampula

Alexandre Hilário Monteiro Baia

Considerações a partir da expansão da cidade de Nampula
(Tese de doutoramento)

São Paulo, 2009

6. A expansão da cidade de Nampula
A história do crescimento das áreas suburbanas ao redor das cidades ocidentais é semelhante a das cidades que, mesmo sendo localizadas em outros contextos sociais, possuem uma economia ocidentalizada. A semelhança genérica varia, contudo, para cada caso, em questões de detalhe, devido às diferenças que se podem observar nos ritmos do crescimento suburbano e na rapidez da construção – fatores relacionados com o nível econômico e técnico alcançado em cada lugar (Johnson, 1974: 179).
Durante os anos 70, a expansão da cidade de Nampula realizava-se enquanto espacialização das relações coloniais: surgimento de áreas residenciais para mão de obra africana que prestava diversos serviços na cidade colonial ou albergavam pensionistas e ex-militares moçambicanos que tivessem participado das incursões militares portuguesas no interior da região norte de Moçambique. No primeiro caso, as moradias eram construídas pelos seus proprietários e com material não convencional, enquanto no segundo caso foram construídos com material convencional, pelo Estado colonial, blocos de pisos habitacionais ou conjuntos de casas unifamiliares em fileiras contínuas (ex. Bairro Muhaivire).
Depois da Independência em 1975, o crescimento das áreas periféricas foi interrompido por um movimento inverso: a população que residia nos bairros periféricos migrou para o núcleo central que constituía a cidade colonial. A partir da década de 80, retoma-se o crescimento de bairros periféricos como resultado, principalmente, da fixação de refugiados moçambicanos provenientes de diversas áreas atingidas pelo conflito armado que deflagrou nos primeiros anos do período pós- independência. Em 1986 (vide mapa a seguir), as áreas periféricas são acrescidas com a inclusão de uma franja predominantemente rural dentro dos limites administrativos da cidade. Nesse transcurso, as formas de urbanização alteraram-se significativamente.
A habitação e os imóveis de rendimento foram nacionalizados numa medida que pretendia eliminar a especulação no mercado imobiliário e controlar a ocupação das habitações abandonadas pelos portugueses; assim, o Estado passou a deter o monopólio da produção e distribuição da habitação cuja administração estava a cargo da Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE). A falta de investimentos na habitação reduziu a oferta de moradia no núcleo central da cidade. Perante um crescimento populacional evidente, resultado da migração campo-cidade, e a crise habitacional, o Estado passa apenas a atribuir parcelas de terra nas áreas definidas para expansão das cidades enquanto a construção da habitação depende das capacidades financeiras de cada habitante.
Nesse contexto, o espaço urbano retoma as lógicas definidas pela hierarquia social construída em função das desigualdades econômicas. Por um lado, o centro da cidade é constituído por conteúdos tradicionalmente qualificados sob o epíteto de urbano - que o diferenciam do rural: a habitação urbana alinhada em ruas ou em conjuntos de edifícios; caracterizado pela separação dos locais de trabalho e dos locais de residência; a rede viária urbana e um conjunto de equipamentos lineares asseguram o uso de serviços (distribuição de água, de gás, de eletricidade, eliminação de águas servidas e dos detritos e uma rede de circulação de pessoas e mercadorias; disposição de serviços administrativos, pessoais, equipamento comercial, sanitário e cultural.
O núcleo central comporta diversas áreas funcionais: áreas industriais, de comércio, de manipulação e transito de mercadorias, estabelecimentos sociais, de serviço militar, asilos e áreas residenciais.
Por outro lado, nos bairros recentes podem ser observadas habitações construídas segundo o modelo de habitação urbana européia assim como espaços residenciais que contemplam tanto a moradia como os lugares para atividades produtivas (artesanato, agricultura, comércio) - não ocorre, nesses casos, a separação entre o lugar de trabalho e a residência; as ruas são tortuosas ou inexistentes; portanto, trata-se de uma reinvenção da habitação rural no meio urbano e desse modo, a paisagem urbana revela o encontro entre a importação do modelo de habitação da cidade européia e a habitação autóctone (do tipo rural?) – e por isso a fisionomia revela diferenças arquitetônicas resultantes de diferentes modos de vida na cidade. Deriva daí, que o núcleo da cidade, tanto pela arquitetura como pela sua disposição predominantemente ortogonal, possui uma estrutura diferente daquela que se desenvolve descontinuamente nos bairros ou grupo de bairros periféricos recentes.
As áreas de expansão recente são constituídas por bairros recentes caracterizados por uma ocupação residencial horizontal muito densa onde os serviços urbanos são precários ou inexistentes. Nessas áreas que inicialmente serviram de residência da população rural nativa e de imigrantes rurais estabelecem-se atualmente algumas empresas, estabelecimentos de lazer ou bairros residenciais. O processo começa pelas áreas ao longo das vias de circulação o que transforma as antigas áreas rurais como pontos de fixação de construções urbanas de tipo europeu que permeiam construções tipicamente rurais. Com a alteração dos limites administrativos da cidade ocorre uma mescla entre as áreas onde o espaço construído assemelha-se a cidade européia e as áreas que permanecem com construções autóctones; ai, os determinantes de urbanização continuam ligados a propriedade da terra assim como ao papel central da cidade: a urbanização prossegue fragmentada: pois ao redor do núcleo central forma-se um anel descontínuo contendo lugares urbanizados em áreas rurais com uma economia profundamente transformada e que conservam um modo de vida autóctone. Daí a contradição entre a unidade administrativa da cidade e a fragmentação da cidade produzida pela urbanização desigual.
A expansão da cidade de Nampula torna-se assim um processo de produção de periferias na medida em que ocorre apenas o deslocamento de atividades, principalmente ao longo das principais vias de acesso à cidade, e da população da cidade (surgimento da área chamada Muhala-expansão): extensão das funções da cidade. Trata-se de uma disposição que corresponde a uma necessidade mais ou menos consciente de centralizar o desenvolvimento urbano num núcleo administrativo e cultural único cuja tendência levará a destruição do antigo modo de vida autóctone.
As áreas periféricas da cidade de Nampula caracterizam-se por uma urbanização incompleta, pois, faltam-lhes vários elementos relativos a uma cidade: um ou vários serviços urbanos; mas mantém uma complementaridade com o núcleo central ao efetuarem a troca de produtos e de serviços, o que se realiza pelos deslocamentos diários da população dos bairros recentes para o núcleo central ou entre os diversos bairros centrais.

A expansão da cidade de Nampula reflete, portanto, a interação entre práticas e funções sociais e econômicas derivadas da industrialização européia (mesmo que precárias ou incipientes) – transporte e circulação, produtos manufaturados – e o comércio e artesanato autóctone; reflete também a adoção de formas européias de vida, principalmente no que se refere à habitação, por parte de algumas frações da população na medida em que aumenta sua renda. As frações mais favorecidas da população tendem a abandonar o núcleo central da cidade – devido à degradação dos serviços de saneamento, abastecimento de água e das habitações, mas também, porque os bairros periféricos imediatos encontram-se densamente ocupados - daí o surgimento de grupos de habitações, com uma arquitetura moderna e de custos elevados, cujos proprietários são funcionários públicos superiores, empresários, ou funcionários médios cuja renda não tem origem específica, no meio de áreas onde predominam habitações construídas com material não industrializado (argila, troncos de árvores, diversos tipos de palha, etc.) ou com certa mistura de material industrializado (zinco, telhas e cimento).
A combinação dos elementos acima descritos produz uma cidade cujo núcleo central assemelha-se à cidade européia pelas características do espaço construído: os edifícios foram construídos segundo modelos urbanísticos europeus. Atualmente esses edifícios, abandonados pelos seus antigos proprietários (colonos) que não simpatizaram com o novo regime socialista instaurado depois da independência nacional, e agora ocupados na sua maioria por moçambicanos negros e cidadãos de origem indiana, encontram-se na sua maioria envelhecidos e degradados. Contudo, são edifícios cuja arquitetura é representativa do urbanismo europeu em Moçambique, pois lembram a colonização portuguesa mesmo que as formas de construção tenham sido influenciadas por uma arquitetura moderna que não reflete necessariamente estilos portugueses.
Ao redor do núcleo central desenvolvem-se bairros ou grupo de bairros onde se misturam casas construídas no estilo europeu e casas com uma arquitetura autóctone. A ocupação do solo é horizontal e muito densa, sem espaços livres e geralmente com ruas tortuosas ou inexistentes; ai, dificilmente se pode referir da existência de planta urbana. A alteração dos limites administrativos da cidade, que resultou no aumento da área da cidade, culminou com a constituição de bairros recentes onde o espaço construído possui semelhanças com o espaço rural.
Na medida em que os elementos de urbanização foram se estendendo para além do núcleo central, nos diversos contextos históricos, a cidade de Nampula foi alterando sua forma – apresentando uma espécie de tentáculos ao longo das principais rodovias de acesso à cidade -, seu conteúdo; alterações influenciadas pelas modalidades de acesso ao solo, pelas características da construção de equipamentos e infra-estruturas, e pelas modalidades do acesso à habitação. Enfim, a cidade de Nampula – enquanto mediação – expõe essa relação com uma ordem distante, o Estado e a sociedade moçambicana, e uma ordem próxima – o campo circundante, o modo de vida das comunidades autóctones.
Simultaneamente ocorre a revalorização de certas áreas, antigos terrenos vazios ou com edifícios abandonados e degradados, no núcleo da cidade como resultado de políticas de desenvolvimento que estimulam o investimento em infra-estruturas turísticas. A dinâmica desse investimento privado na cidade de Nampula influencia a produção do espaço urbano através do aparecimento de novos edifícios construídos (ex.: hotéis) seguindo uma arquitetura moderna similar à das cidades ocidentais. Ai, a centralidade urbana se reproduz e revela a tendência da produção capitalista do espaço.

Eles conformam um espaço urbano produzido pelas dinâmicas resultantes da migração rural-urbana, pela inclusão de áreas rurais dentro dos limites da cidade – designada por reclassificação urbana – num processo em que a centralidade da cidade prevalece e influência as dinâmicas internas e externas ao espaço urbano.

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13 de março de 2013

Urban Development in Maputo - Strategic Action Planning on a TightBudget

Jørgen Eskemose
Andersen, Paul Jenkins

Publication date
November 2011

Maputo is the capital of Mozambique and, together with neighbouring Matola, the city conurbation currently has some 2.5 million inhabitants and is projected to grow to more than four million by 2025. It is one of the 15 largest urban areas in sub-Saharan Africa and, like other cities in the region, it is expanding beyond its formal boundaries and likely has a substantially higher population than the official figures suggest. Much of this population lives in informal or unplanned settlements, located in areas prone to floods or erosion, along highways and railway lines or beside polluting industries. The health implications of these conditions are detrimental.
But unplanned urban sprawl was not always an issue in Mozambique. A programme from the 1980s, Strategic Action Planning’, used land redistribution to control housing demand, curb unplanned urban expansion and, in so doing, created desirable and equitable urban form. Thousands of plots were provided by the new local authority to citizens regardless of income. This reallocation of land for urban development had a substantial impact on metropolitan growth patterns and resulted in a far different experience than that of many other African cities that experienced unplanned, explosive urban growth. Assessing urban development and planning in Maputo over the past two decades leaves no doubt that the organised land division pioneered in the 1980s and the moderate densities which resulted have contributed to improved health in these areas. This suggests that physical planning can have an impact on health – if it is the right sort – and that it can be achieved with low budgets if accompanied by political will and strategic vision.

Why and how strategic action planning emerged in Maputo
In many African countries, colonial governments supplied plots for self-help housing. The Portuguese government, however, ignored this in Mozambique until the late 1960s, when the battle for independence heated up. With independence, accelerated in-migration to Maputo initially took place without any type of formal housing supply to meet increasing demand. People took advantage of the relaxed authority after years of government control, and unplanned and informal development began to mushroom, as it did in much of the ‘developing world’. Although post-independence Mozambique had hardly any qualified architects and planners and urban development was not a priority of the new government, nonetheless an urban development team was built up within the Greater Maputo city council from 1980.
As in other parts of Africa, these professionals subscribed to the dominant international strategies of the time like organised ‘self-help’ housing and ‘sites and services’ schemes. However, in Maputo severely constrained local budgets were compensated by nationalised land, and hence a strategic programme of land distribution was developed. The strategy was to get ahead of urbanisation by focusing on pro-active land control, thus permitting the consolidation of urban development to happen over time through actual demand. This approach resulted from a specific decision not to continue with the relatively costly urban upgrading pilot project, which the national government and the UN had implemented in the immediately preceding period (1977–9).
The Strategic Action Planning programme managed to provide approximately 12,000 plots, organised in neighbourhood clusters with land reserved for roads, schools, health posts and recreation, over a six-year period from 1981. At the time, approximately 300,000 inhabitants lived in unplanned settlements around the formal central urban core, while the new plots had a planned capacity of just 60,000 people. The layouts were simple, motivated by the need for fast demarcation and the limited technical capacity within the municipal authorities. A key accompanying element was land-use control and construction advice provided through an extension service of basically trained technicians, or ‘bare-foot planners’, as well as a subsidised basic sanitation programme aimed at improving health conditions, which eventually became a UN Habitat Best Practice.

Managing rapid urban expansion in Maputo today
Back in the twenty-first Century, rapid urban expansion continues, but this time outside of Maputo’s official boundaries. In recent years, international agencies, notably UN Habitat through its Cities without Slums initiative, have once again refocused their attentions on slum upgrading projects, rather than on curbing unplanned urban expansion. Rapid urban expansion continued through the 1990s up until the present day. Like so many other ‘developing countries’ with a limited urban budget the national and local governments find themselves in a state of never-ending upgrades, with little political will or funding to prevent sprawl in the first place. Recent pilot slum upgrading projects showed only marginal positive impacts given the momentum of urban expansion underway both through the densification of inner city areas and through the urbanisation of new land on the periphery.
In light of the limited administrative and financial capacity of Maputo’s city government to sub-divide plots formally, today plots are increasingly provided by small and medium informal suppliers, typically long-term residents claiming traditional land rights. These residents sub-divide plots in a similar way as was pioneered by the state in the 1980s. Maputo’s pioneering Strategic Action Planning approach now continues as a cultural model within society, with many poor and better-off residents seeing the original master plan, 30 years later, as an ideal urban form, but with one major difference. A shift from public to private providers of land distribution highlights an unwillingness to provide land for public open spaces or spaces for social amenities such as schools and health clinics. No private developer sees any interest in setting aside land that cannot be immediately capitalised.
In addition, it has become much easier for private interests to dominate the needs and rights of existing residents of informal settlements, especially in cases where settlements are located on prime land. On top of the direct and quite hazardous living conditions facing residents daily, the legal right to hold the land where they often have lived over generations may be under threat. As fewer and fewer sites become available for development in central locations of Maputo, the informal areas bordering the city have come now under pressure and developers are increasingly buying out local residents at prices way below the market value. This development is apparently being welcomed by the city authorities which, in one case, shelved a project developed by the Faculty of Architecture in Maputo based on participatory and inclusive approaches. An alternative plan engaging the private sector envisages demolishing all of the houses to give way for commercial development, condominiums and social housing. The private sector will buy out the informal settlers and over time fulfil the plan now in process of being approved. The residents will be pushed to the periphery or end up in other informal settlements under severely overcrowded conditions. However, local resistance is building up and eventually the implementation of the plan may run into difficulties.

Towards an urbanism from below
The experiences of Maputo show that it is time to reconsider the merits of planning approaches which actually work in producing the liveable and more healthy urban environments that residents aspire to, rather than attempt to realise the unachievable norms of what governments, private interests and global institutions think are appropriate. This is not based in a romantic attitude towards self-help and informal settlements as exotic urban environments, but rather a pragmatic recognition of a form of emergent endogenous urbanism. Such a form of urbanism suggests a different modernity. While Mozambican urban residents do aspire to some of the forms of modernity which are planned and designed by architects, their aspirations are embedded in context, unlike most of the formal plans and urban development projects proposed by professionals. In light of the continued relative weakness of the state and private sector in the face of rapid urbanisation and widespread low income levels, what is needed most now is a professional openness to alternative modernities and forms of urban development which are based on contextual demand.
The Maputo experience of people-oriented urban development from the 1980s still shows how a strategic, low-cost and hands-on approach to the reality of a rapidly expanding urban setting can produce significant results, particularly in relation to urban health. Rapid urban growth in African countries alongside high levels of poverty requires active planning with people and not planning for people. While the present context, and hence the means of operation, for this will be different from that of the 1980s, the goal still must be to move beyond limited pilot projects, typically funded by international agencies and implemented by non-governmental organisations, and instead engage with the ‘informal’ practices of urban land development and construction in informal settlements, while guiding such practices to ensure social and cultural aspirations are healthy, inclusive and self-managing. Arguably, the era of top-down planning is ending and here Africa can provide new models for people-based urban development.

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12 de março de 2013

Metapolis do Porto: expansão urbana em áreas de forte aptidão agrícola

Carlos Filipe dos Santos Delgado
Departamento de Geografia – Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Comunicação apresentada no
XII Colóquio Ibérico de Geografia

1. Introdução
O processo de expansão urbana tem sido particularmente rápido e intenso, no mundo ocidental, desde o fim da II Guerra Mundial. As várias modalidades de suburbanização foram entretanto adquirindo contornos mais dispersos e incontroláveis, passando a ser referidas na literatura anglo-saxónica com a designação de “urban sprawl”. Esta modalidade particular de expansão urbana (dispersão urbana) caracteriza-se essencialmente pela sua baixa densidade, grande descontinuidade ou fragmentação, e pouco planeamento, sendo assim bastante consumidora de solo e indutora de inúmeros impactes, tanto ambientais como de ordenamento e gestão de recursos naturais.
A urbanização recente do território português assumiu diferentes ritmos e intensidades, com a crescente “litoralização” e o alastramento em torno das duas principais cidades, Lisboa e Porto. No Noroeste português, o processo de urbanização foi mais difuso e fragmentado, aproveitando a existência de uma rede de cidades médias e de formas de povoamento historicamente descontínuas e caracterizadoras desta região.
A rápida expansão da Área Metropolitana do Porto tem aumentado a pressão sobre os territórios rurais, entre os quais os de forte aptidão agrícola, na região de Entre-Douro-e-Minho. Aqui se destaca a maior “bacia leiteira” do País, que se caracteriza pela grande concentração espacial de explorações, e por uma agricultura intensiva, mecanizada e especializada na produção de leite.
A metodologia adoptada do nosso estudo assentou na aplicação, em ambiente SIG, de vários indicadores de paisagem, para medir o grau de fragmentação das áreas de Reserva Agrícola Nacional (RAN), e na georreferenciação, análise estatística e espacial dos processos apresentados para usos não agrícolas na RAN, em dois dos concelhos mais representativos da bacia leiteira (Barcelos e Vila do Conde).

2. Expansão e dispersão urbanas
2.1. Enquadramento e caracterização
2.2. Consequências da expansão urbana dispersa

3. Área de estudo: a “bacia leiteira primária” de Entre-Douro-e-Minho
3.1. Justificação da área de estudo
3.2. Análise da fragmentação da Reserva Agrícola Nacional
3.3. Análise dos usos não agrícolas dos solos da RAN
3.3.1. Número de processos analisados
3.3.2. Tipologias dos requerentes e das acções pretendidas
3.3.3. A decisão: usos não agrícolas permitidos e áreas concedidas

4. Conclusões
Neste artigo, pretendeu-se evidenciar os impactes da expansão urbana, em especial a modalidade mais dispersa, nos territórios e paisagens rurais e na actividade agrícola. Utilizámos, para esse fim, um caso de estudo centrado numa importante e competitiva bacia de produção leiteira localizada no Noroeste de Portugal (região agrária de Entre-Douro-e-Minho), na esfera de influência da “região urbana” (metapolis) do Porto.
Realça-se a importância dos indicadores quantitativos – e, entre eles, os indicadores de paisagem (landscape metrics) – no fornecimento de informações exactas, pormenorizadas e credíveis sobre os fenómenos a estudar (os estados e processos, assim como os problemas e impactes); estes, uma vez avaliados, possibilitam aos planeadores e decisores o estabelecimento de prioridades e uma melhor definição de áreas de actuação; permitem ainda, ciclicamente, monitorizar e avaliar as respostas dadas (políticas, planos, programas, instrumentos de gestão territorial) para a resolução dos problemas identificados.
Também a uma escala mais pormenorizada, os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são particularmente úteis no estudo e avaliação das dinâmicas de conversão e transformação dos usos do solo, das pressões urbanas em áreas naturais, bem como à implementação e monitorização das medidas de protecção dos solos agrícolas, como se pôde constatar mediante a análise espacial e estatística dos processos apresentados para uso não agrícola da RAN.
Reforça-se, assim, a ideia de que os SIG se revelam fundamentais enquanto ferramentas de apoio ao processo de monitorização, fiscalização e decisão em matéria de Ambiente e Ordenamento do Território, assim como às políticas e Instrumentos de Gestão Territorial.

5. Bibliografia

Actas do XII Colóquio Ibérico de Geografia
6 a 9 de Outubro 2010, Porto: Faculdade de Letras (Universidade do Porto)

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11 de março de 2013

2.º Congresso Internacional (da) Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL)

“Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”

Congresso - 13 a 15 de março de 2013
Workshop - 11 e 12 de março de 2013

Lisboa - Laboratório Nacional de Engenharia Civil

Quem organiza:
Laboratório Nacional de Engenharia Civil


a) Programas e políticas urbanas e habitacionais
b) Cidade habitada, território e ambiente
c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal
d) O habitar nas comunidades rurais
e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica
f) Integrar a reabilitação urbana e habitacional
g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção
h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional

Mais informação:

10 de março de 2013

Formação e transformação da centralidade intraurbana em Brasília: da centralidade planejada à centralidade expandida

Maria do Carmo Bezerra
Professora Doutora da Universidade de Brasília
Claudia Varizo Cavalcante
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, SEDUMA/DF, Brasil

Comunicação apresentada no
XII Colóquio Ibérico de Geografia

O artigo objetiva mostrar o contexto no qual se insere o processo de formação e de transformação da centralidade intraurbana na realidade de uma cidade planejada como Brasília, capital do Brasil.
O trabalho aborda para a compreensão da centralidade em Brasília a concepção original para o espaço urbano da nova capital federal e o contexto da estruturação econômica da cidade, ressaltando as atividades de maior participação na produção e na geração de empregos. O processo de urbanização é apresentado na evolução urbana, englobando desde a implantação da cidade até o momento atual marcado pelo processo de metropolização.
Nesta análise entende-se que a formação da centralidade intraurbana em Brasília decorre do planejamento do poder público federal, de um projeto de âmbito nacional que envolveu a construção não só da área central, mas de toda a cidade. No entanto, novas forças operam na transformação desta centralidade, articulando interesses públicos e privados, que ao mesmo tempo reforçam o papel de centralidade do Plano Piloto e impulsionam a incorporação de novas áreas próximas, particularmente ao longo da Estrada Parque Indústria e Abastecimento – EPIA, que tem se configurado como novo eixo para instalação de grandes equipamentos de comércio e serviços na cidade.
Diante das especificidades da estruturação de sua economia e do impacto da dispersão da ocupação urbana, a centralidade intraurbana planejada para a área central do Plano Piloto é transformada numa centralidade expandida que agora é exercida sobre toda a área metropolitana de Brasília, que estende sua influência para além dos limites do Distrito Federal.

1. Introdução
A formação da centralidade intraurbana constitui temática de interesse para a compreensão de dinâmicas urbanas atuais, responsáveis por transformações que alteram a cidade em sua forma e conteúdo. Envolve aspectos relacionados por um lado ao papel que os tradicionais centros possuem na estruturação do espaço urbano, por outro, à indicação que novas centralidades oferecem para entendimento sobre distribuição das atividades econômicas e deslocamentos dentro da cidade, informações essenciais sobre o fenômeno urbano no momento da definição de políticas públicas.
O próprio crescimento das cidades impulsiona a descentralização de equipamentos e atividades, que se deslocam do centro tradicional para outras áreas do tecido urbano. A descentralização das atividades e equipamentos de vocação central, diante de sua capacidade de gerar fluxos, repete o fenômeno da centralização, ou melhor, promove uma recentralização, constituindo novas áreas de centralidade. Este processo de transformação da centralidade intraurbana manifesta-se de diversas formas: na “poli(multi)centralidade” (SPÓSITO, 1991, p.16); na formação de grandes centros; e na fragmentação do centro que perde seu caráter original e se configura em centros especializados

A maioria dos estudos remete ao entendimento de que estas transformações possuem em seu cerne a mudança da estrutura de produção nas cidades, que passa para uma economia eminentemente terciária, de comércio e serviços, ou mesmo quaternária, da informação. Entretanto outros fatores, que decorrem do processo de urbanização e da atuação dos agentes na produção do espaço podem interferir nesta dinâmica, como procuramos demonstrar neste artigo.
O objeto da análise é a transformação da centralidade intraurbana no contexto de uma cidade planejada como Brasília, em cuja estruturação econômica e evolução da ocupação urbana atuam forças antagônicas, articulando interesses públicos e privados, que exercem forte papel na singularidade de sua organização territorial.
Iniciamos por apresentar a concepção do plano urbanístico para Brasília, ponto de partida para uma melhor compreensão da formação da sua centralidade intraurbana e do processo de sua transformação.

2. O Ponto de Partida: a Concepção do Plano Piloto de Brasília e de sua Centralidade

3. Brasília: Estruturação da Economia e Impactos na Centralidade Intraurbana

4. Brasília: Evolução Urbana e Impactos na Centralidade intraurbana

5. Considerações finais
O ponto de partida para a concretização espacial de Brasília corresponde a sua concepção como capital federal e pólo de desenvolvimento regional, num grande projeto nacional que contou com investimentos maciços na construção do espaço para instalação da cidade. A centralidade planejada para a nova capital federal surgiria do cruzamento de dois eixos – rodoviário e monumental – lugar onde as atividades de comércio e serviços se implantariam de forma ordenada (setorizada), submetendo a sociedade à racionalidade do espaço.
Apesar da influência, sempre presente, do projeto inicial, reforçada pelo instituto do tombamento da sua concepção urbanística, a formação da centralidade intraurbana em Brasília segue rumos próprios, que encontra um contexto específico de evolução urbana e de estruturação de sua economia, que a tornam expressão da relação entre o que foi planejado e a sua espacialização como realidade urbana.
A estruturação da economia de Brasília é marcada pela contraposição entre os papéis que lhe foram atribuídos, de pólo de desenvolvimento para a região e de centro nacional político- administrativo. A cidade foi pensada e implantada com a economia centrada no processo de extração fiscal da receita, o que possui implicações sobre o atrofiamento da base econômica geradora de renda própria, resultando na prevalência da sua função político-administrativa.
Diante desse quadro, a sua economia se estrutura em atividades terciárias, com forte participação do subsetor da administração pública direta e autárquica. O perfil da economia reforça o papel da área central do Plano Piloto como local de concentração de atividades, condição que resiste a mudanças, tendo em vista a situação única dessa localização onde se encontram instalados os principais órgãos do Governo Federal e do Governo Distrital. As forças que podem acionar um processo de transformação na centralidade intraurbana em Brasília, estariam associadas a atividades terciárias privadas, relacionados a implantação de grandes equipamentos de comércio e serviços capazes de gerar novas polarizações.
A dinâmica urbana de Brasília, por sua vez, conduziu a um acelerado processo de metropolização, estendendo a sua ocupação para além dos limites do Distrito Federal, constituindo a formação de um espaço urbano fragmentado e fortemente polarizado pelo Plano Piloto. No entanto, o caráter excludente da ocupação, que mantém na região central e seu entorno mais imediato a população de mais alta renda, reforça essa centralidade.
Como resultado dessas dinâmicas compostas de forças antagônicas o que se constitui hoje como centralidade intraurbana em Brasília não se trata mais daquela centralidade planejada para o cruzamento dos eixos rodoviário e monumental, ela se modifica em uma outra centralidade, marcada por movimentos que ocorrem no sentido da sua expansão, com a incorporação de áreas próximas ao Plano Piloto, na constituição de uma centralidade expandida.

6. Bibliografia

Actas do XII Colóquio Ibérico de Geografia
6 a 9 de Outubro 2010, Porto: Faculdade de Letras (Universidade do Porto)

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9 de março de 2013

Debate - "Niemeyer, Brasília e a cidade moderna"

9 de Março - 18h

Lisboa - Casa da Achada (www.centromariodionisio.org)

Ana Vaz Milheiro, Bruno Lamas, Jorge Figueira, Manuel Graça Dias e Tiago Mota Saraiva

Unipop e revista "Imprópria"

O nome de Óscar Niemeyer, recentemente desaparecido, é universalmente reconhecido como figura incontornável da arquitectura moderna. Esse reconhecimento deve-se sobretudo às obras projectadas para a cidade de Brasília no final da década de 1950. Brasília, por sua vez, pode ser considerada como o mais amplo e completo exemplo concretizado dos princípios funcionalistas do urbanismo e da arquitectura modernos, tal como foram estabelecidos pelos Congrès Internationaux d’Architecture Moderne (CIAM) nos anos 1920/30 e fixados na chamada «Carta de Atenas» (1933) por Le Corbusier.

Em conjunto, a obra e o percurso de Niemeyer, o plano e a construção de Brasília e os princípios do urbanismo e arquitectura modernos, podem de certo modo ser vistos como diferentes níveis de análise sobre o complexo papel social e político da teoria e prática arquitectónica moderna na história do século XX: as suas contradições e aporias, convergências e divergências, apologias e críticas. Se por um lado o movimento moderno tentou apresentar-se a maioria das vezes como um projecto exclusivamente técnico, por outro lado, sempre procurou fundamentar-se na ideia de uma transformação social total através da simples construção de novas formas urbanas e arquitectónicas, onde o exercício de arquitectura aparece como um exercício de «engenharia social». Ao mesmo tempo que se apresenta como um projecto apolítico e um «estilo internacional», vê-se progressivamente a participar na consolidação e auto-representação de diversos Estados-nação através de projectos-símbolo de modernização social. Se começa por ser uma síntese progressista entre as vanguardas artísticas e os avanços técnico-industriais da Europa Ocidental entreguerras, será apenas a partir da destruição da Segunda Guerra Mundial que terá oportunidade de execução prática e será nas fases de modernização atrasada dos países de passado colonial das décadas de 1950 e 1960 que realizará os projectos mais ambiciosos (Brasília, Chandigarh, Islamabad, etc).

No urbanismo e na arquitectura modernistas, e naturalmente também em Niemeyer e Brasília, cruzam-se assim de forma ambígua diversos temas do pensamento social, político e cultural moderno (utopia e ideologia, capitalismo e socialismo, revolução e reformismo, poder e dinheiro, política e arte, etc.), cruzamentos que observados retrospectivamente revelam problemáticas fundamentais, porventura ainda hoje longe de terem sido verdadeiramente ultrapassadas.

Ver mais:

6 de março de 2013

London looks East: Docklands, Thames Gateway and the Stratford Olympics

Sir Peter Hall
A Cidade Resgatada | Conferências sobre Regeneração Urbana

6 de Março de 2013, 4ª feira, 21h30

Auditório de Serralves, Porto

O Ciclo de Conferências e de Conversas Públicas, denominado A Cidade Resgatada, organizado pela Ordem dos Arquitectos - Secção Regional Norte (Pelouros da Cultura, Comunicação e Norte 41), aprofunda o debate, iniciado em 2012, sobre os processos de Regeneração Urbana, à escala nacional e internacional. Com este debate não se pretende apenas “resgatar” o protagonismo dos centros consolidados; deseja-se abarcar a cidade mais alargada, sobretudo as franjas e os vazios pós-industriais, procurando perceber o seu papel estratégico nessa regeneração. Deseja-se, enfim, que esses processos sejam participados e debatidos interdisciplinarmente, englobando os contributos do Urbanismo, da Arquitectura, do Paisagismo, da Geografia, da Sociologia, da Antropologia, e mesmo da Filosofia.

Este ciclo acompanhará outras iniciativas concretas, como a realização de um Concurso Público e de um Seminário Internacional, os quais concentrarão o debate em áreas urbanas concretas, tendo o tecido do Porto como caso-de-estudo.

O Ciclo “A Cidade Resgatada” começa da melhor maneira: com Sir Peter Hall, o narrador das “Cidades do Amanhã”, expoentes da nossa civilização urbana. A sua aguardada conferência, que conta com a parceria do CEGOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, terá o comentário final de Nuno Portas, Professor Catedrático de Urbanismo da Universidade do Porto.

5 de março de 2013

Swiss seek to limit urban sprawl

by Olivier Pauchard, swissinfo.ch
Mar 25, 2012

After a decision earlier this month to limit the spread of holiday homes, Switzerland is looking to limit rampant construction in the countryside.
Parliament has agreed a change to the law aimed at reducing the land area that can be developed. It comes in response to a people’s initiative demanding a 20-year building freeze.
There was much debate about construction in mountain areas in the run-up to the March 11 vote on a second homes initiative, which was narrowly passed by voters. But there are also large numbers of development projects underway in lowland areas.
To the visitor, Switzerland could appear to be one huge building site. Everywhere, or almost everywhere, new buildings – mainly private homes – are springing up like mushrooms.
Figures from the Federal Statistics Office back up this impression. Last year 67,750 new homes were built, two per cent more than in 2010. And since 2004, around 10,000 one-family houses have sprung up every year.
The rate of construction is partly due to the historically low mortgage rates in Switzerland. These are so low that repayments are often less than the rent on an apartment or house.

Twelve football fields

Environmental protection organisations condemn the urban sprawl, pointing out that the amount of land developed every day amounts to the equivalent of 12 football pitches. In an attempt to curb the building trend they launched a people’s initiative, “For the countryside”, in 2007.
The main demand is that the total area under construction in Switzerland does not increase for 20 years. Philippe Roch, the former head of the Federal Environment Office and a member of the initiative committee, believes urgent action is needed.

The government and a majority of parliamentarians reject the initiative, which they deem too extreme and too inflexible.
In its place they have put forward a counter-proposal in the form of a revision of the federal zoning law. This reform proposes that areas for construction be defined in such a way as to meet the demands of the next 15 years.
It could result in existing development areas or those that are oversized or badly located being scaled back.
The other key measure concerns taxation. Owners of land which gains value will have to pay a tax corresponding to at least 20 per cent of the increase in value. The proceeds will be used to finance land use changes.

Enough land

Switzerland’s population is on the rise and nearing the eight million mark. Given this, would it not be a bad move to reduce or even stop land development?
Not necessarily, as the country has enough development areas for several years to come.

But this doesn’t mean that there is no shortage of building land.

For environmentalists, the solution lies in increased urban density. “If we have to deal with 70,000 extra inhabitants a year, let’s not spread them out just anywhere,” said Roch.
“Let’s try to build up our towns a little and construct attractive buildings. Before dealing with population growth we need to make sure we preserve the maximum of space and quality of life.”
Rumley also sees increased density as a key to the problem, but not necessarily in towns.
“City centres have already been built up. It’s the suburban areas that we now have to build up. Even housing developments could have greater density. Instead of creating more developments, we could reduce the areas of parceled land and try to squeeze in a second building or small construction, for example for a childless couple.”

Link para o artigo completo:
International Service of the Swiss Broadcasting Corporation

4 de março de 2013

Measuring and assessing urban sprawl: What are the remaining options for future settlement development in Switzerland for 2030?

Ulrike Wissen Hayek - Institute for Spatial and Landscape Planning (IRL);
Jochen A.G. Jaeger - Department of Geography, Planning and Environment, Concordia University Montréal;
Christian Schwick - Die Geographen Schwick+Spichtig;
Alain Jarne and Martin Schuler - CEAT, École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL)

Transformation of land use in and around European cities is proceeding as fast as never before, and urban sprawl is a reality in Europe. This process is coming along with significant landscape changes that can even lead to the loss of landscape identity. Is it possible to find indications of which regions are prone to urban sprawl in order to curtail undesired future settlement developments in time? To answer this question we used settlement development scenarios for Switzerland, and analysed their spatial implications using a set of four metrics, which allow for comparing the degree of urban sprawl in different regions. Two aspects were explored: (1) by how much settlement development could potentially increase in Switzerland, and (2) the suitability of the metrics as indicators for characterizing and assessing the development of urban sprawl. The results show that overall in Switzerland the urban permeation and dispersion of settlement areas is likely to increase (in all scenar- ios), but to different degrees. However, the results differ very much between the various types of settlement and between the cantons, and even a decrease in urban dispersion is possible. In combination with scenarios of set- tlement growth, the metrics provide useful evidence on regional characteristics such as the overall pressure of settlement development and likely transformations of the respective settlement types that should be taken into account in spatial development concepts. There is a need for calibration of the indicators on a regional level to define specific thresholds to limit urban sprawl.

Settlement structures in combination with other landscape elements, e.g., water bodies, vegetation, and types of cultivation, can build unitary and comprehensive contexts with high informational content and stimulating ori- entation patterns contributing to the character of various landscape types (Kim and Pauleit 2007; Nohl 2001). Settlement development changes the view of a landscape significantly (Antrop 2004), and since the 1960s, it has frequently created conditions that are denoted as urban sprawl, i.e., particular types of scattered and fragmented peri-urban areas. Associated with these settlement structures are a number of negative effects, such as: loss of cultivated land and loss of biodiversity, irreversible loss of heritage values, aesthetic degradation, declining recreational quality of the landscape and reduced quality of life (Catalán et al. 2008; Ewing 1997; Frenkel and Ashkenazi 2007; Gagné and Fahrig 2007; Jaeger et al. 2007a, 2010a; Siedentop 2005). Affected landscapes often lose their identity (Nohl 2001).
Urban sprawl has been identified as an undesired trend in many countries. There are some examples of planning and land management systems that have been successful in urban containment and countryside stewardship, e.g. the Dutch system and to a lesser degree, the British system (Alterman 1997). However, most attempts to guide development activities in the direction of more desirable settlement patterns have had little success (Bengston et al. 2004; Kasanko et al. 2006; Ulfarsson and Carruthers 2006). Will urban sprawl become even worse in the future?
One difficulty in answering this question is that the future settlement development is difficult to predict. The combination of many factors may lead to completely different alternatives regarding where and how people decide to live and work, with spatial, economic and political dimensions being interconnected (Ulfarsson and Carruthers 2006). A second problem is that it is often not clear which degree of urban sprawl should be assessed as so harmful that further negative development should be strongly avoided. A common consensus on the evaluation of urban sprawl and what criteria should be applied is still missing (Siedentop 2005), even on a na- tional level.
In this paper, we aim to overcome these difficulties by (1) using a set of alternative future settlement develop- ment scenarios for Switzerland, and by (2) analysing and assessing their characteristics and implications through the application of a set of new urban sprawl metrics. These metrics allow for a quantitative approximation of the description of landscape quality by indicating the anthropogenic pressure on the landscape (Jaeger and Bertiller 2006; Jaeger et al. 2010b). The following research questions were addressed:
• First, we asked by how much settlement will potentially increase in Switzerland by 2030 according to the four scenarios, and where the most substantial changes would be expected under these scenarios.
• The second question focussed on the evaluation of urban sprawl by asking if the metrics provide useful evidence for characterizing and assessing the nature of settlement dispersion.
The overall goal of this article is to assess the informative value of the new urban sprawl metrics in order to provide planners and decision makers with indications on settlement areas that are particularly exposed to urban sprawl, using Switzerland as an example.

Case Study Location and Research Framework

Four Alternative Scenarios: “Switzerland 2030”
- Qualitative Scenarios
- Quantitative Model of Settlement Growth
- Calculating Maps of the Future Settlement Distribution

- Calculating Metrics of Urban Sprawl: Urban Dispersion, Total Sprawl, Urban Permeation, and Sprawl Per Capita
- Interpreting the Metrics with the Use of Qualitative Scenario Information

- Differences in the Increase of Urban Permeation Between the Scenarios
- Influence of the Scenarios on the Dispersion of the Settlement Areas
- Differences in sprawl per capita

- Most Substantial Changes in Settlement Development Under the Four Scenarios
- Indications for Regions Inclined to Urban Sprawl

Our results show that Switzerland has strong tendencies of continued urban sprawl, but these trends are not equally severe in all parts of Switzerland. The metrics help gain insights about the impacts of the scenarios on the spatial pattern of the settlement areas and compare them to the situation of today. Obviously, there is no single one settlement development scenario among our four scenarios that could support the lowest increases, or even decrease, of the metrics in all settlement types with the same effectiveness. Thus, the various settlement types need different strategies for managing their future growth of settlement area.
However, the results do not yet reveal what quantitative limits (based on the metrics) should be set in order to ensure a sustainable settlement development. Focussing on particular cantons, it has become obvious that the landscape structure, the related socio-historically evolved settlement forms, and the locations of the designated building zones have great influence on the values of the metrics, and that limits or thresholds based on the met- rics need a region-specific calibration. It will depend on an evaluation and appreciation of the resulting land- scapes if detected processes should be permitted, changed, or stopped.
The scenarios are not suitable for directly deriving policy recommendations from the simulation results because of the large number of scenario-related assumptions and generalizations. However, due to their inner consis- tency, the scenarios demonstrate potential spatial developments that provide thought-provoking impulses. In scenario C, the population remains more or less where it is today and the consumption of resources is stabilized. Thus, a lowered demand in further build-up area is a very reasonable option for the future. However, scenario D describes a cohesive development (with a strong economy) which is often equated with decentralized settlement growth and urban sprawl. In contrast, metropolitan growth as in scenario B is often equated with densification and thus reduced urban sprawl. Our scenarios show that this equation is not correct in such general terms. They support the hypothesis that cohesive regional development is not accompanied by high rates of land consump- tion but demands relatively little new build-up areas. This result is supported by Alterman’s (1997) findings: Containment of urban growth strongly depends on a nation’s shared norms and values for land development.
As the metrics provide for rather abstract (quantitative) information, the resulting landscape conditions should be studied through 3D landscape visualisations as a next step to aid understanding and communication on all planning levels from the outset on. By integrating visual and non-visual landscape information, these instru- ments show high potential for assisting in the analysis of landscape change and evaluating the character of pos- sible future landscapes (Higgs et al. 2008; Wissen et al. 2008).
The new urban sprawl metrics are suitable to highlight anthropogenic pressures on the landscape. However, human action is one important aspect among others (e.g., physical forms and societal values) which in their combination shape a landscape (Stephenson 2008). In order to further increase the understanding of landscape change, the metrics should be combined with additional indicators, e.g., for the assessment of the view and the ecological impairment of potential future landscapes and for testing the effects of alternative patterns based on societal values (Grêt-Regamey 2007; Nassauer and Corry 2004; Walz et al. 2007).



The final publication is available at: www.springerlink.com

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3 de março de 2013

GEOGRAPHY, Politics, Policies & Planning

3 a 5 de Março

Porto - Casa da Música e Faculdade de Letras da Universidade do Porto

O Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) tem vindo a promover a investigação e o debate em torno de variados domínios da Geografia e no cruzamento do conhecimento científico entre disciplinas, nos temas que servem de referência aos grupos em que se estrutura: Natureza e dinâmicas ambientais; Cidades, competitividade e bem-estar e Paisagens culturais, turismo e desenvolvimento.

No âmbito da sua missão, o CEGOT organiza o seu 1º Encontro Internacional Geografia & PPP /Geography & PPP’s (Geografia & Política, Políticas e Planeamento / Geography & Politics, Policies and Planning) que terá lugar de 3 a 5 de Março de 2013. Pretende-se abordar questões que, a partir de uma dimensão geográfica, de forma mais transversal, abstrata, específica ou localizada, se relacionem com vulnerabilidades, riscos, assimetrias sociais, recursos naturais, desenvolvimento económico e bem-estar social, na sua dimensão espacial e em especial na relação entre conhecimento científico e políticas públicas.

O encontro decorrerá na cidade do Porto e estará estruturado em três formatos: conferência, mesa redonda e apresentação de comunicações.


Dia 3 de Março
18h00 - Abertura, entrega de documentação e porto de boas-vindas

Dia 4 de Março
Geography & PPP
"Vulnerabilities, hazards, social asymmetries and other spatial based problems"
8.30 - Recepção
9.30 - Conferências
- Irasema Alcantara Ayala
- Márcio Morais Valença
- Mark Vetter
11.30 - Mesa-redonda
- Luís Ramos
- Rui Sá
- Teresa Pinto Correia
Moderação por David Pontes (Lusa/Porto Canal)
14.15 – 16h15 - Colóquio: Comunicações selecionadas (com publicação assegurada)
16.30 – 18h30 - Colóquio: Comunicações selecionadas (com publicação assegurada)
21h30 - Porto à Noite
1. Cidade e urbanismo / Entre resistência, resiliência e elitização (José Rio Fernandes)
2. Os turistas e a cidade / Os turistas na cidade (Luís Saldanha Martins)
3. O verde e a cidade / A cidade para lá das casas e das ruas (H. Madureira / N. Vareta)
4. Os riscos na cidade / A cidade dos riscos (Carlos Bateira / Laura Soares / José Teixeira)
5. A história da cidade na cidade histórica (Jorge Ricardo Pinto)

Dia 5 de Março
Geography & PPP
"Natural resources, economic development, social well being and spatial based assets"
9.30 - Conferências
- Peter Hall
- Augusto Perez Alberti
11.30 - Mesa-redonda
- João Ferrão
- José Luís Carneiro
- Lúcio Cunha
Moderação por Paulo Ferreira (JN)
14.15 – 16h15 - Colóquio: Comunicações selecionadas (com publicação assegurada)
16.30 – 18h30 - Colóquio: Comunicações selecionadas (com publicação assegurada)

Dia 6 de Março
10h00 - Reunião de trabalho interna com consultores.

Mais informação: